Lucro da Usiminas sobe 14% no 3o trimestre
29/10/2010
SÃO PAULO, 28 de outubro (Reuters) – A Usiminas obteve uma alta de 14 por cento no lucro líquido do terceiro trimestre, para 495 milhões de reais, apesar de registrar uma queda de 9 por cento nas vendas em volume em um período marcado por fortes importações de aço no país.
Analistas consultados pela Reuters, esperavam, em média, lucro líquido de 388,6 milhões de reais, depois que a empresa teve ganho de 347 milhões de reais no segundo trimestre.
A Usiminas, uma das principais fornecedoras para as indústrias de veículos e máquinas e equipamentos do país, teve vendas de 1,55 milhão de toneladas de aço de julho a setembro, ante 1,694 milhão um ano antes. Enquanto isso, a produção de aço bruto somou 1,953 milhão de toneladas, alta de 7 por cento.
O custo de produtos vendidos ficou em 2,44 bilhões de reais, contra 2,76 bilhões no segundo trimestre e 2,53 bilhões um ano antes.
O lucro antes de incidência de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda, na sigla em inglês) somou 735 milhões reais no trimestre, contra 417 milhões de reais de julho a setembro de 2009, ficando em linha com o esperado pela média de cinco previsões de analistas. A margem Ebitda subiu sobre o terceiro trimestre de 2009, de 14,6 para 22,7 por cento.
A receita líquida do grupo encerrou o trimestre em 3,241 bilhões de reais, crescimento de 13 por cento na comparação anual e queda de 10 por cento sobre o segundo trimestre e abaixo dos 3,425 bilhões de reais esperados pelo mercado.
A receita caiu pelo menor volume vendido. A empresa afirma que aumentou seus preços médios em cerca de 3 por cento sobre o período de abril a junho.
Chamando o momento por que passa o setor siderúrgico de “totalmente atípico”, a Usiminas afirma no balanço que o crescimento acelerado do país “associado a uma taxa de câmbio supervalorizada, cria um cenário altamente favorável às importações, que afeta o crescimento da indústria como um todo e do setor siderúrgico”.
A empresa terminou o trimestre com um resultado financeiro positivo de 112,1 milhões de reais ante 200,44 milhões de reais entre julho e setembro de 2009. Enquanto isso, a dívida líquida passou de 3,1 bilhões para 4,9 bilhões de reais.
MINERAÇÃO COM MELHOR MARGEM
De todas as unidades de negócios da Usiminas, a área produtora de minério de ferro teve o melhor desempenho em termos de margem Ebitda, 70 por cento no terceiro trimestre após 72 por cento nos três meses anteriores. Comparação anual não foi fornecida. No acumulado de janeiro a setembro a margem da divisão fica em 67 por cento, 15 pontos percentuais a mais que há um ano.
Segundo a Usiminas, no terceiro trimestre a produção de minério de ferro da companhia, de 1,879 milhão de toneladas, cresceu 9 por cento quando comparada à do segundo trimestre e 31 por cento sobre o mesmo período de 2009. A empresa consumiu 1,196 milhão de toneladas e vendeu as 191 mil toneladas.
A área de siderurgia teve margem de 18 por cento, um ponto percentual abaixo do verificado no segundo trimestre. A empresa destinou 80 por cento da produção de aço para o mercado interno e 20 por cento ao exterior.
O segmento de chapas grossas, um dos mais afetados pela crise que impactou o setor siderúrgico após o colapso do Lehman Brothers no fim de 2008, foi o único a ter alta de vendas na comparação anual, apresentando evolução de 29 por cento, para 357 mil toneladas. Já laminados a quente caíram 1 por cento e laminados a frio viram queda de 22 por cento.
“Verifica-se queda em todos os segmentos, com exceção da indústria, com destaque para o crescimento dos setores naval, em função do deslocamento dos projetos do primeiro semestre para o segundo, máquinas agrícolas pela sazonalidade do setor e máquinas rodoviárias, pelo reaquecimento estimulado pelos incentivos fiscais previstos até dezembro”, afirma a Usiminas no balanço.
O Globo