Luz no fim do túnel na disputa com a China
15/07/2010
Após anos de reclamações de Estados Unidos e Europa, a decisão do governo chinês de dar “maior flexibilidade” para a taxa de câmbio do iuane deve beneficiar o Brasil no comércio global olhando a competição com a China.
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À primeira vista, de acordo com especialistas em comércio internacional, haverá uma melhora por meio do aumento das exportações de produtos industriais (de maior valor agregado) em relação aos pares chineses.
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Nada muito inspirador: como prova do gradualismo chinês, a medida ainda não mostrou a que veio.
Desde o dia 21 de junho, primeiro dia útil depois do Banco Central da China indicar que manteria um sistema flutuação administrada para o iuane (também é chamado de renminbi, ou RMB) referenciado contra uma cesta de moedas, a apreciação da divisa foi de 0,8% ante o dólar no mercado.
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“A medida chinesa é boa para as exportadoras, desde que não fosse tão lenta. Vamos sentir isso a longuíssimo prazo”, afirma Roberto Barth, um dos fundadores da Comissão de Defesa da Indústria Nacional (CDIB).
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Ainda falta muito para chegar ao considerado ideal. Projeções apontam que o iuane está subvalorizado em 40%, daí os motivos de questionamentos.
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“Estão flexibilizando, mas o processo ainda não é suficiente para resolver o problema. O Brasil perde mercado até com nossos vizinhos, como os calçados chineses entrando na Argentina”, aponta Eduardo Felipe Matias, especialista em comércio exterior e sócio do escritório L.O. Baptista Advogados.
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Desde julho de 2008, o iuane estava atrelado à moeda americana, fixado em 6,8 iuanes por dólar. O problema não é só câmbio.
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A concorrência é desigual perante os fatores de produção, como a mão de obra, relativamente a preços muito inferiores. A flexibilização, portanto, abre espaço para uma competição comercial mais justa, fundamentada na produtividade.
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Para o economista Ricardo Jacomassi, especialista em economia internacional, no caso do Brasil, setores que concorrem com o produto chinês no comércio mundial deverão apresentar maior competitividade, com impactos na redução dos preços.
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“A única preocupação advém de uma possível valorização acentuada do real.”
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Em se tratando da corrente comercial entre Brasil e China, é esperado um equilíbrio. “A China cedeu à pressão dos Estados Unidos para uma apreciação do iuane, mas não haverá nada drástico.
Difícil acreditar em uma liberdade do iuane, sem algum tipo de interferência do BC da China”, pontua Joseph Tutundjian, experiente executivo de comércio exterior.
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O governo chinês tem interesse em manter a taxa de câmbio em uma banda aceitável, dada a importância da competitividade do produto em um país cujo crescimento industrial é orientado pelo mercado internacional.
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E “embora seja um regime bem centralizado, as autoridades pedem muita opinião do setor produtivo”, lembra Tutundjian.
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Comércio bilateral
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Na relação superavitária do Brasil com a China, o país leva nova vantagem comercial, mesmo que circunstancial.
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A valorização do iuane e a pressão de custos puxada pela alta das commodities pode pesar na balança de importações. Mas a pauta comercial acaba beneficiando as exportações brasileiras, ancoradas produtos agrícolas e minério, já que a China tem mais capacidade de diluir custos em toda a cadeia industrial.
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No cenário mais amplo, constata-se que pode levar tempo ainda para uma pressão natural de custos de mão de obra na China que, em algum momento, levaria à apreciação cambial provocada pelo aumento de renda. E, simultanemente, ajudar o Brasil a se tornar uma economia mais competitiva no comércio internacional.
Brasil Economico