Glencore prepara compra de cobre no Peru
19/07/2011
A Glencore está preparando a aquisição, por US$ 475 milhões, de um dos maiores indícios de veios de cobre do Peru, dando prosseguimento a uma consolidação que está ocorrendo no setor.;
A suíça Glencore, a maior negociadora de commodities de capital aberto do mundo – e que captou cerca de US$ 10 bilhões em maio na maior oferta pública inicial de ações já feita na Europa -, acertou a compra da participação de 70% que o CST Mining Group de Hong Kong tem na Marcobre, a mineradora de cobre do Peru. A Marcobre controla o projeto de exploração e desenvolvimento Mina Justa, que fica ao sul de Lima e tem minério de cobre de qualidade inferior.;
A indústria do cobre recentemente vem passando por uma rodada de consolidação, em que grandes mineradoras estão comprando pequenas produtoras. A mineradora de ouro canadense Barrick comprou este ano a produtora de cobre Equinox Minerals por quase US$ 8 bilhões, e este mês a chinesa Jinchuan bateu a Vale na disputa pela mineradora de cobre listada na África do Sul Metorex, comprando-a por US$ 1,3 bilhão.;
A iniciativa se encaixa na ambição declarada pela Glencore de usar sua listagem no começo do ano para lhe proporcionar um poder de fogo financeiro para aquisições ambiciosas no setor de commodities e o reforço de suas operações na América Latina.;
“Mina Justa é um complemento ideal às operações polimetálicas que a Glencore já tem no Peru e contribui com um valor significativo para os ativos mundiais do grupo na mineração de cobre”, disse Daniel Maté, codiretor do departamento de zinco, cobre e chumbo da Glencore.;
Ash Lazemby, analista da Liberum Capital, disse em uma nota que a Glencore está pagando cerca de 54 centavos de dólar por libra das reservas de cobre, significativamente menos que os 94 centavos por libra que a Jinchuan pretende pagar pela Metorex. “Embora o desconto de 43% reflita a situação de desenvolvimento anterior do projeto, o negócio ainda assim parece ter um preço atraente para a Glencore.”;
A operação está sujeita a uma série de condições que incluem a conclusão de uma devida diligência satisfatória e a aprovação dos acionistas, e não deverá ser concluída antes de outubro.;
Na semana passada a Glencore disse que decidiu parar de divulgar seus resultados a cada trimestre, numa iniciativa que deverá amenizar as tensões com a Xstrata, a companhia mineradora na qual ela tem uma participação de 34%. A negociadora de commodities ofereceu-se para pagar até US$ 2,4 milhões para convencer os detentores de bônus a aprovar uma mudança nas condições de um de seus bônus, o que permitiria desistir da divulgação trimestral dos resultados.;
O preço da ação da Glencore, que já caiu quase 9% desde que ela abriu o capital no fim de maio, a 530 pence, perdeu ontem 8,9 pence para 488 pence.
Valor Econômico