KPMG: IFRS precisará de norma específica para balanço de mineradoras
30/03/2010
O processo de convergência global aos padrões contábeis internacionais (IFRS) deverá facilitar a comparação entre as empresas do mesmo setor em diferentes países, mas as mineradoras ainda precisarão de uma norma específica para harmonizar pontos importantes dos balanços.
;
A avaliação é do sócio do grupo de mineração da KPMG, Ulysses Magalhães. A empresa de auditoria realizou estudo com 29 companhias de 10 países que já adotaram o IFRS ou possuem procedimentos contábeis equivalentes. Uma das conclusões da análise – cedida à Agência Estado – é a de que, apesar do claro benefício da publicação de resultados sob uma mesma regra, o grau de subjetividade implícito na norma leva as empresas a apresentarem as informações com níveis de transparência distintos, segundo Magalhães.
;
Um dos exemplos mais evidentes é a forma como são contabilizadas as reservas minerais. ?Percebemos que a variedade nos balanços é grande, sendo que algumas empresas sequer fazem essa divulgação?, diz o especialista. Para o sócio da KPMG, a avaliação dos investidores sobre as companhias fica prejudicada sem essa informação.
;
A padronização da publicação das reservas das mineradoras deve ser um dos temas que deverão ser tratados pelo International Accounting Standards Board (IASB), órgão responsável por desenvolver as normas contábeis internacionais, que tem um projeto para estabelecer normativo específico para o setor. Magalhães acredita, no entanto, que essa padronização só deverá ocorrer no longo prazo, já que a prioridade do IASB é atender às demandas do processo de convergência, que estão em andamento em vários países.
;
No Brasil, as empresas serão obrigadas a adotar o IFRS a partir do ano que vem, nos balanços referentes a 2010. O estudo da KPMG verificou ainda que a linha do balanço referente à recuperabilidade dos ativos, mais conhecido como impairment, também apresenta níveis de julgamento muito diferenciados entre as mineradoras que já publicam seus números com base no IFRS.
;
?Essa é uma informação muito relevante para o investidor e que poderia apresentar um nível de aderência maior?, considera Magalhães. A questão cambial é outro ponto a ser avaliado no processo de apresentação dos resultados das mineradoras em IFRS, de acordo com a KPMG. Como o preço das commodities costuma ser em dólar e os custos das companhias em moedas locais, os impactos na avaliação da moeda em que os números são apresentados podem provocar distorções na comparação entre as empresas.
;
Com o aumento do número de países que adotam o IFRS, as mineradoras que possuem ações listadas em várias bolsas de deverão optar por apresentar seus números em um único padrão, segundo o sócio da KPMG. ?Em um futuro bastante próximo, o US Gaap (padrão contábil norte-americano) deve ser substituído pelo IFRS?, prevê Magalhães, ao lembrar que a maior parte dos países-sede das mineradoras já adota ou está em processo de convergência para as normas internacionais.
Agência Estado