Mercado aposta em retomada para Vale em 2010
23/10/2009
O mercado já espera uma retomada dos negócios da Vale em 2010, depois de um forte revés no final do ano passado, que provocou demissões e a redução dos investimentos programados para 2009. As melhores perspectivas para o setor siderúrgico indicam uma recuperação mais consistente na demanda por minério de ferro tanto no Brasil como nos países desenvolvidos. Em reuniões com analistas, a empresa sinalizou que sua produção pode voltar a operar com plena capacidade em 2010, gerando uma onda de revisões favoráveis à companhia, como relatórios divulgados pelos bancos Goldman Sachs, JPMorgan e Merrill Lynch em outubro, com previsões de vendas maiores de minério de ferro assim como; preços melhores para o insumo e para os metais básicos, como o níquel.
Para 2010, o mercado vê espaço para uma alta de 10% no preço do minério, que recuou cerca de 30% neste ano. A demanda pelo insumo em todo o mundo será um fator-chave para a recuperação das vendas da Vale. De acordo com a Worldsteel Association (WSA), Associação Mundial do Aço, o consumo aparente global deve crescer 9,2%, para 1,206 bilhão de toneladas em 2010, depois de cair 8,6% neste ano.
Além da demanda chinesa, que permanecerá firme, o crescimento será estimulado pela retomada do consumo nos demais países do mundo, que sofreu forte retração em 2009 e deixou a maior parte da demanda nas mãos dos chineses neste ano. Segundo o WSA, a China deve ter uma alta de quase 19% no consumo de aço neste ano e de 5% em 2010. Nas economias emergentes, o consumo de aço deve cair 17% em 2009, mas terá um aumento de 12% no ano que vem. Nos países desenvolvidos, onde o consumo cairá 34% em 2009, a recuperação deve ser de 15% em 2010.
O mercado doméstico terá um papel importante na retomada das vendas. Segundo o Instituto Aço Brasil (IABr), nova denominação do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), o consumo de aço no Brasil deve crescer 8,6% no ano que vem, passando para 20,3 milhões de toneladas. De acordo com o vice-presidente executivo da entidade, Marco Polo de Mello Lopes, este número poderá ser revisado para cima devido aos Jogos Olímpicos, que ocorrerão no Rio de Janeiro em 2016. “Ainda estávamos mais pessimistas quando fizemos a previsão”, afirmou. No ano passado, foram consumidas 24 milhões de toneladas, e a expectativa para este ano é de 18,7 milhões de toneladas, uma queda de 22,2%.
Participação da China
No segundo trimestre de 2008, o mercado brasileiro de siderurgia representava quase 20% das vendas da Vale, mas passou a representar apenas 8,2% da demanda no mesmo trimestre deste ano. No período, a participação da China nas vendas da mineradora saltou de 31,8% para 66,2%. Segundo o analista da SLW Pedro Galdi, a China continuará a ser o carro-chefe do mercado de mineração, mas sua participação nas vendas da Vale tende a cair devido à retomada nas demais regiões. Isso é vantajoso porque reduz os riscos e diminui a exposição ao mercado chinês, que é mais agressivo em relação a preços.
As informações concedidas pela Vale a analistas trouxeram um maior otimismo ao mercado. Em relatório, o banco Goldman Sachs informou que a empresa está operando com cerca de 95% da sua capacidade, depois de operar com apenas 58% da capacidade no primeiro semestre deste ano. Para 2010, a previsão é de utilizar a capacidade plena. “Isso é surpreendente se comparado aos níveis do primeiro semestre, e levando em conta que não está ocorrendo uma alta significativa da produção de aço na Europa”, informou o Goldman Sachs em relatório.
O analista Marcelo Aguiar, que assina o relatório, prevê embarques de 344 milhões de toneladas de minério e pelotas da Vale em 2010, muito próximo à capacidade total da mineradora. No segundo semestre de 2009, a empresa terá exportações anualizadas de 280 milhões de toneladas (taxa de 77% de uso da capacidade), ante embarques de 212 milhões de toneladas no primeiro semestre deste ano (nível de 58%).
Preço-alvo
A recuperação foi atribuída a cancelamentos ou adiamentos de projetos de minério de ferro durante a crise financeira que, aliados à retomada da demanda, provocarão um déficit de 57 milhões de toneladas de minério de ferro no mercado transoceânico no próximo ano. Diante do novo cenário, o Goldman elevou sua recomendação para as ações da Vale, de neutra para compra, e ampliou a meta de preço em 12 meses para os ADRs da Vale para US$ 31,00, de US$ 28,00.
Outra instituição financeira que melhorou suas previsões para a Vale foi o JP Morgan. Segundo relatório, os novos preços-alvo para dezembro de 2010 são US$ 24,5 por ADR ON e US$ 21,5 para PN, ante previsões anteriores de US$ 23,5 e US$ 20,5, respectivamente. A revisão foi feita com base em melhores perspectivas para os preços dos metais e do minério de ferro no ano que vem.
O Merrill Lynch também ficou mais otimista em relação aos negócios da mineradora. Por meio de relatório, seus analistas informaram que a produção da Vale em 2010 deve ficar entre 330 milhões e 340 milhões de toneladas, acima das estimativas iniciais do banco, que eram de 300 milhões de toneladas. A produção de 2009 deve somar entre 250 milhões e 260 milhões de toneladas.
Diante das revisões, o mercado está à espera dos resultados do terceiro e do quarto trimestres para verificar se a crise já ficou para trás. Os resultados do terceiro trimestre serão divulgados no próximo dia 28. Segundo o analista Eduardo Roche, da Modal Asset, é possível que a empresa ainda não atinja sua capacidade total no final de 2009. “Pode ser uma expectativa muito forte para o momento atual, mas possível em 2010”, afirmou.
Essa reportagem foi originalmente publicada no AE Empresas e Setores, serviço de informações e análises sobre o setor corporativo da Agência Estado.http://aeinvestimentos.limao.com.br/especiais/esp36345.shtm
Agência Estado