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Governo procura terras-raras em Minas Gerais

Notícias Gerais

01/08/2011


Potencial de reservas no Estado pode chegar a 30 milhões de toneladas e as de maior porte estão localizadas em Poços de Caldas, Araxá e Tapira
A corrida mundial por reservas de terras-raras chegou ao Brasil e o Governo federal vai injetar R$ 18,5 milhões para realizar o mapeamento geológico do país em busca de novos depósitos de minerais. A disparada nos preços pode viabilizar a produção em reservas consideradas inviáveis economicamente no passado, porém uma bolha pode estar se formando. Considerado um dos mais importantes minerais de terras-raras, o neodímio, utilizado, por exemplo, para fabricação de discos rígidos de computadores, estava precificado em US$ 15 o quilo em 2009. Chegou a US$ 50 em janeiro deste ano e este mês já é comercializado por nada menos do que US$ 300.
As terras-raras são um conjunto de 17 elementos químicos que, diferentemente do que o nome pelo qual ficaram conhecidas sugere, não são tão raras, sendo, inclusive, mais comuns do que o ouro. O Brasil, que hoje tem reservas que respondem por menos de 1% da produção mundial, pretende, até 2013, participar deste mercado, senão como protagonista, pelo menos abocanhando uma parte mais significativa dos US$ 5 bilhões que o setor movimenta anualmente, cifra que deverá aumentar consideravelmente nos próximos anos.
A busca por novas reservas ocorre porque parte das terras-raras são insubstituíveis. O európio (EU), quando transformado em óxido, é utilizado na formação do fósforo vermelho, utilizado no cinescópio dos televisores de tela plana, e não se conhece outra substância capaz de exercer a mesma função.
O potencial de reservas em Minas Gerais pode chegar a 30 milhões de toneladas, conforme o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). As de maior porte estão localizadas em Poços de Caldas, Araxá e Tapira.
No entanto, o volume das reservas não indica o potencial de produção, o que justifica, em parte, a participação irrelevante do Brasil no cenário mundial.
Teor define a viabilidade econômica de projetos
?O que define a viabilidade é o teor dos minerais. Como a produção tem custo elevado, quanto menor o teor, maior o gasto com beneficiamento, o que pode inviabilizar a exploração?, o diretor de Inovação do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Fernando Landgraf.
O investimento do governo será realizado via Serviço Geológico do Brasil (CPRM) com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Este ano serão R$ 2,3 milhões na primeira fase do projeto.
?Já iniciamos a busca por dados e percebemos que Minas tem papel importante. Em 2012 teremos a localização exata dos depósitos no Estado?, disse o chefe do departamento de recursos minerais do CPRM, Reinaldo Brito.
A valorização das terras-raras favoreceu o relançamento de projetos até então descartados pelo alto custo de produção. Landgraf estima que em dois anos estes projetos vão ofertar um grande volume de minerais e derrubar os preços.
?É uma bolha. A oferta de terras-raras em projetos fora da China vai crescer muito, e rápido, porque já são jazidas conhecidas e poucos produtores se manterão no mercado?, disse.
O gerente-executivo do polo de mineração da Secretaria de Estado de Ciência Tecnologia e Ensino Superior (Sectes), Renato Cimineli, informou que grupos canadenses e australianos fizeram prospecção de reservas em Minas, porém os resultados foram desanimadores. ?O potencial é considerado grande, mas as pesquisas nunca o confirmaram?, afirmou.

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