Mercado de commodities minerais exige estratégia, inovação e cooperação frente a novos desafios globais, defendem especialistas
26/08/2026
Diante de um novo ciclo, participantes de talk show na EXPOSIBRAM 2026 apontam caminhos para enfrentar pressões sobre oferta, custos e investimentos com a proposta de ampliar a competitividade do setor minerário.

As transformações no mercado global de commodities minerais, impulsionadas pela transição energética, avanços tecnológicos, inteligência artificial, mudanças nas relações comerciais e tensões geopolíticas, estiveram no centro do talk show “As principais tendências no mercado de commodities minerais”, realizado na terça-feira (25/08), durante a Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRAM 2026) em andamento na capital mineira.
Moderado pelo diretor de Operações Globais da Anglo American, Ruben Fernandes, o painel reuniu lideranças e especialistas para discutir os fatores que vêm alterando a dinâmica da oferta e da demanda por minerais estratégicos e os caminhos para ampliar a capacidade de resposta da indústria frente a esse novo cenário.
Participaram do debate o diretor sênior de Projetos Estratégicos da Mosaic, Henrique Oliveira; o vice-presidente de Assuntos Corporativos para a América Latina da BHP, René Muga Escobar; o líder global do setor de Mineração e Metais da Ernst & Young (EY), Paul Mitchell; e o consultor sênior da CRU Group, Sebastián Gatica.
Ao abrir as discussões, Henrique Oliveira abordou os impactos dos conflitos no Oriente Médio sobre a produção e a distribuição de recursos, especialmente os fertilizantes. Segundo ele, a instabilidade geopolítica amplia as incertezas em torno do abastecimento e pode trazer consequências para a segurança alimentar mundial.
Para o executivo, uma das respostas a esse cenário passa pelo fortalecimento da interlocução entre empresas, associações setoriais e poder público. “Precisamos trabalhar perto do governo. É importante que o governo federal compreenda os possíveis impactos futuros, bem como a maneira pela qual pode apoiar as empresas nesse cenário”, afirmou.
Henrique também destacou a diversificação das fontes de suprimento como uma estratégia de médio prazo, com a busca por fornecedores em diferentes regiões do mundo. Paralelamente, defendeu investimentos em inovação e em soluções capazes de ampliar o aproveitamento dos próprios produtos. “A inovação é outra forma de pensar e, com certeza, uma oportunidade para nos prepararmos para essa nova realidade”, ressaltou.
Minas do futuro
A transformação da atividade mineral também esteve entre os principais pontos abordados por Paul Mitchell. Ao analisar a valorização dos ativos de mineração, diante do avanço da transição energética e da descarbonização, o painelista chamou a atenção para a necessidade de antecipar como serão as operações do futuro.
Segundo Mitchell, a eletrificação, a descarbonização e a expansão da inteligência artificial tendem a sustentar a demanda por commodities minerais por um período significativo. Nesse contexto, ele defendeu uma postura mais estratégica diante dos investimentos e salientou a importância de avaliar o potencial de valorização dos ativos no longo prazo.
“Seja positivo ao olhar para os investimentos. Olhe para o preço da commodity. Tenha uma visão positiva sobre o potencial de valorização futuro e seja arrojado no que está fazendo”, afirmou. Para ele, assumir riscos de forma calculada e antecipar movimentos pode representar uma vantagem competitiva para as empresas.
Desafios estruturais e cooperação
Na sequência, René Muga Escobar destacou as mudanças estruturais que vêm pressionando a capacidade de produção da indústria mineral. Entre elas, a redução do teor dos minérios, o que exige maior processamento para a obtenção da mesma quantidade, ou até de um volume menor, de produto.
“O material é muito mais difícil de produzir. Precisamos processar muito mais para obter a mesma quantidade ou até menos”, explicou. Na avaliação do executivo, esse cenário exige uma atuação mais integrada entre empresas, fornecedores e demais agentes envolvidos na cadeia mineral.
A construção de parcerias, segundo René, é fundamental para criar condições de maior estabilidade e previsibilidade, além de favorecer a atração de investimentos para as regiões onde estão concentrados os recursos minerais. Para a América Latina e, particularmente, o Brasil, ele vê nesse cenário uma oportunidade de ampliar a participação na cadeia global de minerais estratégicos. “Se você olhar para toda a problemática que enfrentamos, pode ser muito pessimista, mas vejo muitas oportunidades para agirmos”, afirmou.
Riscos nos novos projetos
Os desafios relacionados à implantação de novos empreendimentos foram analisados por Sebastián Gatica. O consultor apresentou três fatores que, segundo a CRU Group, costumam ser subestimados por investidores: o prazo de execução dos projetos, a inflação de custos e a avaliação de toda a cadeia de valor.
Em relação ao primeiro ponto, Gatica destacou que os cronogramas inicialmente previstos frequentemente não correspondem à realidade, resultando em atrasos significativos. Em mercados mais restritos, como o de cobre, esse descompasso pode afetar o equilíbrio entre oferta e demanda e, consequentemente, os preços.
O segundo fator é a elevação dos custos, associada à maior complexidade das operações, à redução dos teores dos minérios e ao desenvolvimento de lavras cada vez mais profundas. Já o terceiro diz respeito à avaliação integrada do empreendimento. Para o especialista, não basta considerar apenas o produto final: é fundamental compreender também os diferentes elos da cadeia, incluindo as etapas de processamento e fornecimento.
Patrocínios e apoios da EXPOSIBRAM 2026
A EXPOSIBRAM 2026 conta com o patrocínio de importantes empresas e instituições dos setores mineral, industrial e de tecnologia. Na categoria Master, o evento tem como patrocinadora a BHP e a Vale. Na categoria Diamante, participam Aeolus e Ero Copper. Entre os patrocinadores Platina estão Anglo American Brasil, BVP, CMOC Brasil Mineração, Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (CODEMGE), Compañía Electro Metalúrgica S.A., Huawei do Brasil, Loctite, Lundin Mining, Norsk Hydro e Taboca. Na categoria Ouro, figuram AngloGold Ashanti, Kinross Brasil e Nexa Resources. Entre os patrocinadores Prata, estão ArcelorMittal Brasil, Geosol e Mineração Usiminas. Na categoria Bronze, apoiam o evento Accenture, Alcoa, Appian Capital Brazil (Atlantic Nickel), Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), Del Rey Minerals, Dinâmica, DXC Technology, Hatch, Hexagon Mining, Mosaic Fertilizantes, Pirobras, Samarco e St George Brasil.
A EXPOSIBRAM 2026 também conta com amplo apoio institucional de entidades como Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS), ABIAPE, Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (ABIFER), ABIMAQ, ABIMEX, ABM (Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração), Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACE Energia), Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (ABRATE), Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral (ABREMI), Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Agência para o Desenvolvimento da Indústria Mineral Brasileira (ADIMB), Amcham Brasil, Agência Nacional de Mineração (ANM), APEMI, CAEMG, Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Federação Brasileira de Geólogos (FEBRAGEO), Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG), Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), International Geosynthetic Society (IGS), Movimento pela Inovação na Mineração e Desenvolvimento (MINDE), Mining Hub Brasil (Mining Hub), OAB SP (Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo), Organismo Latino-Americano de Mineração (OLAMI), RMMG, Sociedade Brasileira de Geofísica (SBGf), Serviço Geológico do Brasil (SGB), SGB Núcleo Bahia-Sergipe, Sindicato das Indústrias Minerárias do Estado do Pará (SIMINERAL), Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Estado de Minas Gerais (SINAEES-MG), Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (SINDIEXTRA), Sindicato da Indústria de Rochas Ornamentais, Cal e Calcários do Estado do Espírito Santo (SINDIROCHAS) e Women in Mining Brasil (WIM Brasil).
No apoio editorial, participam veículos especializados como 2A+ Mineração, BNews, Brasil Mineral, Cidades e Minerais, CKS Online, Climatempo, Conexão Mineral, EAE Máquinas, In The Mine, Minera Minas, Mineração & Sustentabilidade, Minérios & Minerales, Notícias de Mineração Brasil, Podcast da Mineração, Por Dentro de Minas, Radar Mineração, Revista Amazônia, Revista Areia & Brita, Revista M&T, Revista Novo Solo e The Mining.
Serviço:
EXPOSIBRAM 2026
Data: 24 a 27 de agosto de 2026
Local: EXPOMINAS – Belo Horizonte – MG
Mais informações em https://exposibram2026.ibram.org.br/