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DIVERSIDADE 2026: inclusão redefine o futuro do trabalho na mineração

14/04/2026


Como será o trabalhador do futuro na mineração e quais caminhos o setor deve seguir para construir ambientes mais inclusivos? Essas foram algumas das reflexões centrais do painel “Trabalhadores do Futuro: inclusão, gerações, identidade”, realizado nesta terça-feira (14), durante a DIVERSIBRAM 2026 – Mineração sem Rótulos.  

O debate reuniu representantes de empresas e comunidades para discutir pertencimento, transformação geracional, diversidade e legitimidade social no setor mineral.

Com mediação de Geovanni Vieira, diretor de Pessoas e Organização da Anglo American Brasil, o encontro reuniu diferentes perspectivas sobre os desafios e as oportunidades relacionados à diversidade no ambiente corporativo. O debate abordou aspectos como convivência entre gerações, construção de identidades no trabalho e inclusão de pessoas com diferentes capacidades.

Logo na abertura, o mediador Geovanni Vieira destacou que falar de diversidade e inclusão é, antes de tudo, falar sobre acesso e pertencimento. Ele também questionou o conceito de protagonismo profissional, amplamente difundido no ambiente corporativo. Segundo Vieira, embora a autonomia na gestão da carreira seja incentivada, ela não pode ser dissociada do papel das organizações na criação de condições reais de desenvolvimento. “O protagonismo sem apoio é abandono”, afirmou. Para ele, não basta estimular a iniciativa individual se os espaços públicos e privados não oferecem ambientes onde as pessoas possam, de fato, se reconhecer, pertencer e acessar oportunidades.

DIVERSIDADE 2026: inclusão redefine o futuro do trabalho na mineração
Painel “Trabalhadores do Futuro: inclusão, gerações, identidade” na Diversibram 2026 – crédito: divulgação

Diversidade, território e legitimidade social

A painelista Priscila Machado Malafaia da Mata Campos, coordenadora de Responsabilidade Social da Samarco, trouxe uma perspectiva interseccional ao relatar sua própria trajetória. Mulher com deficiência visual e mãe de uma criança autista, ela enfatizou que a inclusão ocorre em múltiplas camadas e não de forma linear. Segundo ela, compreender essas diferentes dimensões exige escuta ativa e revisão constante de processos.

Priscila também destacou que, no contexto da mineração, essa discussão ganha ainda mais relevância devido à diversidade dos territórios impactados pela atividade. “Se não incluirmos essas pessoas dentro do nosso quadro, não teremos legitimidade social”, afirmou. Para a especialista, a diversidade não é apenas uma pauta social, mas um fator estratégico para o negócio, diretamente ligado à capacidade de mitigar impactos e promover soluções mais eficazes.

Outro ponto abordado foi a transformação geracional no mercado de trabalho. De acordo com Priscila, os profissionais mais jovens apresentam menor tolerância a ambientes onde não se sentem pertencentes. Nesse cenário, garantir segurança psicológica e respeito à identidade torna-se essencial para o engajamento e a geração de valor. “O trabalhador do futuro precisa se sentir seguro para ser quem é”, ressaltou.

Comunidades e mobilidade social

Representando a vivência das comunidades, Rosilda Clemente, quilombola da comunidade Boa Vista e participante do projeto Portas Abertas, da Mineração Rio do Norte (MRN), compartilhou uma trajetória marcada por desafios e superação. Sem acesso pleno à educação na infância, ela concluiu os estudos apenas na vida adulta, conciliando trabalho, maternidade e deslocamentos difíceis entre a comunidade e a cidade.

Rosilda relatou que, mesmo diante das limitações, investiu na própria formação e conquistou novas oportunidades. Após concluir o ensino médio aos 36 anos e um curso técnico em administração aos 38, passou a atuar na organização de uma cooperativa local, chegando à coordenação de equipes. Sua participação no programa Portas Abertas ampliou ainda mais suas perspectivas profissionais. “Foi muita luta, mas consegui proporcionar estudo para meus filhos e construir uma vida melhor”, afirmou.

Ao reunir reflexões sobre ambiente corporativo, diversidade territorial e trajetórias de superação, o painel reforçou que preparar a mineração para o futuro exige integrar diferentes perfis profissionais em ambientes mais colaborativos, respeitosos e adaptáveis às transformações sociais. A discussão indicou que diversidade e inclusão precisam ser tratadas como fatores estratégicos para inovação, sustentabilidade e competitividade no setor mineral.

Conheça os patrocinadores e apoiadores da DIVERSIBRAM

A DIVERSIBRAM conta com o patrocínio da BHP (categoria Ouro), da Vale (Ouro), da AngloGold Ashanti (categoria Prata), da Nexa Resources (categoria Prata), da Anglo American (Bronze),  da Ausenco (Bronze), da Kinross (Bronze), da Lundin Mining (Bronze), da Mosaic (Bronze)  e da Samarco (Bronze).

O evento tem o apoio institucional da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS),  Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape), Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Associação Brasileira de Indústrias de Explosivos (ABMEX),   Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres (Abrace energia), Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (Abrate), Associação Brasileira de Engenheiros de Mineração (Abremi), Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (ADIMB), Agência Nacional de Mineração (ANM), Companhia Baiana de Produção Mineral(CBPM), Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Federação Brasileira de Geólogos (Febrageol), Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), Associação Brasileira de Geossintéticos (IGS Brasil), Mining Hub, Sociedade Brasileira de Geologia – Núcleo Bahia-Sergipe, Serviço Geológico do Brasil (SGB),  Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (Sindiextra), Sociedade Brasileira de Geologia, Sindicato das Indústrias de Rochas Ornamentais, Cal e Calcário do Espírito Santo (Sindirochas) e Women In Mining Brasil.

A DIVERSIBRAM também tem o apoio editorial das revistas Brasil Mineral, Eae Máquinas, In The Mine, Mineração & Sustentabilidade, Minérios & Minerales, Amazônia, Areia e Brita, M&T, Novo Solo; dos sites 2A+ Mineração, BNews, Cidades & Minerais, Climatempo, Conexão Mineral, Notícias de Mineração Brasil, Por Dentro de Minas e Radar Mineração; além do Podcast da Mineração.


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