Lição que vem do Chile
14/10/2010
O acidente no Chile que deixou 33 mineiros presos por dois meses e meio é lição para as empresas do setor em todo o mundo. China, países do Leste europeu e até a Bolívia são, na opinião de especialistas, os mercados que mais precisam avançar em segurança de operações e do trabalho. Mas o Brasil, mesmo com uma proporção pequena de exploração subterrânea, não pode abrir mão de investimentos.
Segundo o Departamento Nacional de Produção Mineral, o país tem hoje 2.650 minas ativas, com 184 mil trabalhadores.
Do total, 47 são subterrâneas. Há minas tão ou mais profundas que a chilena San José. ?O risco é inerente à mineração.
Todo projeto tem de buscar minimizá-lo?, Walter Arcoverde, diretor de fiscalização do DNPM. Nas minas subterrâneas, a regra básica é ter dois acessos, câmaras de refúgio e um plano de resgate. O DNPM e o Ministério de Minas e Energia estão montando um programa de capacitação para gestão da saúde de trabalhadores em 30 minas. Além de apresentar normas de segurança às empresas, vão entrevistar operários e moradores do entorno. Até dezembro, haverá diagnóstico sobre as práticas de segurança, o que deve ajudar a nortear a fiscalização. O Ibram também está finalizando uma espécie protocolo de boas práticas do setor, em parceria com 19 empresas. O consultor Decio Casadei dá notas 7 ou 8 ao país em segurança nas minas. São as mesmas que deu ao Chile. ?O Brasil está bem, mas pode melhorar. É fundamental que as empresas valorizem a segurança acima de tudo, ainda que sejam obrigadas a desistir da mina, se o projeto mais seguro se tornar financeiramente inviável?, recomenda.
O Globo