Infraestrutura precária poderá inibir inversões
26/10/2011
Investimentos previstos somam R$ 68,5 bi até 2015.
A previsão das mineradoras de investir R$ 68,5 bilhões para ampliar a produção no Brasil até 2015, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), só será possível se os gargalos logísticos existentes no país forem superados. O principal deles diz respeito à precária infraestrutura de transporte ferroviário.
Para o presidente da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (Anut), Luiz Henrique Baldez, os aportes previstos pelo governo federal na malha ferroviária nacional – que chegam a R$ 30 bilhões, nos próximos quatro anos – são suficientes para alavancar o setor e garantir as inversões previstas.
Porém, ele reconhece que a lentidão e a burocracia no desenvolvimento dos projetos públicos pode prejudicar o cronograma desses investimentos. “Se eles não forem concluídos, não haverá infraestrutura suficiente para suportar o crescimento das inversões privadas”, alerta Baldez.
Segundo ele, a conclusão de cerca de 15 mil quilômetros de obras em ferrovias está prevista até 2015. Entre elas, estão incluídas a Ferrovia Norte-Sul e parte da Leste-Oeste, na Bahia, levando os trilhos até o porto de Ilhéus.
A expectativa do governo federal é de que, a partir do Plano Nacional de Logística e Transportes, a malha passe dos atuais 28 mil quilômetros para 41 mil quilômetros, que serão destinados ao transporte de cargas até 2020. E, em 2025, a intenção é atingir 50 mil quilômetros.
Mas, segundo Baldez, a situação atual ainda é preocupante. “A realidade é que segundo a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), dos 28 mil quilômetros existentes hoje, apenas 11 mil estão corretamente em uso”, observa.
Por outro lado, a Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer) aposta no crescimento do transporte de cargas e prevê que, somente neste ano, as empresas que atuam no país irão investir entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões na fabricação de vagões de carga. Devem ser produzidas cerca de 5 mil unidades, cerca de 53% a mais do que o registrado em 2010.
E, de acordo com o Plano Nacional de Mineração, divulgado em fevereiro, os investimentos em pesquisa mineral, mineração e transformação mineral somarão US$ 270 bilhões até 2030, podendo chegar a US$ 350 bilhões se forem acrescidos os desembolsos em infraestrutura e logística.
Para Baldez, o alto custo do frete também barra o crescimento do setor. “Essas tarifas precisam ser reduzidas, porque isso leva à subutilização da malha”, justifica.
Esse impasse pode ser resolvido quando entrar em vigor o novo marco regulatório brasileiro para o segmento, o que vai acontecer em 2012. Anunciado em junho pela ANTT, ele pretende mudar o sistema, quebrar o monopólio do setor e forçar a queda das tarifas a partir do ano que vem.
A novidade elevará a concorrência e permitirá que novas empresas utilizem a malha atual, criando um ambiente mais competitivo. O objetivo, segundo a agência, é melhorar o serviço para o usuário e tornar os preços dos fretes mais compatíveis com seus custos, além de criar compromissos de exploração da malha.
Diário do Comércio