NOTÍCIAS

Hora de vender

Notícias Gerais

27/06/2010


Projetos da Vale, em Itabira, e da ArcelorMittal, em João Monlevade, abrem demandas de serviços e produtos para toda região
; Investimento de US$ 1,2 bilhão em Itabira para o projeto Conceição-Itabiritos, da Vale, e de US$ 1,2 bilhão em João Monlevade, para duplicação da usina da ArcelorMittal. Juntos, os dois empreendimentos vão gerar 9.200 empregos no auge das operações: 3.200 em Itabira e 6 mil em João Monlevade. As contratações já começaram para ambos, bem como a demanda de serviços e produtos.;Diante de números como esses, não há dúvidas de que a região vive um grande momento. Os exemplos são de duas cidades polos, mas outros negócios são anunciados em municípios do entorno, como o projeto da AngloGold, em Santa Bárbara, onde a mineradora adquiriu a antiga São Bento por US$ 70 milhões no ano passado e pretende abrir uma mina de exploração em subsolo até 2011.;Economistas e empresários acreditam que o futuro não poderia ser mais promissor, sobretudo para o empreendedor que sempre quis atender a essas grandes corporações. Em Itabira, uma série de reuniões de negócios está sendo realizada com diversas organizações, principalmente com a Vale, e muita discussão tem surgido acerca da preferência delas pelo fornecedor local/regional. No caso do projeto Conceição-Itabiritos, pelo menos três encontros entre a empresa e a Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Serviços de Itabira (Acita) aconteceram entre o final do ano passado e o início deste. O objetivo sempre foi o mesmo: informar aos empreendedores as demandas e conscientizá-los das exigências para atendê-las.;O presidente da Acita, José Antônio Reis Lopes, acredita que o cenário evoluiu bastante ? e positivamente ? para as empresas locais, quando se fala em vender para a Vale. ?A Acita é um elo entre a Vale e a classe empresarial. Temos um relacionamento muito produtivo, graças ao diálogo que estabelecemos com a mineradora ao longo dos anos?, explica. Mas, para ele, o volume de negócios ainda é pequeno.;A Vale diz que Itabira representa a segunda maior cidade de Minas em vendas de produtos e serviços, perdendo apenas para a Região Metropolitana de Belo Horizonte. Depois vêm os municípios dos complexos Itabiritos, Mariana e Paraopeba. Apesar de não fornecer dados comparativos, a empresa relata que este ano, até abril, realizou compras no valor de R$ 44,5 milhões em sua cidade natal. Sobre o projeto bilionário, a mineradora informa que oito empresas locais já foram contratadas e as cifras desses contratos ultrapassam R$ 19 milhões.;Mesmo assim, alguns empresários reclamam que não estão sendo privilegiados. Mas a culpa, certifica José Antônio, não é de ninguém a não ser do próprio despreparado para o mundo globalizado. ?Precisamos entender a necessidade do cliente e nos adequar ao padrão de qualidade dele. Isso é o beabá do negócio?, justifica o presidente.;Exemplos
Adalmário Miranda, diretor presidente da Sales Gama ? prestadora de serviços da Vale há 18 anos ? conta que já precisou mudar o ramo de atividades diversas vezes para se adaptar às demandas dos grandes compradores. ?Não há uma receita para se sair bem no mercado. Precisamos ficar atento às intempéries do mundo e superá-las?, ressaltou o empresário, que atua no ramo de manutenção-montagem e presta serviços também a outras grandes companhias como Odebrecht e Camargo Correa.;Apesar de ser de terras drummondianas, dos 800 funcionários da Sales Gama, apenas 180 atuam em Itabira. Os demais estão espalhados pelo Brasil, num fenômeno que Adalmário classifica como característica da globalização.;Mas não são apenas as grandes empresas que abrem oportunidade de mercado. As terceirizadas também precisam de comprar materiais como uniformes, EPIs, ferramentas, seguros, habitação e alimentação. E aí se tem efeito cadeia que impacta todos os setores da economia, inclusive o comércio varejista.;A Pro-Life, empresa prestadora de serviços em treinamentos de segurança, está no mercado há apenas um ano e já atende mais de 40 empresas, maioria terceirizada da Vale. Rodrigo Oliver, presidente, conta que descobriu a oportunidade de mercado e aproveitou o nicho até então pouco explorado. Hoje sua empresa atua num raio de 300 quilômetros de Itabira e 70% de seus colaboradores trabalham em outras cidades.;?Os empresários precisam buscar informação e se preparar. Comecei minha empresa prestando serviços para as terceirizadas da Vale, mas já recebi convite para participar de uma licitação para ser fornecedor da própria mineradora?, conta Oliver, ao reforçar que a região vive um momento histórico.;Diversificação
O economista Cristiano Penido concorda que o momento seja realmente excelente, mas a questão da diversificação da economia e a consequente independência da mineração continuam à espera de uma solução. ?De forma geral, 80% de nossa economia é gerada pela mineração e este indicador não está caindo com o passar dos anos. Temos que aproveitar nossas riquezas e a boa fase que estes investimentos irão gerar para atrair novos negócios e atividades autônomas à mineração. O setor público municipal é fundamental neste processo?, salientou Penido. O prefeito João Izael, de Itabira, também disse, em alguns de seus discursos, que o maior desafio do município é se tornar independente da atividade extrativista.;Em reuniões recentes, o município, a Acita, a Asseag, a CDL, a Interassociação e a Câmara Municipal resolveram se unir e buscar apoio do Governo do Estado na tentativa de trazer a possível siderúrgica da Vale para a cidade. As informações a respeito do projeto ? que seria uma solução à exploração mineral ? ainda são poucas, mas fontes políticas atestam que a cidade está concorrendo com Governador Valadares.;Em relação à infraestrutura, Itabira preparou terreno receber para investimentos. Mesmo com os atrasos da crise, a cidade tem as estradas asfaltadas para João Monlevade e Nova Era, a Unifei e terá, em breve, a terceira pista até o trevo da BR-381. ?Se compararmos com cidades com o mesmo número de habitantes, Itabira realmente possui uma boa estrutura e a Vale, Acita e Prefeitura têm todas as condições para atrair investidores e contribuir para o nosso desenvolvimento?, avalia Penido. No setor de serviços, no entanto, o município ainda é muito carente e precisa melhorar, na opinião do economista.;João Monlevade;A 30 quilômetros de Itabira, João Monlevade também vive um momento de grande expectativa. A direção da ArcelorMittal, a maior siderúrgica do mundo, aprovou a retomada da duplicação da usina na cidade, que produz aços longos. A atual capacidade de produção, de 1,2 milhão, passará para 2,4 milhões de toneladas anuais de aço bruto. Os investimentos, da ordem de US$ 1,2 bilhão, se destinam à construção de uma nova sinterização (2,3 milhões de toneladas por ano); um novo Alto-forno (1,12 milhão de toneladas por ano) para duplicar a produção atual de gusa, e de uma terceira linha de laminação (1,15 milhão de toneladas por ano) para dobrar o volume de produção de fio-máquina para 2,3 milhões de toneladas por ano. A usina também duplicará a capacidade de produção da Aciaria, que atingirá 2,4 milhões de toneladas de tarugos por ano quando entrar em operação.;As obras estão sendo reiniciadas neste mês, com prazo de conclusão previsto para 24 meses. Iniciada em 2008, a expansão foi suspensa com a crise financeira internacional no último trimestre daquele ano. Apenas obras civis de preparação para a duplicação foram realizadas. A expansão da ArcelorMittal Monlevade contribuirá com um incremento na arrecadação de tributos de aproximadamente R$ 200 milhões por ano, a partir de 2014, com a operação plena da usina.;Sobre fornecimento, a ArcelorMittal Monlevade também vai priorizar os empresários locais. Atualmente, segundo dados da siderúrgica, João Monlevade fornece 98% de todos os serviços e 14% de todo material usado na unidade. Itabira representa apenas 1,8% e 0,1%, respectivamente.;Para o projeto de duplicação, a empresa vai continuar com a política de compras visando aos fornecedores locais, desde que eles apresentem as mesmas condições de oferta de qualificação técnica, atendimento e custo do mercado. Atualmente, as aquisições da ArcelorMittal são realizadas por uma central de compras corporativa, que conduz esse processo para toda a ArcelorMittal Brasil.;Na primeira etapa do projeto de expansão, a maior demanda será por serviços na área de construção civil e, na segunda, pelos serviços de montagem mecânica, elétrica e eletrônica. Por ser uma atividade que demanda diversos serviços e materiais de alta tecnologia, o que não for possível encontrar em Monlevade e região, outros centros de fornecimento atenderão. Para quem está preparado, a hora é agora.;;Projeto Conceição-Itabiritos
O Conceição-Itabiritos é um projeto inovador, baseado em tecnologias desenvolvidas pela própria Vale que permitirão transformar materiais estéreis, até então inviáveis comercialmente, em produtos de valor agregado.; Com isso, a empresa espera consolidar a tecnologia de beneficiamento de itabiritos de baixo teor, cerca de 40% de ferro, possibilitando a aplicação em outras minas.;O projeto também tem como característica o cuidado com meio ambiente. Ao aproveitar o material que era dispensado, há também uma redução na demanda por áreas de disposição de estéril e uma redução significativa no volume das pilhas. O empreendimento está localizado na mina de Conceição e prevê a construção de uma Instalação de Tratamento de Minério (ITM) com capacidade produtiva de 12 milhões de toneladas por ano (Mta) de Pellet Feed.;Programa Inove, da Vale
O Inove é um programa da Vale que tem como objetivo fortalecer o relacionamento com os pequenos e médios fornecedores regionais por meio de capacitação, disponibilização de linhas de crédito e incentivo. É um programa nacional implantado em todas as regiões onde a mineradora atua. A iniciativa tem parceria com grandes instituições como SENAI, Cefet, universidades e outras instituições, para incentivar e facilitar a qualificação profissional.;A empresa disponibiliza também uma plataforma de educação on-line, o portal (www.conhecimentoonline.com.br/inove), que atende a todos os fornecedores e dá a eles a possibilidade de realizar cursos de qualificação técnica e gerencial a custos muito atrativos. Em Itabira, 12 empresas fornecedoras utilizam as linhas de crédito disponíveis no Inove.;Além das ferramentas de educação on-line, a partir do segundo semestre deste ano serão oferecidos cursos presenciais que reforçarão a grade de cursos disponíveis aos fornecedores através da Trilha Inove de Desenvolvimento de Fornecedores.;Programa de Desenvolvimento de Fornecedores, da ArcelorMittal
Entre os programa voltados a fornecedores da ArcelorMittal, o mais importante é o PDF (Programa de Desenvolvimento de Fornecedores), cujo objetivo é avaliar o desenvolvimento técnico e gerencial de fornecedores da ArcelorMittal Monlevade. É um programa direcionado a empresas que já sejam fornecedoras da ArcelorMittal.

DeFato


Compartilhe:

Assine nossa newsletter e fique por dentro das últimas notícias do setor INSCREVER