Investimento direto avança e surpreende BC
26/10/2010
Os meses de setembro e outubro podem ter marcado a retomada do fluxo de investimento estrangeiro direto (IED) para o país. Nesses dois meses, até o dia 25 de outubro, a entrada de recursos soma quase US$ 10 bilhões, sendo US$ 5,391 bilhões em setembro e US$ 4,5 bilhões na parcial do Banco Central para outubro – que deve fechar também na casa dos US$ 5 bilhões. No acumulado do ano, o IED foi a US$ 27 bilhões.
Os dados da autoridade monetária para setembro mostram aplicações expressivas no setor mineral e uma grande operação proveniente da Áustria (US$ 2,567 bilhões). Também o setor químico (fertilizantes) recebeu destaque com US$ 1,18 bilhão. Já em outubro, segundo o BC, há uma boa disseminação dos recursos, com maiores volumes em IED para metalurgia e telecomunicação.
As aplicações dos estrangeiros diretamente no setor produtivo vinham surpreendendo negativamente desde o início do ano. O próprio Banco Central chegou a revisar duas vezes para baixo suas projeções de entrada de IED, primeiro de US$ 45 bilhões para US$ 38 bilhões e, em seguida, para US$ 30 bilhões. Dados os últimos números, no entanto, o BC já pensa em alterar novamente as previsões, agora para cima. “As expectativas que tínhamos não se confirmaram no primeiro semestre, mas agora começam a aparecer números importantes”, disse Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do Banco Central. “O mês de outubro foi excepcional”, completou.
Segundo ele, os estrangeiros haviam postergado os investimentos devido aos efeitos da crise na Europa e nos Estados Unidos. Ironicamente, essa mesma turbulência agora traz de volta o apetite dos aplicadores pelo Brasil “dado o cenário interno benigno e a economia mundial, que não vai tão bem assim”, disse Lopes. Ele pondera que é preciso “olhar com cuidado” e aguardar os próximos meses para assegurar que o movimento é de fato uma tendência, mas se mostrou otimista também para o próximo ano. “O fluxo volta a confirmar aquilo que se esperava. Temos a expectativa de investimentos externos diretos firmes para 2011”. O BC espera IED de US$ 45 bilhões no próximo ano.
O investimento direto se soma ao forte fluxo de empréstimos de médio e longo prazos tomados por empresas e bancos no exterior para uso na atividade produtiva. As captações fora do país acumularam US$ 23,920 bilhões entre janeiro e setembro. Levando em conta as amortizações realizadas no período, de US$ 11,274 bilhões, a taxa de rolagem no ano vai a 214%. “A soma de IED com crédito de médio e longo prazo é suficiente para financiar o déficit em conta corrente. O investimento em portfólio é um recurso que vem a mais”, disse Lopes.
A conta de transações correntes do Balanço de Pagamentos brasileiro foi deficitária em US$ 3,850 bilhões em setembro, dentro do previsto pelo BC. O resultado é fruto de um déficit de US$ 5,172 bilhões na conta de serviços e rendas, puxado por viagens internacionais e aluguel de máquinas e equipamentos. Na balança comercial, houve superávit de US$ 1,092 bilhão. No acumulado do ano, o déficit correspondeu a US$ 35,063 bilhões, ou 2,39% do Produto Interno Bruto (PIB).
Valor Econômico