Itabira, renascimento puxado pela China
08/02/2010
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O dia 13 de janeiro de 2010 faz Talisson do Carmo Teixeira, de 26 anos, recordar a parábola do filho pródigo. Era meio-dia quando o telefone tocou: do outro lado da linha, um ex-colega de trabalho avisava que as máquinas da Mina Conceição, em Itabira (MG), precisariam novamente de auxiliares de mecânico. Era um sinal de que a prosperidade estava retornando à cidade-berço da Vale depois da crise econômica.E ele, há quase seis meses desempregado, voltava ao lar, como o personagem dos Evangelhos.? Na hora, pensei: ?o bom filho à casa torna?. O convite foi melhor do que eu esperava: vou ser líder de equipe, ganhando um pouco mais ? conta Teixeira.A cidade cujas calçadas são 90% ferro, segundo os versos de Carlos Drummond de Andrade, expressa a retomada da mineração. Lá a Vale nasceu há 68 anos, como Vale do Rio Doce, e ainda extrai quase 20% do seu minério. As siderúrgicas do entorno religam os fornos. Nas minas, recomeçam as escavações. E as agências de emprego estão cheias de gente à espera de oportunidades.Pelas projeções de mercado, apesar das incertezas nas economias americana e europeia, o consumo mundial de aço deve aumentar 9,2% este ano, voltando aos patamares anteriores à crise. A expansão é puxada pela China, cuja economia cresceu 8% em 2009.Para analistas do setor, a Vale venderá entre 311 milhões e 320 milhões de toneladas (perto de sua capacidade nominal).Em 2009 o quadro foi outro: o balanço da empresa, a ser divulgado nos próximos dias, deve confirmar 260 milhões de toneladas.Na terra de Drummond, as recontratações começaram em dezembro. Nas contas do Sindicato dos Trabalhadores da Extração (Metabase), três mil dos 6,5 mil empregados na mineração foram dispensados na crise. Metade já foi chamada de volta, e a expectativa é que todos sejam reincorporados até agosto. A maioria dos demitidos prestava serviços para empreiteiras contratadas pela Vale, como Bruno Vitor de Oliveira, de 20 anos.Ele trabalhou como mecânico de máquinas até janeiro de 2009, quando a empresa demitiu 500 pessoas. Oliveira agora está otimista. Só na quarta-feira, foi duas vezes a uma agência de empregos.? De manhã, vim fazer uma entrevista e, agora à tarde, apareceu outra vaga ? conta. ? Dá para notar que as coisas estão melhorando: o comércio está mais agitado, e antes não se via tanta gente uniformizada na rua.No período mais crítico, algumas empreiteiras chegaram a fechar as portas e se retirar de Itabira, o que gerou um efeito dominó. Nem a prefeitura escapou. Seu orçamento, dependente de royalties e impostos, como ISS e ICMS, encolheu 16% em 2009.? Essa crise foi um tombo e tanto. Em 30 anos, nunca tivemos queda na arrecadação ? diz o secretário da Fazenda, Marcos Alvarenga Duarte.? A cada emprego direto perdido nas minas, 1,4 fechou no comércio, nos serviços e outros segmentos que dependem da nossa atividade. Foi um ?marolão? ? resume o presidente do Metabase, Paulo Soares de Souza.Diante da necessidade de ampliar a produção para suprir o consumo mundial de aço, puxado pelo dragão chinês, as cidades de Minas devem viver um ciclo de investimentos.Só a Vale prevê investir R$ 12,9 bilhões este ano, o que inclui construir uma usina de beneficiamento de minério na Mina Conceição, em Itabira. Ela deve ficar pronta em 2012, ao custo de US$ 1,170 bilhão (R$ 2,18 bilhões).Segundo o presidente do Metabase, ela deve empregar 1.500 pessoas na construção e, depois, 800.
O Globo