Governantes erram ao considerar apenas picos de lucratividade para estabelecer contribuições das mineradoras, diz especialista
23/09/2009
Belo Horizonte 23/09/2009 – O Presidente do ICMM ? Conselho Internacional de Mineração e Metais (www.icmm.com) , Anthony Hodge, criticou; governantes que, segundo ele, não levam em conta todo o ciclo de duração de um empreendimento minerário para avaliar seu potencial de contribuição à sociedade, como por meio de recolhimento de impostos, entre outras formas. ?O rendimento de um projeto apresenta picos de lucratividade e momentos em que não há lucro algum, como na fase final, depois que a mina já se esgotou. Os governantes têm que levar isso em conta e não apenas olhar o pico de lucratividade?, disse.Hodge não fez referência direta ao Brasil, onde o governo tem anunciado que pretende elevar os encargos e impostos recolhidos pela mineração brasileira, o que encontra forte resistência entre as empresas, que temem enfrentar mais dificuldades de se recuperarem dos fortes impactos da crise internacional. ?As mineradoras estão recuperando espaço gradualmente. A crise provocou estragos sérios no setor. Falar em aumentar carga neste momento é inapropriado. Estamos em contato com as autoridades para sermos ouvidos a respeito?, disse Paulo Camillo Penna, Presidente do IBRAM (www.ibram.org.br), que participou com Hodge do painel Sustentabilidade na Mineração, no penúltimo dia do 13º Congresso Brasileiro de Mineração, no Expominas.Hodge considera que cada vez mais a sociedade discute a distribuição dos benefícios da mineração, mas também é preciso debater a distribuição das responsabilidades relacionadas a cada projeto. E cabe às mineradoras ?demonstrar que praticam o que pregam?, se referindo à sustentabilidade, e exigirem de seus fornecedores e parceiros comerciais o mesmo tipo de comportamento. ?Imaginem se uma mineradora que tem como política praticar a sustentabilidade em tudo, por acaso contrata uma empresa terceirizada de terraplanagem que não tem esta mesma preocupação? Pode por a perder todo o esforço empreendido até então?.Esse comportamento é vital até para atrair investimentos aos projetos. ?Os fundos de investimentos, importantes para o financiamento dos projetos minerais, podem abandonar os que não refletirem valores sociais e ambientais?, disse Hodge. Pouco antes de lançar com Paulo Camillo Penna, do IBRAM, um manual técnico que orienta mineradoras a planejar o fechamento de suas minas, Hodge disse que o relacionamento entre a mineradora e a comunidade não acaba quando a mina se esgota. ?O relacionamento tem que ser planejado para durar durante várias gerações. É um desafio sério?. É isso o que faz a mineradora de bauxita, Alcoa, em Juruti, no Oeste Paraense. ?Quando daqui a uns 70 anos a mina de Juruti se esgotar, o município já terá desenvolvido outras atividades econômicas, sem que haja dependência em relação ao projeto minerário?, disse Nemércio Nogueira, Diretor de Assuntos Institucionais da Alcoa, que também participou do painel.Assessoria de Comunicaçõ do IBRAM / Profissionais do Texto