Mercado brasileiro dobrará produção de ferro até 2016
30/07/2010
Se os investimentos anunciados para os principais projetos de extração de minério de ferro saírem do papel, o Brasil atingirá o volume total de 670 milhões de toneladas anuais em 2016.
;
A cifra é o dobro frente aos 310 milhões visto em 2009.
;
Somente os projetos listados pelo Brasil Econômico devem acrescentar 315 milhões de toneladas à produção nacional nos próximos seis anos.
;
O setor mineral prevê investimento total de US$ 54 bilhões entre 2010 e 2014, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
;
“Certamente, teremos investimentos acima deste valor, porque a atividade mineral é a que mais investe no país”, indica o presidente da entidade, Paulo Camillo Penna.
;
O executivo ressalta, entretanto, que apesar do potencial mineral do Brasil e do peso do país no mercado mundial o fluxo de investimentos em prospecção mineral é muito pequeno – inclusive em relação a países com menor produtividade, como Peru (US$ 400 milhões) e México (US$ 365 milhões).
;
Segundo Penna, as mineradoras brasileiras investirão apenas US$ 234 milhões em pesquisa mineral em 2010. Volume que representa somente 3% dos US$ 7,3 bilhões previstos pelas mineradoras dos dez principais países produtores, montante liderado pelo Canadá (US$ 1,2 bilhão, ou 16% do total global) e pela Austrália (US$ 1 bilhão, cerca de 13%).
;
“O Brasil investe muito pouco na exploração mineral porque não tem uma política de fomento”, afirma Penna.
;
O Ibram garante que apenas 30% do território nacional foi devidamente mapeado para descobrir riquezas minerais.
;
Preço é bom agora
;
Para o economista Germano Mendes De Paula, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU-MG), a cotação do minério de ferro é atraente ao aumento da produção.
;
Mas o especialista em mineração ressalta que, apesar de existir “uma janela de oportunidade” agora, “em algum momento haverá excesso de produção”.
;
“Isso é do jogo, o preço vai se reverter. A questão é saber qual será esse momento”, diz.
Na avaliação de Vicent Baron, sócio-diretor da Vallua Consultoria e Gestão, o cenário internacional positivo para a exportação é bom no curto médio prazo devido à demanda externa por minério de ferro estar aquecida. Mas exige um planejamento mais agressivo para evitar prejuízo quando o preço não for mais tão atraente.
;
“Exportações maiores agora não é preocupante porque a demanda está crescente. Mas o governo tem de ter a preocupação de fazer o país dar um passo acima na cadeia de valor”, indica.
;
Brasil Econômico