INB desenvolve tecnologia para o urânio
25/02/2014
A unidade mineira da Indústrias Nucleares do Brasil (INB) foi fundamental para a conclusão do desenvolvimento de uma rota tecnológica capaz de separar o urânio do fosfato e aproveitar ao máximo os dois elementos. Em parceria com o Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), a entidade desenvolveu um método no município de Caldas, no Sul de Minas, após um teste de mais de mil horas contínuas que comprovou a viabilidade econômica do projeto.
A descoberta resultou de um estudo de cinco anos e, no mês passado, contrato foi assinado entre a INB e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) para regularizar o registro da patente.
A tecnologia é baseada em um processo químico conhecido, denominado extração por solventes, e a aplicação da técnica viabilizará a exploração da jazida de Santa Quitéria, no Ceará.
De acordo com o geólogo da INB Adriano Maciel Tavares, desde a década de 1970 estudiosos do mundo inteiro se dedicavam ao desenvolvimento de uma técnica que permitisse a separação dos minerais. No entanto, até hoje, americanos, franceses e australianos esbarravam na viabilidade econômica dos processos desenvolvidos. “A aplicação industrial sempre acabava sendo limitada por fatores econômicos e os projetos não iam para frente”, diz.
Ainda segundo Tavares, como a INB possui uma jazida com concentração considerável de urânio, foi possível obter sucesso na recuperação do fosfato. “A tecnologia foi desenvolvida por anos em pequenas escalas. Depois, passamos para a planta piloto situada em Caldas e operamos por mil horas continuamente e fosse comprovada a eficácia do projeto”, explica.
Potencial – Na jazida de Santa Quitéria, o minério de urânio se encontra associado ao fosfato e para realizar a sua exploração foi criado o Consórcio Santa Quitéria, uma parceria entre a INB e a Galvani, especializada na extração de minerais para a fabricação de adubos, fertilizantes e outros produtos químicos.
Conforme a INB, o aproveitamento desses dois recursos naturais será feito de forma separada e em condições eficientes para preservar o potencial econômico.
O projeto prevê a instalação de um complexo minero-industrial que visa à extração, beneficiamento e separação dos dois elementos. Serão duas unidades industriais, nas quais serão fabricados fertilizantes fosfatados e fosfato bi-cálcio (ração animal) e concentrados de urânio, conhecidos como yellowcake.
A previsão do Consórcio Santa Quitéria é que sejam produzidos 800 mil toneladas de rocha fosfática, 970 mil toneladas de ácido sulfúrico, 240 mil toneladas de ácido fosfórico, 810 mil toneladas de fertilizantes granulados e 240 mil toneladas de fosfato bi-cálcico.
O protocolo de intenções entre o governo do Ceará e o consórcio Santa Quitéria foi assinado em janeiro deste ano e o início das operações está previsto para 2017.
Diário do Comércio