Grupos apostam em mineração
09/02/2012
Ideia é reduzir dependência e, ao mesmo tempo, se proteger das oscilações do mercado de aço.
Na tentativa de recompor as margens perdidas nos últimos anos, as siderúrgicas estão, cada vez mais, se tornando companhias que atuam tanto na produção de aço quanto na exploração de minério. E investimentos pesados por parte de grandes conglomerados estão aumentando gradativamente a importância da extração mineral nos negócios do setor. ;Com isso, os grupos estão reduzindo a dependência das grandes mineradoras, ao mesmo tempo em que se protegem das oscilações do mercado global de aço, que hoje apresenta sobreoferta. Além de verticalizar a produção, o excedente extraído nas jazidas é comercializado para terceiros, aumentando o faturamento das usinas. ;Entre as empresas que estão liderando este processo está a ArcelorMittal. “Nós somos agora uma companhia de aço e minérios”, confirmou o CEO, Lakshimi Mittal, em entrevista ao “The Wall Street Journal”. Em seu balanço, divulgado ontem, a Arcelor revelou que a área de mineração, que engloba minério de ferro e carvão vegetal, respondeu por aproximadamente 30% da geração de caixa medida pelo Ebitda – lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização – do grupo no ano passado. O resultado do segmento de exploração mineral ficou em US$ 3 bilhões, enquanto que o total chegou a US$ 10,1 bilhões no mesmo período. ;Em 2011, a companhia lucrou US$ 1,6 bilhão na área da mineração, o que corresponde a uma alta de 65% em relação ao montante registrado em 2010, US$ 2,6 bilhões. A receita líquida na mineração aumentou 44% e passou de US$ 4,3 bilhões para US$ 6,2 bilhões em 2011. Esta é a primeira vez que a Arcelor divulga detalhadamente os resultados da mineração. ;Para especialistas, a tendência é que em alguns anos a venda de minério de ferro, por exemplo, seja responsável por grande parte do faturamento e do lucro destes conglomerados. ;De acordo com o analista do Banco Geração Futuro, Rafael Weber, os aportes em mineração por parte das siderúrgicas são uma forma destas empresas reverterem as perdas provocadas pelo excedente de aço no mercado internacional. Isso porque, com a sobreoferta, aliada ao aumento significativo no preço dos insumos, principalmente o minério, houve uma queda significativa nos lucros. ;Paralelamente, o setor estaria buscando uma menor dependência das grandes mineradoras, além de diversificar as atividades, na opinião da analista da Tendências Consultoria, Stefânia Grezzana. Ela lembra que praticamente todas as siderúrgicas mantêm projetos para a exploração mineral. A ArcelorMittal, por exemplo, deverá finalizar neste ano investimentos na ampliação da mina de Andrade, no Quadrilátero Ferrífero. Com os aportes, a produção passará de 1,350 milhão de toneladas para 3,5 milhões de toneladas. ;Também merece destaque a inversão que está sendo feita pela Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S/A (Usiminas). Somente em mineração, a empresa, em parceria com o grupo japonês Sumitomo, pretende investir R$ 4 bilhões até 2015. Com os aportes, a Usiminas Mineração pretende alcançar a autossuficiência em minério de ferro. A produção em suas jazidas passará de um patamar atual de 7 milhões de toneladas/ano para 29 milhões de toneladas anuais. ;No caso da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), as vendas de minério já respondem por 58,7% da geração de caixa do grupo. Além de atender à demanda própria, a CSN comercializa no mercado externo o excedente de suas jazidas em Minas Gerais. A empresa extrai a commodity na mina Casa de Pedra e controla a Nacional Minérios S/A (Namisa), ambas em Congonhas (Campos das Vertentes). Na área de mineração, a CSN tem plano de investimentos de R$ 8,7 bilhões em suas jazidas situadas no Estado até 2015, com o objetivo de alcançar a produção de 89 milhões de toneladas anuais de minério de ferro.
Diário do Comércio