Kinross assume a liderança na extração de ouro no Brasil
01/03/2010
Na corrida para o aumento da produção de ouro no Brasil, a canadense Kinross assumiu o primeiro lugar, suplantando a Anglo Gold Ashanti, primeira colocada em produção em 2008; e a também canadense Yamana Gold, líder do mercado em 2007. Segundo o vice-presidente da empresa, José Roberto Mendes Freire, no ano passado a Kinross produziu 429 mil onças no país, o equivalente a 12,1 toneladas.
De acordo com seu relatório anual, a sul-africana Anglo Gold retirou de suas minas 406 mil onças, ou 11,5 toneladas. E a também canadense Yamana, em recente exposição a investidores, estimou sua produção no ano passado em 333,1 mil onças, ou 9,4 toneladas. E um novo competidor, a americana Jaguar Mining, começa a crescer. Segundo relatório corporativo divulgado quinta-feira em sua página na Internet, a empresa aumentou a produção de 115 mil para 155 mil onças (4,4 toneladas) entre 2008 e 2009.
Não há estimativas disponíveis sobre a produção nacional , mas a tendência de crescimento é evidente. Entre 2005 e 2008, a produção nacional passou de 38,5 toneladas para 54 toneladas. A extração está concentrada nos estados em que a mineração de ouro ocorre desde os tempos da colônia: Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Bahia.
A razão para o crescimento está na valorização internacional do produto, usado principalmente como reserva de capital , cuja cotação média de janeiro passou de US$ 265,9 para US$ 1.119,5 a onça na bolsa de Londres, na comparação do mesmo mês entre 2001 e 2010. E as mineradoras apostam na manutenção da tendência de alta pelo menos este ano. “A média das projeções aponta para uma onça entre US$ 1 mil e US$ 1,2 mil ao longo do ano. Há malucos que falam em US$ 2 mil a onça. O certo é que a crise de dívida soberana em alguns países da Europa mostrou que ainda há muitas incertezas sobre a economia mundial, o que estimula a procura pelo ouro como ativo”, afirmou Mendes Freire.
A maior parte da extração da Kinross está em Paracatu, no noroeste de Minas, onde a empresa toca um projeto para triplicar a lavra atual, de cerca de 34,5 mil onças mensais. A empresa também extrai ouro de Crixás (GO), em em sociedade com a Anglo Gold.
A mineradora sul-africana concentra sua produção no Brasil em Minas Gerais. Sua maior mina é em Sabará, onde o bandeirante Borba Gato descobriu o ouro no Estado, na última década do século 17. Na Yamana, a extração provém de Vila Bela da Santíssima Trindade (MT), Jacobina (BA) e Barrocas (BA). A Jaguar extrai de Pitangui (MG) e Itabirito (MG). Os investimentos previstos para este ano são altos. A Kinross programa aplicar em Paracatu US$ 235 milhões. Em dois projetos, na Bahia e no Mato Grosso, a Yamana deve investir US$ 256 milhões.
A produção de ouro tende a crescer em termos mundiais, mas há fatores que levam a prever expansão maior fora dos centros tradicionais de produção, como África do Sul, Estados Unidos, Austrália e China. Na apresentação de seu balanço de 2009, há dez dias em Joanesburgo, a AngloGold disse que o maior crescimento regional que obteve foi na Argentina, onde a produção subiu 25% e atingiu 192 mil onças.
No Brasil, onde a empresa declinou ligeiramente a produção, de 448 mil para 415 mil onças, os investimentos tendem a crescer, já que os custos no país são menores. A AngloGold prevê dispêndio de US$ 352 por onça, ante US$ 356 na Argentina, US$ 385 nos EUA, US$ 662 na Austrália, US$ 592 em Gana e US$ 472 na África do Sul e Namíbia.
Valor Econômico