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IBRAM e CETEM apresentam estudo sobre cadeias de valor de minerais críticos e estratégicos do Brasil

27/08/2026


Pesquisa, apresentada na EXPOSIBRAM 2026, propõe metodologia para subsidiar políticas públicas e ampliar a inserção do país nas etapas de transformação e geração de valor mineral.

A Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRAM 2026) reuniu em 26/08 especialistas, representantes de empresas, pesquisadores e instituições para discutir os desafios e as oportunidades da mineração diante das transformações econômicas, tecnológicas e geopolíticas. Entre os debates do dia, o painel “Estratégia para a regulamentação e estruturação das cadeias de valor dos minerais críticos e estratégicos no Brasil” apresentou o Green Paper elaborado pela parceria entre IBRAM e CETEM.

O estudo, desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), em parceria com o Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), busca identificar caminhos para estruturar e consolidar cadeias industriais prioritárias associadas aos minerais críticos e estratégicos. A análise considera não apenas a capacidade brasileira de produzir esses recursos, mas também os gargalos ao longo das etapas de beneficiamento e transformação, com foco na ampliação da produção de bens de maior valor agregado.

IBRAM e CETEM apresentam estudo sobre cadeias de valor de minerais críticos e estratégicos do Brasil
Painel “Estratégia para a regulamentação e estruturação das cadeias de valor dos minerais críticos e estratégicos no Brasil” – crédito: divulgação

Estudo contempla cadeias de valor dos minerais críticos

Na abertura do painel, a diretora do CETEM, Sílvia Cristina Alves França, explicou que o trabalho é resultado de uma parceria iniciada há cerca de dois anos. As etapas anteriores concentraram-se na análise de políticas públicas e na elaboração de roteiros para minerais críticos e estratégicos. Neste novo documento, o trabalho consolida propostas estratégicas para a regulamentação e estruturação das cadeias de valor desses recursos.

“Os estudos desenvolvidos pelo CETEM em parceria com o IBRAM têm contribuído significativamente para a compreensão das cadeias produtivas, da inserção do Brasil nas cadeias internacionais e das oportunidades de fortalecimento das cadeias de valor no país”, pontua a diretora.

Dando sequência ao painel, o professor da COPPE/UFRJ, Amaro Pereira, abordou a relação entre os minerais críticos, a transição energética e as novas tecnologias. Em sua fala, destacou que o crescimento da demanda mundial por determinados minerais cria oportunidades para o Brasil, mas exige investimentos em infraestrutura, pesquisa, desenvolvimento e inovação.

O pesquisador também chamou atenção para a importância de políticas públicas alinhadas a esse processo. “A transição energética não deve ser compreendida apenas como uma mudança na matriz energética, mas como uma oportunidade para impulsionar a inovação e o desenvolvimento tecnológico”, avalia Amaro Pereira. O estudo aponta, ainda, a necessidade de ampliar os recursos destinados à pesquisa e ao desenvolvimento, bem como de assegurar processos de licenciamento ambiental compatíveis com a expansão das atividades.

O diagnóstico resultante da análise evidencia a posição estratégica do Brasil no cenário internacional. O país dispõe de cadeias minerais consolidadas, mas ainda mantém dependência externa em segmentos relevantes. Diante desse cenário, os pesquisadores apontam como prioridade a estruturação e atualização de listas brasileiras para identificar os minerais que demandam maior atenção e direcionamento das políticas públicas.

Enriquecendo do debate, o professor do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e presidente da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead), Fabrício José Missio, pontuou que os indicadores internacionais disponíveis não contemplam integralmente as especificidades da realidade brasileira. “O Brasil não se encaixa nessa premissa. Primeiro, porque ele é líder em níquel, ferro e grafita, mas, em compensação, também depende de outros minerais, potássio, fosfato e terras raras.”

Nesse cenário, o estudo propõe a implementação de uma estrutura operacional para a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), que inclui a instalação do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE). A estratégia nacional considera fatores como escala de produção, infraestrutura operacional, dotação geológica, capacidade produtiva e parcerias comerciais. Com base nas listas de minerais críticos e estratégicos publicadas pelo conselho, as propostas buscam subsidiar a formulação de políticas públicas adequadas às características e aos desafios de cada segmento.

A pesquisa identificou, ainda, que as políticas públicas devem atuar de forma coordenada com planos e programas governamentais existentes, como o programa Nova Indústria Brasil (NIB). A proposta é articular as cadeias de minerais críticos e estratégicos às Missões do NIB, estabelecendo medidas capazes de responder a desafios comuns de industrialização, transição energética e segurança alimentar. Entre as substâncias que se destacam pela dependência externa crítica na agricultura nacional estão o potássio e o fosfato, enquanto o nióbio, a grafita, as terras raras e o minério de ferro destacam-se pela excepcional vantagem comparativa e reservas no país.

Outro eixo central do debate foi o avanço das cadeias produtivas. O diretor de Assuntos Minerários  e Sustentabilidade do IBRAM, Júlio Nery, defendeu a criação de condições para atrair novas indústrias e ampliar a produção de bens de maior valor agregado. “O Brasil precisa, urgentemente, de um projeto de país. Temos muitos projetos de governo, mas precisamos de uma visão de longo prazo se quisermos avançar não apenas nas cadeias de minerais críticos e estratégicos, mas no próprio desenvolvimento do país”, ressalta.

Na análise do diretor do IBRAM, o fortalecimento da mineração deve estar associado à retomada da indústria brasileira. O país detém expertise na extração e concentração de minérios, mas ainda precisa ampliar sua capacidade de processamento e transformação. Como exemplo, citou a importância de criar condições para desenvolver, no Brasil, setores ligados à produção de baterias e às novas tecnologias decorrentes da transição energética.

O encontro também abordou as conexões entre mineração, indústria, agricultura, tecnologia e geração de empregos. Nesse sentido, o presidente do IPEAD/UFMG, Fabrício Missio, salientou que a integração entre esses setores pode ampliar os efeitos positivos da atividade econômica como um todo. “Na economia, os efeitos multiplicadores são amplamente reconhecidos. O multiplicador da renda, de fato, funciona. Quando um setor apresenta bom desempenho, é capaz de gerar encadeamentos produtivos e abrir novas possibilidades de desenvolvimento”, observa.

Da riqueza mineral à soberania industrial

Ao longo do encontro, os painelistas examinaram, sob diferentes perspectivas, os fatores que condicionam o fortalecimento das cadeias de minerais críticos e estratégicos no Brasil.

Para além de ampliar a produção mineral, o Brasil tem diante de si a oportunidade de fortalecer toda a cadeia produtiva, aproximando mineração, indústria, tecnologia e pesquisa. O adensamento dessas conexões pode reduzir a dependência de produtos importados, ampliar a geração de valor no país e estimular empregos de maior qualidade.

A inovação ocupa papel central nesse processo e pode avançar, desde melhorias de processos até soluções tecnológicas mais complexas. Para as empresas de grande porte, o estudo propõe a obrigatoriedade de investimento em PD&I de no mínimo 0,40% de sua receita bruta em inovação tecnológica mineral. A estratégia incentiva o financiamento de programas de pesquisa e o engajamento de universidades, centros de pesquisa e institutos federais para o desenvolvimento de tecnologias nacionais e formação de mão-de-obra especializada.

O estudo também propõe políticas públicas articuladas em diferentes horizontes de atuação, com medidas voltadas à política industrial, integração regional (América do Sul), financiamento, capacitação, certificação de minerais de baixo carbono e monitoramento de vulnerabilidades.

Nesse cenário, a transição energética e a digitalização ampliam as oportunidades para o Brasil fortalecer sua posição nas cadeias globais de minerais críticos. O desafio é transformar a vantagem geológica em capacidade industrial, inovação e desenvolvimento econômico sustentável.

Patrocínios e apoios da EXPOSIBRAM 2026

A EXPOSIBRAM 2026 conta com o patrocínio de importantes empresas e instituições dos setores mineral, industrial e de tecnologia. Na categoria Master, o evento tem como patrocinadora a BHP e a Vale. Na categoria Diamante, participam Aeolus e Ero Copper. Entre os patrocinadores Platina estão Anglo American Brasil, BVP, CMOC Brasil Mineração, Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (CODEMGE), Compañía Electro Metalúrgica S.A., Huawei do Brasil, Loctite, Lundin Mining, Norsk Hydro e Taboca. Na categoria Ouro, figuram AngloGold Ashanti, Kinross Brasil e Nexa Resources. Entre os patrocinadores Prata, estão ArcelorMittal Brasil, Geosol e Mineração Usiminas. Na categoria Bronze, apoiam o evento Accenture, Alcoa, Appian Capital Brazil (Atlantic Nickel), Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), Del Rey Minerals, Dinâmica, DXC Technology, Hatch, Hexagon Mining, Mosaic Fertilizantes, Pirobras, Samarco e St George Brasil.

A EXPOSIBRAM 2026 também conta com amplo apoio institucional de entidades como Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS), ABIAPE, Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (ABIFER), ABIMAQ, ABIMEX, ABM (Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração), Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACE Energia), Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (ABRATE), Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral (ABREMI), Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Agência para o Desenvolvimento da Indústria Mineral Brasileira (ADIMB), Amcham Brasil, Agência Nacional de Mineração (ANM), APEMI, CAEMG, Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Federação Brasileira de Geólogos (FEBRAGEO), Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG), Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), International Geosynthetic Society (IGS), Movimento pela Inovação na Mineração e Desenvolvimento (MINDE), Mining Hub Brasil (Mining Hub), OAB SP (Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo), Organismo Latino-Americano de Mineração (OLAMI), RMMG, Sociedade Brasileira de Geofísica (SBGf), Serviço Geológico do Brasil (SGB), SGB Núcleo Bahia-Sergipe, Sindicato das Indústrias Minerárias do Estado do Pará (SIMINERAL), Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Estado de Minas Gerais (SINAEES-MG), Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (SINDIEXTRA), Sindicato da Indústria de Rochas Ornamentais, Cal e Calcários do Estado do Espírito Santo (SINDIROCHAS) e Women in Mining Brasil (WIM Brasil).

No apoio editorial, participam veículos especializados como 2A+ Mineração, BNews, Brasil Mineral, Cidades e Minerais, CKS Online, Climatempo, Conexão Mineral, EAE Máquinas, In The Mine, Minera Minas, Mineração & Sustentabilidade, Minérios & Minerales, Notícias de Mineração Brasil, Podcast da Mineração, Por Dentro de Minas, Radar Mineração, Revista Amazônia, Revista Areia & Brita, Revista M&T, Revista Novo Solo e The Mining.


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