Indústria mundial de fertilizantes investirá US$88 bi até 2016
01/09/2011
São 250 projetos que ampliarão a capacidade global para 183 milhões de toneladas de matérias-primas. Apesar de ser o quarto produtor mundial, país importa 92% do potássio e 50% do fosfato consumidos
Soma daqui e aperta dali, a indústria de fertilizantes faz contas e conclui que o setor já acumula projetos estimados em US$ 13 bilhões, entre expansões e a instalação de novas unidades de produção distribuídas ao longo dos próximos cinco anos. ?Isso representa 15% do total dos investimentos em fertilizantes em todo o mundo, que até 2016 planeja aplicar US$ 88 bilhões na implantação de 250 projetos que irão propiciar uma capacidade adicional global de produção de 183 milhões de toneladas de matérias-primas e de produtos intermediários?, afirma David Roquetti Filho, diretor executivo da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda).
Marcos Stelzer, gerente de marketing e vendas da Anglo American ? Copebrás, uma das poucas companhias que atuam na extração de insumos utilizados na produção de fertilizantes, informa que se encontram em andamento projetos para aumentar a oferta nacional de nitrogenados, fosfatos e potássio. ?Ainda assim estes novos empreendimentos não serão suficientes para suprir o déficit existente entre a demanda local e a produção brasileira, o que nos leva a crer que o Brasil permanecerá importando fertilizantes nos próximos anos?, afirma.
Dono de um mercado que no ano passado foi de 24,5 milhões de toneladas e quarto maior produtor do mundo, ainda assim o Brasil precisa importar 92% de suas necessidades de potássio e 50% do fostato que consome. O primeiro, segundo o Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM), divide com o carvão mineral a liderança do ranking das principais substâncias minerais importadas pelo país (29,09% e 29,6%, respectivamente).
Além de fortemente dependente do produto importado, a extração de insumos e produção local do país está concentrada em poucas empresas. A produção mineral e de gás natural depende hoje de apenas quatro empresas: Vale, Petrobras, Copebras (grupo Anglo American) e Galvani. Entre os gigantes do mundo de fertilizantes, a brasileira Vale se projeta para brigar pela liderança do mercado com a canadense Potash. Para isso, vai investir US$ 12 bilhões até 2014, na Argentina, Brasil, Canadá e Peru coma meta de produzir 23,5 milhões de toneladas de fosfato e potássio por ano. Não à toa, aportou US$ 4,7 bilhões para comprar o controle acionário da Bunge e da Fosfértil, dando origem à Vale Fertilizantes. ?O objetivo é se consolidar no mercado mundial como segunda maior empresa?, afirmou ao Brasil Econômico o presidente Mário Barbosa.
Um quinto produtor, porém, deverá juntar-se ao clube a partir do ano que vem com o único projeto novo. A MbAC Fertilizantes produzirá cerca de 500 mil toneladas anuais de superfosfato simples em Arraias (TO). Esta companhia de origem canadense adquiriu, em 2008, o controle da Itafós Mineração e atualmente opera com uma mina e unidade de processamento em pequena escala com capacidade de produção de 100 mil toneladas por ano de fosfato natural reativo.
Em resposta ao crescimento da produção agrícola no país, as empresas que atuam na ponta da extração mineral se mexem e anunciam novos projetos de expansão de suas fábricas, principalmente de produtos fosfatados, área em que o Brasil se aproxima da autossuficiência.
?Estamos prontos para investir R$ 1,2 bilhão nos próximos quatro anos?, diz Luiz Antonio Bonagura, presidente do grupo Galvani, que a partir do município de Paulínia (SP), opera um complexo industrial que envolve a fabricação de ácido sulfúrico, superfosfatos, granulação, mistura e ensaque de fertilizantes. Com unidades distribuídas pelos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso, Sergipe e Ceará, o grupo registra faturamento de R$ 600 milhões e emprega perto de dois mil funcionários.
A cabeça de ponte da Galvani, de acordo com Bonagura, é o projeto Serra do Salitre, em Minas Gerais, empreendimento estimado em R$ 400 milhões e que terá capacidade de produzir um milhão de toneladas de concentrado fosfático ao ano. A mineração entra em operação em julho de 2013, enquanto a parte química deve começar a operar em meados de 2014. Entre as prioridades do grupo paulista, destaca-se ainda a exploração de uma jazida de fosfato associado ao urânio localizada no município cearense de Santa Quitéria.
Pelo contrato firmado em 2009 com a Indústrias Nucleares do Brasil (INB), ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia e responsável pela exploração de urânio no país, a Galvani é responsável pelo parque industrial e pelo investimento de US$ 350 milhões. Deste total, diz Bonagura, a empresa possui R$ 492 milhões em crédito a serem liberados pelo BNB (Banco do Nordeste) mediante as licenças ambientais.
A partir de 2015, do minério extraído da mina Itatiaia, em Santa Quitéria, sairão 1,5 mil toneladas anuais de urânio, que ficarão com a INB, e produzidas 240 mil toneladas de fósforo (P2O5) em ácido fosfórico por ano, destinadas aos segmentos de fertilizantes e nutrição animal.
?Esse volume representa um aumento de 10% na atual capacidade nacional de produção de P2O5 e permitirá reduzir importações de fosfatados?, diz. Apontado como o único empreendimento novo nessa área desponta a canadense MbAC Fertilizantes, que está investindo R$ 405 milhões na construção de uma fábrica de fertilizantes de Superfosfato Simples (SSP), entre Goiás e Tocantins. A primeira etapa do projeto Itafós-Arraias, com capacidade de 500 mil toneladas por ano, começa a produzir a partir de setembro de 2012, diz Roberto Busato Belger, vice-presidente da MbAC Fertilizantes.
De acordo com ele, para esse volume de superfosfato simples será necessária a extração de 330 mil toneladas de rocha fosfática com um teor médio de 28%. ?Nesse primeiro momento, nossa produção será suficiente para atender pelo menos 40% da demanda local?, completa o executivo. Belger acredita que a segunda fase de Arraias (mais 500 mil toneladas anuais) estará concluída e em condições de operar já a partir de 2016.
O vice-presidente da MbAC cita também o projeto Santana, ainda em fase de desenvolvimento na região sudeste do Pará, mas, segundo ele, com ?boas perspectivas? para a produção de fertilizantes fosfatados e a vantagem da proximidade do mercado de Mato Grosso. ?Acredito que até o fim do ano a etapa de pré-viabilidade do projeto ao final estará concluída?. Roberto Busato Belger diz que a companhia também planeja atuar na extração do potássio e marcou para 2012 o início dos trabalhos de sondagem do projeto Potássio- Anebá, na Bacia Amazônica, ao norte de dois projetos de potássio da Petrobras, Arari e Fazendinha.
Na Copebras, que no ano passado alcançou a produção de um milhão de toneladas de fertilizantes, o gerente de marketing e vendas da Anglo American-Copebras Marcos Stelzer limita-se a dizer que ?da mesma forma que os outras empresas, a Copebrás está estudando oportunidades de expansão?.
A empresa abastece o mercado de fertilizantes fosfatados, fosfato bicálcico (DCP) e ácidos que são produzidos nas operações de Catalão (GO) e de Cubatão (SP). Apesar do ciclo de investimentos, Paulo Camillo Penna, presidente do Ibram, diz que a pesada carga tributária anula os esforços para reduzir a dependência do fertilizante importado.
Agrolink – Porto Alegre/RS