Joy Global deve ampliar produção da P&H em MG
27/05/2011
O mercado de máquinas e equipamentos para o setor extrativo mineral ganhou reforço extra essa semana. Em uma transação de US$ 1,1 bilhão o grupo norte-americano Joy Global, detentor da P&H, empresa fabricante de equipamentos para mineração a céu aberto que no Brasil tem sede na Capital, e da Joy, que produz máquinas utilizadas em minas subterrâneas, concluiu a aquisição da norte-americana LeTourneau Technologies, empresa do Grupo Rowan Companies que fabrica pás-carregadeiras para mineração a céu aberto.
O negócio é considerado altamente estratégico para as operações da P&H em Minas Gerais – Estado considerado um dos principais polos extrativistas do país -, que além de fabricar equipamentos para mineração a céu aberto, presta serviço de reposição de peças. Também está instalado na Capital escritório e oficina de reparação da LeTourneau.
O investimento (US$ 1,1 bilhão), segundo o diretor da P&H para o Brasil e Venezuela, Paulo Torres, foi motivado pelos planos de crescimento do grupo, que inclui, entre outras ações, a aquisição de empresas que oferecem soluções para setores em que o grupo já está atuando, como o de mineração, buscando ampliar o leque de produtos que podem ser oferecidos aos clientes.
Torres explicou que muitas empresas preferem trabalhar com o menor número possível de fornecedores e que ampliando o leque de produtos o grupo Joy Global poderá oferecer uma quantidade maior de soluções. “A LeTourneau trabalha com produtos premium que virão para complementar o nosso portfólio.”
Regionalização – Torres afirmou, ainda, que iniciadas as operações da LeTourneau pelo grupo Joy Global é possível que algumas peças dos produtos dessa empresa passem a ser fabricados na planta da P&H em Belo Horizonte, o que ampliaria o quadro de funcionários em índice ainda não calculado. Hoje, são gerados 200 postos de trabalho.
Hoje, os equipamentos das duas empresas são produzidos em plantas nos Estados Unidos, apenas algumas peças são produzidas na China. Torres informou, ainda, que a operação no país asiático foi iniciada há pouco tempo e que permitiu reduzir o tempo de produção dos equipamentos de 12 a 18 meses para oito a 12 meses. Atualmente, a P&H produz 36 escavadeiras por ano.
A LeTourneau atua em dois segmentos de negócios, um de equipamentos de mineração e outro que atende a indústria de petróleo e gás. Este último ampliará a área de atuação do grupo Joy Global. No ramo de mineração, a LeTourneau é a maior fabricante mundial de pás-carregadeiras para mina a céu aberto, oferecendo cinco modelos com capacidade de carga de até 80 toneladas. Entre os principais clientes da LeTourneau estão a Vale S/A e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
A operação da LeTourneau pelo grupo deve ter início em 60 dias. Apesar de a transação ter sido aprovada pelos conselhos administrativos de ambas as companhias, até o fechamento elas se comportarão como empresas distintas. Isso irá acontecer porque a transação foi feita nos Estados Unidos, onde há uma lei que pede esse prazo para a efetivação da transação. Somente após cumprido os 60 dias o grupo Joy Global irá divulgar os planos para a LeTourneau detalhadamente.
O incremento nos negócios proporcionados pelo novo empreendimento do grupo, no entanto, deve ser sentido somente a partir de 2012. Torres explicou que os produtos da LeTourneau podem até ser comercializados esse ano, mas que só serão entregues a partir do próximo ano devido ao tempo demandado na fabricação. Para 2011, é esperado incremento no faturamento da empresa entre 8% e 10% sobre 2010, motivados pelo crescimento do setor de mineração. Já para 2012, as expectativas são de incremento entre 25% e 40%, sobre a mesma base de comparação, devido às operações da LeTourneau.
Para o diretor da P&H para o Brasil e Venezuela, o principal gargalo enfrentado pela empresa no mercado brasileiro é a concorrência com produtos coreanos e da China e com fornecedores “alternativos” de peças. Outro gargalo seria a demora para a tomada da decisão de compra dos equipamentos de grande porte. “Com isso, quando a empresa decide comprar o lote de equipamentos que foi oferecido já não está mais disponível, esgotou e é necessário tempo para produzir novos.”
Diário do Comércio