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Governo quer usar carvão extraído pela Vale para garantir crédito a obras em Moçambique

Notícias Gerais

22/11/2011


O Brasil quer usar o carvão extraído pela Vale na mina de Moatize, em Moçambique, como garantia para aumentar os financiamentos de instituições brasileiras a obras de infraestrutura naquele país africano. A proposta foi apresentada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, ao ministro de Finanças de Moçambique, Manuel Chang, com quem se encontrou ontem em Maputo.
Pela proposta de Pimentel, o governo brasileiro garantiria o total ou parte dos recursos desejados pelo governo moçambicano para a construção de uma barragem destinada ao abastecimento de água da capital e entorno. Como garantia, os dois governos assinariam um acordo pelo qual o pagamento seria feito diretamente pela Vale, que depositaria no Brasil o dinheiro destinado ao pagamento de royalties e concessões relativas à gigantesca usina de carvão mineral explorada pela empresa em Moatize, na região central do país.
A barragem de Moamba Majos, para a qual o governo moçambicano busca financiamento de aproximadamente US$ 365 milhões, é considerada fundamental para evitar um colapso no abastecimento de água a Maputo e adjacências, em meados desta década. O interesse em financiamento brasileiro foi manifestado pelo ministro moçambicano de Indústria e Comércio, ministro Armando Inroga, em visita a Brasilia, há um mês.
O Brasil já tem grande volume de financiamentos à infraestrutura moçambicana, porém, com cerca de US$ 300 milhões comprometidos em obras como o porto e o aeroporto de Nacala, por onde a Vale espera escoar a produção de carvão mineral e outros minérios que extrai no país, além de um corredor de transporte interurbano em Maputo. O modelo sugerido por Pimentel é inspirado na conta-petróleo mantida pelo Brasil com Angola, na qual financiamentos concedidos aos angolanos têm, como garantia, o óleo fornecido aos brasileiros.
O ministro moçambicano informou a Pimentel que vai avaliar a proposta brasileira. A mina de Moatize começou a produzir no terceiro trimestre, com previsão de produção anual de 1 milhão a 1,5 milhão de toneladas, ampliada gradualmente até atingir 11 milhões, em dez anos. A empresa espera começar a vender a produção de Moatize no início de 2012, e já prevê a ampliação das atividades da mina, para permitir a duplicação da produção, a começar de 2014.

Valor Econômico


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