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Liderança e inovação ganham destaque na EXPOSIBRAM 2026

27/08/2026


Talk show realizado nesta quarta-feira (26) reuniu lideranças do setor mineral e do ecossistema de inovação para discutir como tecnologia, conhecimento e pessoas podem impulsionar a transformação da mineração

A liderança como elemento decisivo para transformar avanços tecnológicos em resultados concretos para as pessoas, as operações e o meio ambiente foi o eixo central do talk show “O papel da liderança em inovação”, realizado nesta quarta-feira (26/08), durante a Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRAM 2026). O encontro reuniu representantes da indústria, do governo e do ecossistema de inovação para discutir como a atuação das lideranças pode impulsionar uma cultura de inovação, integrar diferentes agendas e preparar o setor mineral para os desafios tecnológicos, ambientais e sociais do futuro.

Em meio às profundas transformações tecnológicas, ambientais e sociais que atravessam a mineração, o conceito de inovação ganha novas dimensões. Mais do que incorporar inteligência artificial, automação e soluções sustentáveis para elevar a eficiência e a segurança das operações, inovar exige capacidade de liderança. Envolve mobilizar talentos em torno de uma visão institucional consistente, fortalecer uma cultura organizacional transparente e estimular iniciativas de impacto social nos territórios de atuação das empresas, ou seja, nas comunidades locais.

O painel foi moderado pelo vice-presidente executivo técnico da Vale, Rafael Jabur Bittar, e teve a participação do secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Daniel Gomes de Almeida Filho; do diretor de Inovação da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), Elias Ramos de Souza; a diretora de Operações de Onça Puma, da Vale Metais Básicos, Kilma Cunha; do gerente de Ecossistemas de Inovação da BHP, Patrício Pastorelli;  e do CEO da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), Ricardo Fonseca de Mendonça Lima.

liderança e inovação
Talk show “O papel da liderança em inovação” – crédito: divulgação

Inovar também é construir as bases do futuro

Ao abrir as discussões, o secretário Daniel Gomes abordou o papel da inovação no processo de neoindustrialização no território brasileiro. Segundo ele, “as políticas públicas vêm sendo articuladas em torno de estratégias estruturadas para impulsionar as novas bases do desenvolvimento da indústria nacional, com investimentos direcionados à ciência, à tecnologia e à inovação, face a essa nova realidade de neoindustrialização em curso no país”, enfatiza

Daniel assinalou ferramentas como o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), a Lei do Bem e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que vêm sendo utilizadas como mecanismo para alavancar o investimento em pesquisa e desenvolvimento. Nesse cenário, a Lei do Bem figura entre os principais instrumentos de estímulo aos investimentos privados nessas frentes estratégicas.

Ainda segundo Daniel, a Lei do Bem viabilizou R$ 51,6 bilhões em investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento (P&D) no país, diante de R$ 12 bilhões em renúncia fiscal concedida às empresas. O mecanismo permite que as companhias realizem investimentos em P&D de forma autônoma, e os submetam à avaliação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), órgão responsável por analisar o mérito dos projetos e verificar sua efetiva caracterização como atividades de pesquisa nessas áreas. Após essa análise, cabe à Receita Federal a concessão do benefício fiscal. Na avaliação do secretário, trata-se de um instrumento de alta segurança e efetividade. Ele citou, também, uma análise realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) sobre 14 benefícios fiscais concedidos pelo governo brasileiro, momento em que a referida lei obteve a melhor avaliação.

Conhecimento é o caminho para agregar valor aos recursos brasileiros

Outro aspecto que ganhou relevância no painel, refere-se à articulação entre empresas, universidades e instituições de ciência e tecnologia, apontada como elemento estratégico para ampliar a capacidade de o país transformar conhecimento em desenvolvimento. Para o diretor de Inovação da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), Elias Ramos, essa convergência é fundamental para que o Brasil possa aproveitar plenamente o potencial de seus minerais críticos e estratégicos. E que esses recursos sejam vistos para além de seu caráter de commodities, com avanços nas diferentes etapas das cadeias produtivas, de modo a ampliar a agregação de valor e fortalecer a competitividade nacional.

“Os minerais críticos não devem ser tratados exclusivamente como commodities. É fundamental que o Brasil avance em suas diferentes etapas de desenvolvimento, para além das fases iniciais da cadeia, abrangendo desde a prospecção geológica. O país já dispõe de políticas públicas voltadas a esse segmento e conta com um conjunto expressivo de ativos mapeados’, frisa Elias Ramos.

Na avaliação do diretor, o Brasil reúne recursos capazes de sustentar uma posição de liderança no cenário internacional. Dessa forma, para converter esse potencial em desenvolvimento efetivo, entretanto, será necessário ampliar os investimentos em inovação, agregando valor aos recursos minerais e fortalecendo as cadeias produtivas nacionais.

No campo da cooperação, o painelista ressaltou a relevância da articulação entre universidades e empresas, sobretudo em projetos que envolvem maior grau de risco tecnológico. Para ele, o compartilhamento desses riscos constitui uma das funções centrais da FINEP, ao criar condições para que iniciativas que dificilmente avançariam apenas com recursos privados possam ser estruturadas e desenvolvidas. “O desenvolvimento tecnológico e a inovação envolvem riscos, e seu compartilhamento é fundamental para viabilizar projetos dessa natureza”, afirma Elias.

Inovação ganha força quando diferentes agendas avançam juntas

A relação entre inovação, segurança, produtividade e descarbonização esteve entre os principais eixos do debate. Os avanços nessas frentes dependem de uma abordagem integrada, em que as diferentes agendas sejam conduzidas de maneira articulada. “Conciliar inovação, segurança, gestão de riscos e desempenho operacional requer das lideranças uma atuação estratégica, capaz de estabelecer prioridades e integrar diferentes agendas da operação”, avalia a diretora de Operações de Onça Puma, da Vale Metais Básicos, Kilma Cunha.

Entre os exemplos apresentados pela diretora, o novo forno de Onça Puma – empreendimento avaliado em US$ 555 milhões, entregue com redução de 13% em relação ao orçamento inicialmente previsto. A estrutura incorpora tecnologias destinadas ao reaproveitamento de gases quentes, com impacto direto na redução do consumo de carvão e na descarbonização da operação, além de sistemas automatizados aplicados a determinadas atividades.

Tecnologia só transforma quando as pessoas estão preparadas

A incorporação de novas tecnologias às operações também impõe um desafio estratégico: assegurar que os profissionais estejam preparados para compreender, operar e extrair o máximo potencial das soluções adotadas. Nesse sentido, a qualificação e o desenvolvimento de talentos assumem papel decisivo na consolidação de uma cultura orientada à inovação. “Investir na capacitação é condição indispensável para promover o engajamento das equipes e alinhar as pessoas ao propósito que sustenta os processos de transformação.

“A capacitação profissional constitui um dos pilares para a consolidação da cultura de inovação, ao favorecer a assimilação das novas tecnologias, fortalecer o engajamento das equipes e conferir maior consistência ao propósito que orienta os processos de transformação”, enfatiza Kilma.

As melhores soluções também podem estar além dos muros da empresa

A inovação aberta, entendida como estratégia para ampliar a capacidade de desenvolvimento tecnológico das empresas do setor mineral, também esteve entre os temas abordados no Talk Show. Representando a BHP, Patrício Pastorelli, ressaltou que a empresa busca ampliar as fronteiras da inovação para além de suas estruturas internas, reconhecendo que soluções relevantes podem emergir de diferentes ambientes e perspectivas. “Boas ideias podem vir de qualquer origem, e é por isso que temos programas que nos conectam com ecossistemas externos e internos”, relata.

Segundo Pastorelli, iniciativas de inovação aberta, como os Open Houses promovidos pela empresa, aproximam a BHP de startups, universidades, organizações governamentais, aceleradoras e profissionais, criando oportunidades para identificar e desenvolver soluções voltadas aos desafios das operações.

A tecnologia encurta caminhos e amplia possibilidades

A inteligência artificial também esteve entre os temas centrais do debate, evidenciada como uma tecnologia capaz de imprimir maior agilidade aos processos de pesquisa e desenvolvimento, além de ampliar as possibilidades de experimentação. Nesse campo, o CEO da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), Ricardo Fonseca, apresentou o projeto de “gêmeos digitais”, desenvolvido em parceria com uma universidade do País Basco. A tecnologia permite reproduzir virtualmente processos siderúrgicos e simular diferentes cenários antes da realização de testes físicos, reduzindo de forma expressiva o tempo necessário para avaliar alternativas e validar resultados. De acordo com o executivo, procedimentos que, anteriormente, poderiam demandar até um ano, passaram a ser realizados em poucos dias e com elevado grau de assertividade.

A tecnologia também permite que clientes simulem diferentes parâmetros de produção e antecipem potenciais ganhos de eficiência, redução de custos e diminuição das emissões antes de avançarem para os testes industriais. Com isso, a tomada de decisão torna-se mais ágil e fundamentada em dados, reduzindo incertezas e conferindo maior precisão à avaliação de novos processos e aplicações.

A dimensão humana da inovação também deve ser considerada. O avanço tecnológico deve estar a serviço das pessoas, as quais devem ocupar o centro dos processos de transformação. Cabe, à inteligência artificial, o papel de ampliar capacidades e potencializar os resultados da inovação, avalia Fonseca.

O Talk Show reforçou a inovação como vetor estratégico para uma mineração mais eficiente, segura e sustentável. Ao integrar empresas, universidades, centros de pesquisa e sociedade, o setor amplia sua capacidade de gerar conhecimento, agregar valor aos recursos minerais brasileiros e contribuir para uma nova etapa da neoindustrialização do país, baseada em conhecimento e valores sustentáveis.

Patrocínios e apoios da EXPOSIBRAM 2026

A EXPOSIBRAM 2026 conta com o patrocínio de importantes empresas e instituições dos setores mineral, industrial e de tecnologia. Na categoria Master, o evento tem como patrocinadora a BHP e a Vale. Na categoria Diamante, participam Aeolus e Ero Copper. Entre os patrocinadores Platina estão Anglo American Brasil, BVP, CMOC Brasil Mineração, Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (CODEMGE), Compañía Electro Metalúrgica S.A., Huawei do Brasil, Loctite, Lundin Mining, Norsk Hydro e Taboca. Na categoria Ouro, figuram AngloGold Ashanti, Kinross Brasil e Nexa Resources. Entre os patrocinadores Prata, estão ArcelorMittal Brasil, Geosol e Mineração Usiminas. Na categoria Bronze, apoiam o evento Accenture, Alcoa, Appian Capital Brazil (Atlantic Nickel), Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), Del Rey Minerals, Dinâmica, DXC Technology, Hatch, Hexagon Mining, Mosaic Fertilizantes, Pirobras, Samarco e St George Brasil.

A EXPOSIBRAM 2026 também conta com amplo apoio institucional de entidades como Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS), ABIAPE, Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (ABIFER), ABIMAQ, ABIMEX, ABM (Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração), Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACE Energia), Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (ABRATE), Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral (ABREMI), Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Agência para o Desenvolvimento da Indústria Mineral Brasileira (ADIMB), Amcham Brasil, Agência Nacional de Mineração (ANM), APEMI, CAEMG, Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Federação Brasileira de Geólogos (FEBRAGEO), Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG), Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), International Geosynthetic Society (IGS), Movimento pela Inovação na Mineração e Desenvolvimento (MINDE), Mining Hub Brasil (Mining Hub), OAB SP (Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo), Organismo Latino-Americano de Mineração (OLAMI), RMMG, Sociedade Brasileira de Geofísica (SBGf), Serviço Geológico do Brasil (SGB), SGB Núcleo Bahia-Sergipe, Sindicato das Indústrias Minerárias do Estado do Pará (SIMINERAL), Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Estado de Minas Gerais (SINAEES-MG), Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (SINDIEXTRA), Sindicato da Indústria de Rochas Ornamentais, Cal e Calcários do Estado do Espírito Santo (SINDIROCHAS) e Women in Mining Brasil (WIM Brasil).

No apoio editorial, participam veículos especializados como 2A+ Mineração, BNews, Brasil Mineral, Cidades e Minerais, CKS Online, Climatempo, Conexão Mineral, EAE Máquinas, In The Mine, Minera Minas, Mineração & Sustentabilidade, Minérios & Minerales, Notícias de Mineração Brasil, Podcast da Mineração, Por Dentro de Minas, Radar Mineração, Revista Amazônia, Revista Areia & Brita, Revista M&T, Revista Novo Solo e The Mining.

Serviço:

EXPOSIBRAM 2026
Data: 24 a 27 de agosto de 2026
Local: EXPOMINAS – Belo Horizonte – MG
Mais informações em https://exposibram2026.ibram.org.br/


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