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Governo tenta atrair Vale para terras-raras

Notícias Gerais

11/05/2011


Metais: Ministro de Ciência e Tecnologia reúne-se em Brasília hoje com executivos da empresa e especialistas
O governo brasileiro decidiu entrar no clube dos países que enfrentam o virtual monopólio da China na produção e venda de terras-raras, minerais como a monazita, usados em componentes fundamentais da indústria eletroeletrônica. Hoje, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloyzio Mercadante, reúne-se com especialistas da área e executivos da Vale, para avaliar a participação da empresa no projeto de exploração desses minérios e seu uso em produtos de maior valor agregado, como imãs de alta potência, usados em equipamentos como turbinas de geração de energia eólica ou discos rígidos de computador.
;A Vale informou, por intermédio da assessoria, que não comenta o assunto. Mercadante espera, com otimismo, o relatório da empresa sobre as perspectivas do negócio, que exige apoio governamental e condições de financiamento favoráveis, para enfrentar a concorrência a baixos preços dos chineses e vencer problemas logísticos e de custo para produção desses minerais. As terras raras são encontradas na natureza associadas em pequena quantidade a outros minerais, e o processo de separação até recentemente produzia resíduos corrosivos altamente poluentes.
;O projeto de produção de terras-raras no Brasil, com sua transformação em produtos como imãs de alta potência é tema também de negociações de cooperação técnica em inovação com a Alemanha. O governo negocia apoio da fundação Frahnhoffer alemã, e a proposta de transformar a produção de imãs de terras-raras no país em um dos projetos pilotos de cooperação com a Alemanha foi discutida com a missão que, na semana passada, acompanhou a visita do presidente alemão, Christian Wulff, com uma missão empresarial.
“A empresa que reúne mais condições para atuar nessa área é a Vale, minha visão é que (o projeto de produção de terras-raras no Brasil) agregaria muito à Vale”, comentou ao Valor o ministro Mercadante, que vê a possibilidade de atrair, para o projeto, a Vale Soluções de Energia, subsidiária da empresa voltada a investimentos em energia sustentável.
Os estudos do ministério, com participação alemã, começaram ainda em 2010, e apontaram o mercado de turbinas eólicas como um dos mais promissores para os futuros imãs de terras-raras a serem fabricados no Brasil. É um mercado que deve aumentar em 1 gigawatt ao ano, nos próximos dez anos, e já há fabricantes de turbinas com essa tecnologia que atuam no Brasil – a GE e a Impsa -, com fábricas no país, As aplicações, porém, são inúmeras, de automóveis elétricos a eletrodomésticos e aparelhos de ressonância magnética.
Hoje, boa parte do uso de terras-raras está concentrado em catalisadores para processamento de petróleo, segundo o professor Osvaldo Antônio Serra, do Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP). “Na Argentina também era assim, e eles ficaram sem combustível na Guerra das Malvinas, quando os Estados Unidos suspenderam a venda de catalisadores ao país”, lembra o pesquisador. A Fábrica Carioca de Catalisadores (FCC) usa 900 toneladas de um composto de lantânio, uma terra rara, e tem manifestado preocupação com restrições no abastecimento.
;Os chineses produzem 97% das terras-raras usadas no mundo. É um mineral indispensável, por exemplo, na produção de telas (displays) eletrônicas usadas em computadores, como os Ipads da Apple, que a empresa taiwanesa Foxconn pretende fabricar também no Brasil. Os preços desses minerais subiram mais de dez vezes nos últimos dois anos, devido ás crescentes restrições ambientais e também ao aumento no consumo da própria China, que hoje absorve 70% da produção interna.
No ministério da Ciência e tecnologia, circula um estudo do pesquisador Chen Zhanheng, publicado no jornal especializado “Journal of Rare Earths”, uma publicação científica, que aponta a existência de reservas de terrar raras em 34 países, alguns dos quais, como Austrália e Estados Unidos, decididos a começar a produção. A preocupação em reduzir a dependência em relação à China aumentou após 2010, quando a China embargou as exportações de terras raras ao japão em represália pela prisão do comandante de um barco de pesca chinês em território marítimo sob disputa entre os dois países.
;”Consideramos que, se a Vale entrar, teremos a maior mineradora do mundo capaz de dar viabilidade econômica ao negócio”, diz Mercadante. Os assessores do ministro reconhecem, porém, que não é simples a criação de condições para dar viabilidade ao projeto, que, se aprovado, deverá começar ainda este ano com apoio de centros de pesquisa e produção em escala muito pequena de óxidos de terras raras para fabricação de protótipos de imãs no país. A reunião de hoje, com a Vale, será decisiva para fazer avançar o projeto, admite Mercadante.

Valor Econômico


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