Indústria procura novas soluções
28/10/2016
Um dos maiores vilões sobre o custo de produção do minério de ferro é a umidade. De acordo com o Código Marítimo Internacional para Cargas Sólidas a Granel (IMSBC Code), 10,45% é o limite máximo permitido de umidade para o embarque de minério de ferro ¬ percentuais maiores colocam a estabilidade da embarcação em risco, além de aumentar o consumo de combustível. Em busca de inovação, uma solução para reduzir a umidade do minério desenvolvida pelos pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale (ITV), em Ouro Preto (MG), será submetida a uma prova de conceito industrial em fevereiro de 2017. Com a meta de reduzir entre 1% e 1,8% a umidade do minério de ferro, o experimento substitui os tradicionais secadores industriais, que não são viáveis economicamente por causa do grande volume exportado, por chutes de transferência de minério adaptados para funcionarem como câmeras de secagem. Os chutes são equipamentos fechados onde ocorre a mudança de direção de correias transportadoras que levam o minério do pátio para o navio. A proposta dos pesquisadores é, no futuro, evoluir e reutilizar o vapor gerado no processo de secagem. O resultado dessa pesquisa, apresentado durante o 24th World Mining Congress, Mining in a World of Innovation, realizado no Rio de Janeiro entre 18 e 21 de outubro, expressa o foco do setor de mineração em todo o mundo: descobrir como incorporar processos e tecnologias inovadoras a uma das mais tradicionais indústrias do mundo. Os tomadores de decisão das maiores mineradoras brasileiras são unânimes em afirmar que inovação é fator decisivo para ganhar competitividade e tornar a indústria sustentável. “Estamos desenvolvendo várias pesquisas no ITV, com uso de automação, computação cognitiva e buscando processos inovadores. Temos de competir globalmente e estamos olhando todas as áreas em que precisamos melhorar a produtividade”, afirma Clovis Torres, diretor executivo de recursos humanos, integridade corporativa e consultor geral da Vale. Tito Martins, CEO da Votorantim Metais, explica que há cerca de cinco anos, a empresa está focada em trazer a tecnologia para melhorar os processos do dia a dia da organização. Para Martins, o setor precisa atrair jovens talentos e ter a capacidade de retê¬los, lançando desafios constantemente. Para isso, diz, o investimento em inovação é imprescindível. O CEO da Votorantim Metais ressalta ainda que é preciso buscar tecnologias de ponta e adaptá-las à indústria de mineração.
Na Unidade de Vazante, em Minas Gerais (MG), a Votorantim Metais investiu em projetos de IIoT (Industrial Internet of Things), ou emprego industrial de internet das coisas, no beneficiamento de minério para produzir concentrado de zinco. Todo o processo, desde a entrada do minério no moinho à flotação, foi automatizado e integrado a sensores; os dados gerados são enviados em tempo real para uma unidade da GE, nos EUA, e retornam à unidade de Vazante, com relatórios analíticos. Com o processo, a Votorantim conseguiu reduzir em até 12% o consumo de um reagente de alto custo, e a estabilidade alcançada pelo processo elevou a produtividade em 1,5%. Martins chama a atenção também para os processos inovadores na unidade de Morro Agudo da Votorantim Metais, localizada em Paracatu (MG). Ele explica que, nessa unidade, a inovação foi aplicada para transformar rejeitos em matéria-prima e insumos. O resultado foi a produção de um pó calcário agrícola (PCA), também conhecido como Zincal200. O produto foi criado com a tecnologia para reprocessar o resíduo gerado no beneficiamento do zinco, que era depositado nas barragens. O Zincal200 neutraliza a acidez do solo e aumenta sua produtividade. Ruben Fernandes, CEO da Anglo American no Brasil, afirma que o setor precisa usar a tecnologia para mudar de patamar. “Trata¬se de uma indústria muito tradicional, em que os processos são iguais há décadas. Mas isso não impede de introduzir inovação em um determinado aspecto ou processo. É preciso fortalecer essa cultura dentro das organizações”, diz.
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Valor Econômico