Impacto da crise é maior nos preços do que na demanda
23/09/2013
O Brasil é um importante player na indústria mineral mundial: ocupa o primeiro lugar na exportação de nióbio, o segundo posto nos embarques de minério de ferro, manganês, bauxita e tantalita, o terceiro em grafite e o quarto em rochas ornamentais. Mas o país ainda é dependente de alguns minerais estratégicos, como no caso dos fertilizantes. O Brasil, apesar de ser o quarto maior consumidor do planeta, é responsável por apenas 2% da produção mundial. Com isso o país importa 91% do potássio e 51% do fosfato necessários à produção dos fertilizantes.
A China é o grande comprador do minério de ferro brasileiro – absorve 45% das exportações. Pelos estudos do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) espera-se que até 2020 os chineses estejam importando mais de 400 milhões de toneladas/ano: 50% a serem supridos pela Austrália e ao menos 30% pelo Brasil. Para efeito comparativo, a produção total de minério de ferro no país em 2012 foi de 400 milhões de toneladas (o que deve subir para 415 milhões de toneladas até o final deste ano).
Segundo José Fernando Coura, presidente do IBRAM, o setor tem grande capacidade de produção de ferro, cobre, agregados, cimento, cal e outros minerais essenciais à construção de casas e ao atendimento do mercado interno em seu esforço de aprimorar a infraestrutura e reduzir o custo Brasil.
O Ibram estima que o preço do minério de ferro deva oscilar entre US$ 110 e US$ 120 por tonelada nos próximos três anos. Segundo Cinthia Rodrigues, responsável pela área de pesquisa da entidade, a crise mundial afeta mais os preços do que a demanda. “Esse mineral é matéria-prima para `n` cadeias produtivas das economias nacionais, o que torna muito difícil afirmar que uma crise possa afetar de imediato a mineração deste ou daquele país”, diz. “Acho que a China continuará sendo o nosso maior mercado importador de minérios por alguns anos.”
Valor Econômico