Logística ganha papel estratégico para ampliar a competitividade da mineração brasileira
27/08/2026
Painel “Corredores Logísticos para a Atividade Mineral”, na EXPOSIBRAM 2026, promoveu a discussão de infraestrutura, integração de modais e segurança no abastecimento de insumos estratégicos.
Fortalecer a competitividade da mineração brasileira diante dos desafios logísticos, das transformações no mercado internacional e da dependência de insumos estratégicos foi o eixo central do painel “Corredores Logísticos para a Atividade Mineral”, realizado nesta terça-feira (25/08), durante a Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRAM 2026). O encontro reuniu representantes da Vale Metais Básicos, MRS Logística, Mineração Usiminas, Mineração Rio do Norte (MRN) e Potássio do Brasil, que apontaram caminhos para aprimorar a infraestrutura de transporte e ampliar a eficiência das cadeias de abastecimento do setor.
O encontro, mediado pelo CEO da Porto Sudeste do Brasil, Jayme Nicolato Corrêa, colocou em pauta alternativas para o escoamento da produção mineral e a integração entre diferentes modais de transporte, com o objetivo de ampliar a conexão da mineração brasileira com os mercados nacional e internacional.
Entre os desafios apresentados pelos painelistas, foi mencionado o avanço da produção mineral em outros países e o impacto desse movimento sobre a competitividade brasileira. No caso da bauxita, por exemplo, o diretor de operações da MRN, Rogério Junqueira, pontuou o crescimento da produção da Guiné, impulsionado pela parceria com a China.
De acordo com o executivo, a crescente oferta de bauxita proveniente da Guiné, em parceria com a China, impõe novos desafios à competitividade brasileira. “Atualmente, a Guiné, em parceria com a China, já colocou mais de 80 milhões de toneladas de bauxita no mercado, com projetos implantados em ritmo muito mais acelerado do que os observados no Brasil. É um cenário difícil de enfrentar. A MRN, maior produtora de bauxita do país, alcança 12,5 milhões de toneladas. Diante desse quadro, precisamos avançar em outras frentes, valorizando a qualidade do nosso minério, diversificando mercados e buscando novas alternativas”, ressalta Junqueira. Como parte dessa estratégia de expansão e diversificação, o diretor mencionou o projeto Minas Novas, iniciativa voltada à continuidade das operações de extração de bauxita no oeste do Pará.

Logística exige novas soluções
A expansão da mineração brasileira exige investimentos contínuos em tecnologia e maior integração entre os diferentes modais de transporte, a fim de ampliar a eficiência logística e conferir maior competitividade às cadeias minerais.
Nesse sentido, a Head de Logística e Integridade Estrutural da Vale Metais Básicos, Aline Veloso, compartilhou iniciativas voltadas ao aprimoramento do transporte de cobre e à otimização da infraestrutura disponível. Entre as estratégias, a implantação de novos hubs ferroviários e o desenvolvimento de soluções destinadas a elevar a eficiência logística, com a redução dos impactos ambientais associados às operações.
Na Mineração Usiminas, o desafio está relacionado à renovação do portfólio e à ampliação do acesso a novos mercados. O CEO da companhia, Leandro Chiardelli, ressaltou a importância de uma estrutura logística que conecte as minas aos portos, especialmente diante das oscilações do mercado internacional de fretes. “Em períodos de maior pressão sobre o transporte marítimo, a escassez de navios pode provocar elevações expressivas nos custos de frete, afetando a competitividade dos produtos minerais”, argumenta Chiardelli.
Nesse cenário, a existência de uma estrutura logística integrada entre as áreas de produção e os portos torna-se fundamental para conferir maior resiliência às operações e, consequentemente, sustentar a expansão da companhia em diferentes mercados.
Já o Diretor de Operações da MRS Logística, Daniel Dias, disse que a empresa tem buscado ampliar a integração com os clientes, otimizando a conexão entre mina, ferrovia, porto e transporte marítimo. Isso porque, cerca de três quartos da carga transportada pela companhia, são compostos por minério. “Chegamos a um ponto em que a expansão das linhas ferroviárias se torna progressivamente mais onerosa, demorada e complexa. Sob a perspectiva ambiental, a ampliação da malha também suscita questionamentos quanto à sua viabilidade, especialmente quando considerada sob uma ótica de curto prazo”, explica.
Entre as iniciativas apresentadas pelo diretor, está a revisão do modelo operacional, com vistas a ampliar a capacidade de transporte das composições. Nesse ponto, a empresa avalia a adoção de trens de maior extensão, em uma configuração que poderá elevar significativamente a capacidade atual, hoje, de aproximadamente 1,5 quilômetro de comprimento e 136 vagões, chegando a uma composição com o dobro desse potencial de carga.
Na avaliação do painelista, as condições naturais também foram apontadas como um dos fatores determinantes para o planejamento logístico. Na região amazônica, por exemplo, as oscilações no nível dos rios interferem diretamente no transporte de minério e impõem desafios à navegação. Portanto, a combinação entre planejamento, tecnologia e monitoramento é essencial para assegurar a continuidade das operações diante das variações nas condições de navegabilidade.
Potássio e segurança para o agronegócio
Para o presidente da Potássio do Brasil, Sérgio Costa Leite, a discussão sobre logística e competitividade está diretamente ligada a outro desafio estratégico do Brasil, a elevada dependência brasileira da importação de fertilizantes.
Durante o painel, o executivo detalhou o projeto Autazes, no Amazonas, desenvolvido pela empresa para a produção de cloreto de potássio. O empreendimento contempla a implantação de uma unidade destinada à produção de fertilizantes a partir das reservas de potássio existentes na região. Segundo ele, a dependência externa nesse segmento representa um fator de preocupação, já que o país figura entre as potências mundiais na produção de alimentos, mas ainda importa a maior parte dos fertilizantes utilizados pelo agronegócio.
“Embora o Brasil seja uma potência na produção de alimentos e ocupe posição de liderança em segmentos como leite, café, suco e carne, há uma expressiva assimetria quando se considera o fornecimento de fertilizantes. O país importa entre 80% e 90% do volume necessário para atender à demanda interna e, no caso específico do potássio, essa dependência chega a 97%”, alerta.
O executivo também chamou a atenção para a concentração das fontes de abastecimento externo. Segundo ele, aproximadamente metade do potássio utilizado no Brasil é proveniente da Rússia, da Bielorrússia e de Israel, países inseridos em diferentes cenários de tensão e instabilidade geopolítica.” Essa concentração amplia a exposição do país a eventuais restrições de oferta e reforça a importância de diversificar as fontes de fornecimento e fortalecer a produção nacional do insumo’, salienta Sérgio Leite.
Após cerca de duas décadas de desenvolvimento, o projeto Autazes prevê a produção anual de 2,4 milhões de toneladas métricas de cloreto de potássio. Esse volume, segundo Leite, poderá reduzir em aproximadamente 20% a dependência brasileira das importações do produto. Para a empresa, o projeto é considerado estratégico para diversificar as fontes de abastecimento e fortalecer a segurança no fornecimento de um insumo essencial ao agronegócio brasileiro.
Sérgio Leite também ressaltou a relevância da criação do Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), destacando seu potencial para estimular investimentos, fortalecer a produção nacional e elevar a competitividade do setor. Para ele, a iniciativa representa um avanço importante para a construção de uma cadeia de fertilizantes mais robusta e menos dependente do mercado externo.
Competitividade depende de planejamento
Ao final, os painelistas manifestaram uma perspectiva favorável para os próximos dez anos, sem deixar de reconhecer que o fortalecimento da mineração brasileira dependerá da combinação entre investimentos, planejamento de longo prazo e maior articulação entre os diferentes agentes da cadeia mineral.
A ampliação do uso de hidrovias, a incorporação de novas tecnologias e o desenvolvimento de soluções logísticas capazes de integrar minas, ferrovias e portos foram apontados como caminhos para reduzir custos, elevar a eficiência e ampliar o acesso da produção brasileira aos mercados.
As discussões também evidenciaram a urgência em fortalecer a competitividade do setor diante das transformações do cenário internacional e de ampliar sua interlocução com a sociedade. Nesse processo, ganha relevância a compreensão sobre o papel estratégico da mineração para a economia brasileira e para cadeias essenciais ao desenvolvimento nacional, como a produção de alimentos.
Patrocínios e apoios da EXPOSIBRAM 2026
A EXPOSIBRAM 2026 conta com o patrocínio de importantes empresas e instituições dos setores mineral, industrial e de tecnologia. Na categoria Master, o evento tem como patrocinadora a BHP e a Vale. Na categoria Diamante, participam Aeolus e Ero Copper. Entre os patrocinadores Platina estão Anglo American Brasil, BVP, CMOC Brasil Mineração, Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (CODEMGE), Compañía Electro Metalúrgica S.A., Huawei do Brasil, Loctite, Lundin Mining, Norsk Hydro e Taboca. Na categoria Ouro, figuram AngloGold Ashanti, Kinross Brasil e Nexa Resources. Entre os patrocinadores Prata, estão ArcelorMittal Brasil, Geosol e Mineração Usiminas. Na categoria Bronze, apoiam o evento Accenture, Alcoa, Appian Capital Brazil (Atlantic Nickel), Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), Del Rey Minerals, Dinâmica, DXC Technology, Hatch, Hexagon Mining, Mosaic Fertilizantes, Pirobras, Samarco e St George Brasil.
A EXPOSIBRAM 2026 também conta com amplo apoio institucional de entidades como Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS), ABIAPE, Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (ABIFER), ABIMAQ, ABIMEX, ABM (Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração), Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACE Energia), Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (ABRATE), Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral (ABREMI), Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Agência para o Desenvolvimento da Indústria Mineral Brasileira (ADIMB), Amcham Brasil, Agência Nacional de Mineração (ANM), APEMI, CAEMG, Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Federação Brasileira de Geólogos (FEBRAGEO), Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG), Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), International Geosynthetic Society (IGS), Movimento pela Inovação na Mineração e Desenvolvimento (MINDE), Mining Hub Brasil (Mining Hub), OAB SP (Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo), Organismo Latino-Americano de Mineração (OLAMI), RMMG, Sociedade Brasileira de Geofísica (SBGf), Serviço Geológico do Brasil (SGB), SGB Núcleo Bahia-Sergipe, Sindicato das Indústrias Minerárias do Estado do Pará (SIMINERAL), Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Estado de Minas Gerais (SINAEES-MG), Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (SINDIEXTRA), Sindicato da Indústria de Rochas Ornamentais, Cal e Calcários do Estado do Espírito Santo (SINDIROCHAS) e Women in Mining Brasil (WIM Brasil).
No apoio editorial, participam veículos especializados como 2A+ Mineração, BNews, Brasil Mineral, Cidades e Minerais, CKS Online, Climatempo, Conexão Mineral, EAE Máquinas, In The Mine, Minera Minas, Mineração & Sustentabilidade, Minérios & Minerales, Notícias de Mineração Brasil, Podcast da Mineração, Por Dentro de Minas, Radar Mineração, Revista Amazônia, Revista Areia & Brita, Revista M&T, Revista Novo Solo e The Mining.
Serviço:
EXPOSIBRAM 2026
Data: 24 a 27 de agosto de 2026
Local: EXPOMINAS – Belo Horizonte – MG
Mais informações em https://exposibram2026.ibram.org.br/