Líder mundial em nióbio, a CBMM busca reação pós-crise
20/10/2009
SÃO PAULO – O Brasil é o maior produtor mundial de nióbio, produto utilizado na proporção de 400 a 500 gramas por tonelada de aço, para torná-lo mais resistente para determinados usos, como na indústria naval, aeroespacial ou mesmo a automobilística. A posição de líder , por outro lado, não é a mesma registrada em outros segmentos. A fatia de 96% do total da produção mundial está nas mãos do Brasil, segundo dados do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). E a dona da parcela de 90% da produção nacional é a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), empresa controlada pela família Moreira Salles (fundadora do banco Unibanco).
Com atual capacidade instalada de 90 mil toneladas anuais de nióbio – no ano passado a produção foi dobrada após a conclusão de ciclo de investimento que começou em 2004 -, a CBMM, que produz em Araxá, Minas Gerais, é detentora de 100% do mercado nacional, além de possuir 75% do market share mundial. “Nossa clientela é diversificada no mundo inteiro. Temos clientes como a Nippon Steel e a ArcelorMittal”, afirmou ao DCI o gerente-geral da CBMM, Tadeu Carneiro. Os outros 25% do mercado mundial de nióbio são abastecidos, principalmente, pela IAMGold (4,4 mil toneladas em 2008) e pela Anglo American (4,7 mil toneladas anuais), 100% extraído de Catalão, em Goiás).
Os mesmos números obtidos em 2008, quando a produção da companhia ficou em quase 80 mil toneladas, o diretor geral da CBMM aguarda apenas para 2011. “A reação dos diferentes tipos de aço foi diferente [com a crise], a nossa queda foi maior do que a produção de aço”, afirmou Carneiro. Em 2009, a utilização da capacidade da empresa está em 50%. “Afetou bastante em volume. Caiu bastante, pois ele é usado em segmentos específicos”, completou o executivo.
Aço mais forte
Misturado ao aço para aplicações como chapas de aço para navios, carros e gasodutos, pelas propriedades que proporciona ao aço, o nióbio caminha junto ao desempenho desses setores, além de depender, quase que exclusivamente do mercado internacional, já que a produção de aço no Brasil ainda é baixa. “O nióbio aumenta a resistência do aço, sem fazer com ele fique frágil. Em geral, quando se faz isso com outros mecanismos, o aço fica mais fácil de quebrar”, afirmou o executivo da CBMM. Atualmente, cerca de 90% da produção mundial de aço recebe adição de nióbio. A produção mundial de aço em 2008, segundo a Associação Mundial de Aço, ficou em 1,33 bilhão de toneladas, com queda de 1,2% na comparação com o ano anterior.
Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), 80% da produção de nióbio é destinada ao preparo de ligas ferro-nióbio, que são dotadas de elevados índices de elasticidade e, também, alta resistência a choques.
Sobre o posicionamento de mercado da CBMM, Carneiro afirma: “Chegar nessa posição de liderança tem todo um contexto. Nós da CBMM criamos o mercado de nióbio, quando a empresa começou no início da década de 60. Investimos na tecnologia para o nióbio e ela foi muito ligada ao desenvolvimento tecnológico do aço”, afirmou o executivo.
De acordo com o diretor geral da CBMM, o preço do nióbio, por não ser uma commodity, é variável, dependente de diversos fatores do mercado. “Cada cliente é um cliente. Não existe um preço do nióbio. Depende da aplicação e de decisões contratuais”, afirmou Carneiro.
Aporte
Em julho deste ano, por conta da queda de demanda, a CBMM resolveu adiar investimento de US$ 250 milhões em Araxá para aumentar a sua capacidade de produção em 30%.
Líder mundial na produção de nióbio, a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) – controlada pela família Moreira Salles – espera por recuperação do mercado pós-crise, fato que só deve acontecer em 2011. “A reação dos diversos tipos de aço foi diferente [com a crise], a nossa queda foi maior do que a produção de aço”, afirmou, ao DCI, o gerente-geral da companhia, Tadeu Carneiro.
Com atual capacidade instalada de 90 mil toneladas anuais de nióbio, a CBMM é detentora de 100% do mercado nacional, além de possuir 75% do market share mundial do minério, produto utilizado na proporção de 400 a 500 gramas por tonelada de aço, para torná-lo mais resistente para determinados usos, como na indústria naval, aeroespacial e automobilística.
Segundo Carneiro, o preço do nióbio, por não ser uma commodity, é variável, dependente de diversos fatores do mercado. “Cada cliente é um cliente. Não existe um preço do nióbio. Depende da aplicação e de decisões contratuais”, afirmou Carneiro.
Em julho deste ano, por conta da queda de demanda, a CBMM resolveu adiar investimento de US$ 250 milhões em Araxá para aumentar a sua capacidade de produção em 30%.
DCI