Kinross vai ampliar produção de ouro em MG
30/06/2010
Na esteira da forte valorização que vem experimentando o ouro nos últimos anos – somente este ano, até anteontem, o preço do metal aumentou 12,99% em Nova York, 15,49% em Londres e 16,77% na Bovespa-, as principais mineradoras em operação no Brasil estão anunciando ou trabalhando em projetos de expansão das suas lavras. A canadense Kinross acaba de fechar negociações com o governo de Minas Gerais para viabilizar investimentos de aproximadamente R$ 950 milhões para expandir em 17 toneladas anuais até 2012 a produção da sua mina de Paracatu, noroeste do Estado.
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O protocolo de entendimentos entre as duas partes está para ser assinado nos próximos dias e prevê o diferimento por parte do Estado do pagamento de ICMS em várias etapas do projeto, incluindo importação de insumos não produzidos em Minas e a compra de máquinas e equipamentos. Os investimentos incluem a instalação de mais um moinho de bolas (tipo de equipamento para lavra de ouro) para fragmentação do minério, compra de máquinas e equipamentos, aquisição de terrenos e construção de uma nova barragem de rejeitos e elevação das paredes da barragem já existente.
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Há ainda a possibilidade da construção de um quarto moinho de bolas, o que elevaria o valor dos aportes para cerca de R$ 1,12 bilhão. A Rio Paracatu Mineração (RPM), subsidiária da Kinross, não quis falar sobre o projeto, argumentando que as negociações com o Estado ainda não foram concluídas. A empresa acaba de concluir outra fase de expansão da sua mina cujo objetivo era alcançar uma produção de 15 toneladas anuais de ouro.
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De acordo com as informações obtidas pelo Valor, o projeto da RPM/Kinross prevê que 30% dos insumos necessários serão importados e que o restante será adquirido no Brasil. Além do aumento da produção de ouro, o projeto prevê também a produção de aproximadamente 5,5 toneladas anuais de prata até 2012. O projeto prevê a geração de cerca de 950 empregos diretos e indiretos no três primeiros anos.
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Em maio deste ano a sul-africana AngloGold Ashanti, maior produtora de ouro no Brasil, obteve da matriz a aprovação de investimentos de R$ 348,4 milhões para a expansão das minas de Córrego do Sítio 1 e 2, localizadas no município mineiro de Santa Bárbara. Os aportes serão feitos até 2012 e serão concentrados em desenvolvimento, lavra, infraestrutura, equipamentos, reforma da planta metalúrgica e na contratação de mão-de-obra local. Os investimentos da AngloGold visam a elevar a produção de ouro de Santa Bárbara a 19,3 toneladas anuais (600 mil onças. Uma onça é igual a 31,103 gramas) até 2018. As minas de Córrego 1 e 2 têm vida útil até 2024.
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Outra mineradora canadense presente no Brasil, a Yamana Gold, que disputa com a Kinross o segundo lugar na produção do metal no país, confirmou em fevereiro deste ano investimentos de US$ 256 milhões em dois projetos, em Mato Grosso e na Bahia. No Mato Grosso, nas localidades de Ernesto e Pau a Pique, a empresa investirá US$ 116 milhões até 2012 para produzir ao final 3,1 toneladas (100 mil onças) de ouro por ano.
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Na Bahia, o projeto Santa Luz prevê investimentos de US$ 140 milhões com o objetivo de produzir cerca de quatro toneladas de ouro por ano também a partir de 2012. Os dois projetos deverão elevar a capacidade de produção da Yamana no Brasil de dez para 17 toneladas anuais de ouro. No começo deste ano a também canadense Jaguar Mining negociava com o governo do Maranhão investimentos em uma mina de ouro no município de Centro Novo.
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O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) considera que “o cenário para a produção de ouro no Brasil é bastante promissor para os próximos anos”. Uma simulação feita pelo órgão do Ministério de Minas e Energia com os novos projetos e e com as expansões programadas para até 2017 levou a uma estimativa de que a produção do país atingirá naquele ano 135 toneladas anuais do metal.
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De acordo com as projeções do DNPM, 130 toneladas anuais de ouro serão produzidas industrialmente e apenas cinco toneladas virão e garimpos. Minas Gerais, Pará e Goiás serão responsáveis por 70% da produção brasileira do metal, seguidos de Bahia e Mato Grosso, cada um produzindo entre dez e 15 toneladas por ano. O órgão estima ainda que, com a elevação do preço do ouro, tende a ser viável a exploração de minas com de 16 a 31 toneladas (500 mil a 1 milhão de onças) de reservas, produzindo em ritmo de duas a três toneladas por ano.
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Segundo os dados do DNPM, o recorde oficial de produção de ouro do Brasil foi de 101,9 toneladas, em 1990, sendo que 71,8 (70,5%) toneladas vierem de garimpos. Em 1983 a produção de garimpos respondeu por 88,5% da produção total de 53,684 toneladas de ouro. No ano passado os garimpeiros responderam por apenas 6,2% das 56,5 toneladas produzidas, segundo estimativa do DNPM. Ainda segundo o DNPM, o ouro é o mineral mais pesquisado no Brasil nos últimos cinco anos. No mundo, a produção de 2009 foi estimada em 2.350 toneladas, com destaque para a China (314 toneladas).
Valor Econômico