Impasse no investimento da Carpathian
18/11/2011
Mineradora canadense diz que condicionantes ambientais inviabilizam projeto de US$ 160 milhões no Norte de Minas
A Mineração Riacho dos Machados, subsidiária no Brasil da mineradora canadense Carpathian Gold, ameaça cancelar o investimento de US$ 160 milhões em uma mina de ouro, no município de Riacho dos Machados, no Norte de Minas. Oficialmente, a empresa alega que os prazos para licenciamento são muito longos, o que não estava no plano dos financiadores canadenses do projeto.
Segundo o conselheiro do Copam, José Ponciano Neto, a mineradora também reclama que existe excesso de condicionantes ambientais e sustenta que várias contrapartidas exigidas da empresa deveriam ser consideradas ações de política pública. O contra-argumento é de que a atividade da empresa está prevista para durar apenas oito anos e deixará para a sociedade impactos sociais e ambientais relevantes, que deveriam ser mitigados pela empresa.
O Ministério Público de Minas Gerais abriu inquérito para apurar o caso e assegurar que o rito de licenciamento seja seguido.
O Conselho de Política Ambiental (Copam), orgão licenciador do Governo de Minas, estruturou um grupo de trabalho para avaliar as condicionantes impostas à mineradora. Uma reunião extraordinária para julgar o licenciamento ambiental está agendada para 21 de novembro.
O processo de licenciamento consiste em três etapas – Licença Prévia (L.P), de Instalação (L.I) e de Operação (L.O). A Mineração Riacho dos Machados possui a LP e adquiriu Ad Referendum, a LI. A Licença Ad Referendum é deferida pelo próprio Secretário de Meio Ambiente de Minas, Adriano Magalhães Chaves, mas precisa ser referendada pelo colegiado do Copam.
“É para isso que vamos nos reunir no dia 21. Criamos um grupo de trabalho para discutir as condicionantes e agora os argumentos de ambos os lados serão ouvidos e a licença julgada na mesma data”, disse Ponciano.
De acordo com ele, existem condicionantes que colocam como responsabilidade da mineradora o fornecimento de água em algumas regiões, investimentos em saúde pública e a construção de um centro de recuperação de animais silvestres.
O diretor da companhia no Brasil, Daniel Kivari, preferiu não entrar em detalhes antes do julgamento das licenças ambientais. “Estamos todos muito ocupados trabalhando para juntar documentos para a reunião. Vamos falar depois da decisão”, limitou-se a dizer. No entanto, foi confirmado pela gerente de Meio Ambiente e de Relações com a Comunidade da empresa, Cristianne Alam, que o risco de cancelamento do investimento é real. A Carpathian já firmou contratos com alguns fornecedores de equipamentos e serviços. A frota da mina já foi encomendada à Caterpillar e a previsão é que os caminhões comecem a ser entregues no primeiro trimestre de 2012. Britadores e moinhos também já foram comprados.
Segundo informações da Carpathian Gold, as reservas na região somam 20 milhões de toneladas de minério com teor de 1,3 gramas de ouro por tonelada, o que possibilitaria uma produção total de 830,2 mil onças de ouro. O retorno financeiro do aporte de US$ 230 milhões ocorreria em 3 anos considerando que a onça do ouro cotada a US$ 1.250. Este retorno pode ser antecipado, já que na tarde de ontem a onça estava cotada a US$ 1.767. A geração de caixa prevista para a operação é de US$ 60 milhões anuais.
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