Levantamentos aerogeofísicos vão mapear subsolo de 109 municípios baianos
06/08/2010
A Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), da Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração (SICM), iniciou no dia 21 de julho a execução de dois novos levantamentos aerogeofísicos na Bahia (áreas Ipirá?Ilhéus e Porto Seguro?Caravelas), que têm como objetivo descobrir novas jazidas minerais em 109 municípios.
O trabalho está sendo executado mediante o Convênio de Cooperação Técnica 013/CPRM/10, no valor de R$ 4,5 milhões (40% de participação da SICM/CBPM e 60% do governo federal, por meio do Serviço Geológico do Brasil/ CPRM).
Os levantamentos aerogeofísicos dessas novas áreas preveem o recobrimento de mais 8,7% do estado, totalizando 48.877 quilômetros quadrados. ?É como se fosse uma espécie de radiografia, que indica que naquele subsolo pesquisado há potencial para determinado tipo de minério?, afirmou o diretor técnico da CBPM, Rafael Avena Neto.
O trabalho será finalizado no primeiro trimestre de 2011, conforme contrato que estabelece o prazo de 210 dias, a partir de 21 de julho deste ano, para conclusão de todos os serviços programados, incluindo o processamento de dados e relatório final.
?Pelas descobertas dos últimos aerolevantamentos, as nossas expectativas são as melhores possíveis. Esse trabalho e as novas pesquisas empreendidas pela CBPM fizeram com que a Bahia superasse Minas Gerais em termos de requerimento de área. Além disso, com a entrada em produção das novas minas viabilizadas no estado (Níquel de Itagibá, Ferro de Caetité, Ouro de Santa Luz, Bentonita de Vitória da Conquista e Vanádio de Maracás), já a partir de 2012, a Bahia passará do quinto para o terceiro lugar no ranking de estado produtor de bens minerais do país?, explicou Avena.
Conforme dados de 2008, esse ranking está configurado da seguinte forma: Minas Gerais ocupa a primeira posição (53,90%), em segundo lugar está o Pará (24,69%), em terceira posição o estado de Goiás (5,85%), em quarto lugar o estado de São Paulo (2,77%). A Bahia ocupa a quinta posição (2,20%) e Sergipe é o sexto colocado (1,57%). Os demais estados representam 9,02% da produção de bens minerais do país.
A CBPM é a empresa de desenvolvimento mineral da Bahia e nesse sentido é a responsável pela pesquisa e prospecção da riqueza mineral do estado. Após a descoberta das oportunidades minerais, ela realiza licitações para encontrar empresas privadas interessadas em fechar parceria, onde parte das pesquisas é feita pela iniciativa privada e, se for viabilizada a jazida, a empresa repassa para a CBPM parte da produção comercializada em forma de royalties, que variam de 2,5% a 8%.
A Bahia conseguiu atrair diversas novas mineradoras, destacando-se a Mirabela Nikel, que começou este ano a explorar a maior mina de níquel a céu aberto do mundo e a maior descoberta mineral da América Latina nos últimos dez anos, situada no município de Itagibá; a Ferrous, que pesquisa o minério de ferro no município de Coração de Maria; a Bahia Mineração (Bamin), que também se dedica à pesquisa do minério de ferro, no município de Caetité; e a Rio Tinto/Alcan, que realiza pesquisas geológicas para extração e refinamento da bauxita, numa faixa que vai de Jaguaquara a Vitória da Conquista, além das empresas Largo Mineração e Yamana, que reiniciaram as pesquisas de vanádio em Maracás e ouro em Santa Luz, respectivamente.
Conquistas do estado
Com mais esse trabalho, a Bahia torna-se o mais bem coberto em termos de aerolevantamentos geofísicos, tendo sido realizados até agora, pela CBPM, 34 projetos numa área total de 307.328 quilômetros quadrados, com 717.806 quilômetros voados, o que representa 54% do território baiano.
Este total, acrescido de 40.508 quilômetros quadrados dos levantamentos aerogeofísicos realizados pela Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais (CPRM) na Bahia, representa aproximadamente 60%, isso sem contar com os levantamentos feitos nas bacias sedimentares pela Petrobras e Agência Nacional do Petróleo (ANP), o que praticamente quase cobre todo o estado.
As áreas Ipirá?Ilhéus e Porto Seguro?Caravelas ficam nas regiões sul e sudeste da Bahia. Abrangem, parcial ou totalmente, territórios de 109 municípios inseridos nas regiões econômicas Paraguaçu, Sudoeste, Recôncavo Sul, Litoral Sul e Extremo Sul.
A atual cobertura aerogeofísica está sendo realizada com a subcontratação de uma empresa especializada em serviços de geofísica aérea, através do Contrato 015/2010, sob a direção, coordenação, fiscalização e acompanhamento de uma comissão executiva composta por técnicos devidamente qualificados da CBPM/CPRM.
Avena explicou que a realização dos levantamentos em foco justifica-se pelo elevado potencial mineral dessas regiões, comprovado pela existência de mineralizações de níquel, ferro, titânio, vanádio, manganês, ouro e cobre, associadas a sequências vulcanossedimentares e corpos máfico-ultramáficos estratificados, além da presença de depósitos já comprovados, como o níquel de Itagibá, com mais de 120 milhões de toneladas, e o distrito pegmatítico de Castro Alves, ?bem como pela necessidade de melhorar o nível de conhecimento geológico atualmente existente em boa parte das áreas desses levantamentos?.
Impacto na economia das cidades
Em geral, as empresas que fecham parceria com a CBPM ou as que iniciam trabalhos em mineração no estado são de médio a grande porte, que empregam de duas a três mil pessoas na primeira etapa de implantação do empreendimento e mantêm de 500 a mil empregos na fase rotineira de extração e produção.
?O importante é que uma mineradora dessas atrai todo um desenvolvimento para o município e região, pois impacta tanto na melhoria da infraestrutura local quanto na geração de novos negócios para atender as diversas demandas criadas, com ênfase, principalmente, para os ramos de transporte, alimentos, hotelaria e escolas, entre outros empreendimentos?, observou o presidente da CBPM, Alexandre Brust.
Ele disse estar convicto da importância dos resultados da participação do setor mineral na dinamização e interiorização da economia baiana. ?Trata-se, decididamente, de levar progresso para as regiões onde outros segmentos da indústria, por certo, teriam grande dificuldade para implantação?.
Bahia em Foco