IBRAM leva debate sobre minerais críticos e segurança energética à agenda global em Nova York
22/09/2026
Em um cenário de transformação da matriz energética, avanço da inteligência artificial e crescente disputa por recursos estratégicos, os minerais críticos ganharam espaço no debate sobre segurança e soberania econômica. Foi nesse contexto que o diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Pablo Cesário, participou, nesta segunda-feira (21), em Nova York, do Fórum Agenda Global 2026.
O evento é uma iniciativa do jornal Valor Econômico e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil). Realizado no Citi Headquarters, durante a semana da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Climate Week, o fórum tem a proposta de contribuir para a construção de uma agenda para o futuro dos negócios.
Cesário discutiu os desafios e as oportunidades para o fortalecimento das cadeias de suprimentos e a ampliação da cooperação entre Brasil e Estados Unidos. Para ele, a aprovação e a sanção, na semana anterior, do projeto que estabelece a nova Política Nacional de Minerais Críticos, Estratégicos e Terras Raras representam um marco para o setor. “O projeto de lei aprovado no Congresso Brasileiro e sancionado pelo Poder Executivo é um marco, um divisor de águas na mineração brasileira”, afirmou. Segundo o executivo, a principal mudança está em ampliar o olhar para além da extração mineral. “Ele traz uma grande diferença, uma inflexão nessa medida, porque fala de mineração, mas não fala apenas sobre mineração. Trata da cadeia produtiva, sobre como a gente desenvolve indústria, como financia conhecimento, como financia tecnologia e de como adensa a cadeia. Acho que essa é a mudança fundamental”, analisou.

Nesse contexto, Cesário destacou que o desafio do Brasil está na capacidade de transformar reservar minerais em produção e em prosperidade. “Não é uma questão apenas de ter reservas, é de quem vai ser capaz de transformá-las em produção e em prosperidade para toda a sociedade. Essa é a discussão que a gente está tendo no Brasil hoje e, nesse sentido, eu não tenho a menor dúvida de que a gente tem capacidade para fazer isso”, disse. Para ele, essa capacidade está associada à combinação entre recursos minerais, indústria e conhecimento. “Mais do que recursos, a gente tem indústria, a gente tem conhecimento”, afirmou.
A partir dessa perspectiva, o presidente do IBRAM ressaltou a oportunidade de ampliar a participação brasileira nas cadeias produtivas relacionadas aos minerais críticos e atrair investimentos para o desenvolvimento dessas atividades. “O Brasil continua aberto para todo mundo que vier ao Brasil, que quer produzir, que quer construir riqueza, em todas as diversas cadeias produtivas que vêm da mineração”, concluiu.
Também participaram do painel Gracelin Baskaran, diretora do Programa de Minerais Críticos do Center for Strategic and International Studies (CSIS), e Daniel Slaviero, CEO da Companhia Paranaense de Energia (Copel). A mediação foi de Stella Fontes, editora-assistente de Empresas do Valor Econômico.