Ibram quer apoio do governo na briga entre Vale e Eurofer
25/03/2010
O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) quer o apoio do governo na briga entre a Vale e as siderúrgicas europeias na fixação do novo preço do minério de ferro negociado em contratos de longo prazo.
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A intenção do presidente da entidade, Paulo Camilo, é aproveitar um encontro amanhã com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, no Senado, para entregar um documento explicando as preocupações do órgão com relação à ameaça da associação das siderúrgicas europeias (Eurofer) de recorrer a órgãos de defesa da concorrência.
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?Queremos que o ministério fique atento e acompanhe o assunto de maneira oficial. (?) Acho importante acionar o governo brasileiro na direção da proteção dos interesses do País?, afirmou. Segundo ele, a ameaça da Eurofer tem como objetivo protelar ou impedir o reajuste do minério de ferro, que caminha superar a casa dos 100%.
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Na nota que o Ibram pretende encaminhar ao governo, a entidade lembra que o insumo respondeu por cerca de 50% do saldo da balança comercial brasileira em 2009. ?O que se tem em jogo é o interesse nacional?, afirmou Camilo. ?O dano maior será sobre a balança comercial, a economia brasileira, e não apenas uma empresa.? O presidente do Ibram se preocupa ainda com o impacto nos investimentos do setor.
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Para ele, a briga com as siderúrgicas europeias pode desestimular as mineradoras a fazerem novas expansões, comprometendo parte dos US$ 50 bilhões programados até 2014. ?Se efetivamente atendêssemos esse pleito da Eurofer estaríamos dando um subsídio a aciarias europeias, o que é, no mínimo, absurdo. Isso criaria uma desvantagem para a indústria siderúrgica brasileira?, disse.
E completou: ?Seria uma inconcebível transferência de renda do Brasil para a Europa?. A Eurofer reclama da proposta colocada à mesa pela Vale na negociação deste ano, que propõe umamudança na metodologia de formação de preço. A principal mudança se baseia no fato de os reajustes serem trimestrais e com base no preço do insumo no mercado à vista chinês.
Caso a oferta da Vale seja aceita, o reajuste poderia elevar em até 114% a cotação do insumo fixada em 2009 para contratos de longo prazo. No ano passado, ainda por conta dos efeitos da crise internacional, o preço de referência sofreu uma redução de quase 30%. ?O que há nesse momento é uma proposta de uma mineradora brasileira, cuja a adesão é livre?, ressaltou o presidente do Ibram.
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Camilo afirmou estar ?perplexo? com a reação do setor siderúrgico europeu à decisão da Vale de caminhar para um sistema de precificação mais ?transparente?, que permita uma calibragem mais fina entre as oscilações de oferta e demanda. ?O que se propõe é uma redução das distorções, com a inserção do mercado spot na comercialização do minério de ferro?, concluiu.
Agência Estado