Incentivo a P&D beneficia cem universidades
22/09/2014
A Petrobras prevê investir US$ 1,2 bilhão, em 2014, em pesquisa, desenvolvimento e inovação, por meio de um modelo de parcerias com o meio acadêmico brasileiro. Em torno de R$ 500 milhões são destinados a mais de 100 universidades e institutos de pesquisa parceiros, que atuam por meio de 49 redes temáticas dedicadas a temas tecnológicos de interesse estratégico da empresa. O Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes) lidera as pesquisas, que estão divididas em 60% em exploração e produção, 20% em abastecimento, 10% em meio ambiente, 5% em gás e energia, e 5% em biocombustíveis.
Entre as inovações desenvolvidas pela parceria entre o Cenpes e a academia na área de engenharia submarina, está a instalação de quatro Boias de Sustentação de Risers (BSR), cujo objetivo é minimizar os efeitos dos movimentos da plataforma de produção nos risers – tubos que fazem a ligação entre os poços de petróleo, no fundo do mar e as plataformas ou navios, na superfície. Outro exemplo é o SLWR (steel lazy-wave riser), para o pré-sal, a ser utilizado a partir de setembro no campo de Sapinhoá Norte, na Bacia de Santos, para reduzir a fadiga de equipamentos.
Na área do pré-sal foram desenvolvidos simuladores que buscam otimizar processos da construção de poços, permitindo reduzir o tempo de construção e seu custo. Entre as tecnologias de última geração presentes no pré-sal, encontram-se o Separador Submarino de Água e Óleo – SSAO, que separa água e óleo ainda no fundo do mar; a Bomba Centrífuga Submersa – BCS; a Bomba Multifásica Submarina – BMS, utilizada para o aumento da produção dos poços situados a longas distâncias.
“Os resultados das inovações já podem ser observados. O tempo de perfuração de poços no pré-sal caiu de 134 dias, em 2006, para 60 dias em 2014”, diz, André Cordeiro, gerente do Cenpes. Entre as tecnologias futuras, destaca a simulação de processos geológicos presentes em bacias sedimentares, apoiados em sistemas computacionais integrados, permitindo estimativas mais seguras do risco exploratório. Outra tendência é a integração das plataformas de produção com sistemas submarinos de processamento, tornando os sistemas de superfície menos complexos e mais compactos.
“Está em curso a aplicação de nanopartículas para agregação de valor a processos e produtos, com focos em materiais com propriedades diferenciadas, catalisadores, produtos químicos, recuperação avançada e traçadores para sísmica 4D”, acrescenta Cordeiro. Um dos desafios atuais é o escoamento do gás natural, sobretudo nas reservas gigantes do pré-sal, para o qual estão sendo desenvolvidas tecnologias de novos gasodutos. Em operação, encontra-se o gasoduto Lula-Mexilhão – ligando o campo Lula à plataforma de Mexilhão, localizada em águas rasas na bacia de Santos.
Valor Econômico