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Instituto Chico Mendes inspecionará Cavernas da Vale no Pará

Notícias Gerais

05/10/2011


Projeto da mineradora na região esbarra em ao menos 174 cavernas; parte delas guarda vestígios arqueológicos
RIO – O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), autarquia do Ministério do Meio Ambiente, decidiu inspecionar as cavernas da Serra Sul de Carajás (interior do Pará), onde a Vale planeja extrair 3,4 bilhões de toneladas de ferro nos próximos 40 anos.
O megaprojeto da mineradora esbarra na existência de ao menos 174 cavernas espalhadas pela Serra Sul. Parte das cavidades guarda vestígios arqueológicos da ocupação de Carajás por comunidades primitivas ali radicadas a partir dos últimos 10 mil anos, conforme o Estado revelou na edição do último domingo.
Principal interessada na derrubada do veto legal à destruição de cavernas que trazem informações relevantes sobre as civilizações pré-amazônicas, a Vale será chamada pelo ministério a acompanhar os técnicos do ICMBio. A equipe deve viajar para o interior do Pará na última semana deste mês.
Chefe do grupo técnico que terá o acampamento da Vale em Serra Sul como base, o diretor do Centro Nacional de Pesquia e Conservação de Cavernas (Cecav) do ICMBio, Jocy Brandão, disse que o trabalho nas cavernas deverá durar pelo menos dez dias.
De acordo com Brandão, serão visitadas as cavernas principais em áreas da futura mina S11D, de 2.776 hectares. Integrarão a equipe três técnicos do Cecav, representantes da Vale e da Floresta Nacional (Flona) de Carajás (onde fica a Serra Sul) e pesquisadores habituados a percorrer a região. A vistoria fará parte do processo de licenciamento.
Se mais cavernas forem localizadas durante a operação, o processo de implantação do megaprojeto, previsto para entrar em operação em 2015, sofrerá um atraso ainda maior, já que novas pesquisas geológicas, morfológicas, arqueológicas e de fauna e flora, por exemplo, precisarão ser realizadas antes; da decisão final; dos órgãos responsáveis pelo licenciamento.
“A área é muito remota, muito complicada. Se forem encontradas mais cavernas, ficará demonstrado que os estudos não levantaram todas elas. Então, será preciso estudar essas novas cavidades”, disse ele.
Pela legislação brasileira, cavernas que tragam informações relevantes sobre a história da população brasileira não podem ser destruídas. Para extrair o minério, a Vale tem que destruir as cavidades da Serra Sul, onde já foram encontrados fragmentos de cerâmicas e pedras afiadas artesanalmente.

O Estado de São Paulo


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