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IBRAM defende protagonismo brasileiro diante da crescente demanda por minerais críticos

20/08/2026


Diretor-presidente do IBRAM fez a palestra de encerramento do Fórum Estadão e New Mining – Minério Verde, realizado nesta quinta-feira (20), em São Paulo

A crescente demanda global por minerais críticos abre uma oportunidade estratégica para o Brasil, que reúne reservas minerais, empresas competitivas e conhecimento para ampliar sua participação nas novas cadeias de fornecimento, afirmou o diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Pablo Cesário. A declaração foi feita durante a palestra de encerramento do Fórum Estadão e New Mining – Minério Verde: O novo rumo da mineração brasileira, nesta quinta-feira (20), em São Paulo (SP).

Para Cesário, o mundo vive uma transformação de grandes proporções, com a mudança de uma matriz energética baseada no petróleo para uma matriz sustentável. “Isso significa, literalmente e diretamente, mineração”, afirmou. Segundo ele, a ideia de uma “desmaterialização da economia” não corresponde à realidade. “Transição energética, segurança energética, alimentar, requer produção material”. Ao citar a inteligência artificial, destacou a dependência de minerais como cobre e vanádio. “Por isso eu costumo dizer que o futuro é um binômio: ele é mineração mais conhecimento”.

Outra tendência apontada pelo diretor-presidente do IBRAM é a revisão das cadeias globais de fornecimento. Países e empresas passaram a avaliar se terão os insumos necessários no momento em que precisarem deles. Para Cesário, o Brasil tem uma oportunidade nesse cenário porque reúne reservas minerais, empresas competitivas e conhecimento. “Não basta ter reservas. Reservas existem em vários lugares do mundo. E aí tem a segunda parte dessa história, que é o Brasil construir uma tradição de ser um país confiável”, disse.

https://ibram.org.br/
Pablo Cesário, diretor-presidente do IBRAM – crédito: divulgação

Minerais críticos e indústria

O diretor-presidente do IBRAM também chamou a atenção para os riscos relacionados à concentração geográfica da produção de minerais e insumos estratégicos. Como exemplo, citou o enxofre e afirmou que a situação de escassez do produto no mercado internacional demonstra como decisões geopolíticas podem afetar as cadeias de fornecimento.

Para Cesário, o Brasil precisa combinar segurança de fornecimento, investimentos e fortalecimento da indústria nacional. “Temos mais do que reserva; temos gente capaz de fazer isso; temos conhecimento”, afirmou. Ele defendeu o adensamento das cadeias produtivas, com mais indústria, engenharia, tecnologia e conhecimento no país. “Queremos uma contrapartida, e a contrapartida é como a gente garante condições de mercado para a gente competir de verdade, para conseguir adensar a cadeia aqui”.

Investimento e conhecimento

Cesário apontou ainda o financiamento como um dos principais desafios da mineração, setor caracterizado por alta intensidade de capital, risco, tecnologia e longo prazo. Ao concluir, avaliou que o Brasil vive um momento de inflexão e que a discussão sobre mineração é também uma discussão sobre o futuro do país. “Mais do que mineração, a gente está falando de país, que tipo de país a gente precisa construir, e aqui a gente precisa ser ativo”.

Cesário também convidou os participantes para a Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRM 2026), que será realizada pelo IBRAM, entre os dias 24 e 27 de agosto em Belo Horizonte (MG). “Será um momento para toda a comunidade mineral se encontrar, debater e discutir quais são os nossos passos adiante”, concluiu.


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