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Glencore prepara abertura de capital

Notícias Gerais

27/01/2011


A oferta pública de ações para abertura de capital que a Glencore International AG está preparando pode ser acompanhada rapidamente por outra transação gigantesca: a fusão da trading suíça de commodities com a mineradora Xstrata PLC.
A Glencore, de capital fechado, planeja vender até US$ 10 bilhões em ações até junho em Hong Kong e Londres, segundo pessoas a par da situação. Se chegar aos US$ 10 bilhões, a abertura de capital será a quarta maior na história da Europa, segundo a Dealogic.
A oferta pública será acompanhada atentamente não apenas como uma medida da confiança dos investidores, mas também como indicador da probabilidade e do formato de uma possível fusão entre a Glencore e a Xstrata, cogitada há muito tempo.
A Glencore, uma das maiores tradings de alumínio, níquel e outros metais, bem como uma importante vendedora de outros produtos como petróleo, grãos e açúcar, já tem 34% da Xstrata, uma mineradora de cobre, carvão e outras commodities registrada na Bolsa de Londres e com um valor de mercado de 42,5 bilhões de libras esterlinas (US$ 67,5 bilhões). A abertura de capital da Glencore deve avaliar a empresa em até US$ 60 bilhões, incluindo dívidas.
A abertura de capital servirá a vários propósitos para a Glencore: ela pode permitir que os sócios mais antigos liquidem suas aplicações no negócio e propiciem à empresa o capital necessário para investir em expansão.
Mas talvez o mais importante é que a operação tem o potencial de abrir caminho para uma eventual fusão entre a Glencore e a Xstrata ? talvez por meio de uma aquisição da Xstrata pela Glencore, segundo pessoas a par da questão.
A abertura de capital servirá a dois propósitos: estabelecer um valor de mercado para a Glencore, o que pode facilitar as negociações entre seu diretor-presidente, Ivan Glasenberg, e seu colega na Xstrata, Mick Davis; e propiciar total transparência sobre os negócios da Glencore, algo que os acionistas da Xstrata provavelmente vão exigir antes de aprovar uma venda ou fusão.
Sempre operando com muita discrição, a Glencore tem o capital fechado desde que foi fundada, em 1974, pelo trader de commodities Marc Rich. Em 1983, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou Rich de evasão fiscal e de comprar petróleo iraniano durante a crise dos reféns americanos no Irã. Rich, que não está mais envolvido com a empresa, foi perdoado pelo presidente Bill Clinton quando ele terminou o segundo mandato, em 2001.
A divulgação dos dados da Glencore, por sua vez, pode jogar luz sobre o que se cogita ser uma fortuna fabulosa criada no decorrer dos anos na empresa por Glasenberg e seus sócios.
A Glencore e a Xstrata pouco se pronunciaram publicamente sobre a abertura de capital da Glencore ou uma possível fusão, mas, em resposta a uma pergunta durante uma teleconferência com investidores em dezembro, Davis disse: “Eu não recebi para analisar nenhuma proposta da Glencore sugerindo uma fusão com a Xstrata, e se eles fizerem uma, ela seria considerada no contexto dos outros 65% dos acionistas”.
A Glencore não poderia votar de acordo com sua participação caso qualquer acordo seja proposto.
Mas depois que um padrão de negócios com as ações da Glencore for estabelecido, o que pode levar vários meses, os dois lados devem começar a estudar uma fusão.
A fusão criaria oportunidades enormes para os dois lados, disseram banqueiros e analistas.
“Para a Xstrata, ter acesso à grande e líquida base de capital de uma empresa resultante da fusão será muito atraente se ela planeja realizar mais aquisições”, disse Peter O`Malley, diretor de recursos naturais e energéticos para a Ásia e Oceania do HSBC Holdings PLC. A Xstrata fracassou várias vezes em suas tentativas de fechar acordos de fusão e aquisição nos últimos anos, especialmente uma fusão com a mineradora britânica Algo American PLC.
A Glencore, que opera principalmente como trading, também se beneficiaria do acesso aos recursos naturais produzidos pela Xstrata, disse O`Malley. “Que maneira mais natural de entrar em ativos físicos que uma fusão com a prima, a Xstrata?” As empresas podem economizar custos eliminando infraestrutura redundante, disseram analistas.
Uma fusão com a Glencore pode coroar a carreira de Davis, que transformou a Xstrata numa gigante por meio de uma série de aquisições. Ele continua defendendo mais consolidação no setor.
Mas analistas dizem que ele precisa do acordo menos que a Glencore. “A Xstrata cresceu tanto que saiu da sombra de seu maior acionista”, disse Andy Davidson, da Numis Securities.
Está longe de certo se as duas empresas podem fechar um acordo. Se o forte desempenho recente das ações das empresas de mineração perder fôlego, isso pode enfraquecer a disposição das empresas para se fundir. Temores de choque entre culturas empresariais também precisarão ser superados. Uma união da Glencore com a Xstrata pode alienar os outros clientes da Glencore.
As duas empresas têm ligações há muito tempo. Em 2001, a Glencore cancelou um plano para desmembrar alguns de seus ativos de carvão depois dos atentados de 11 de setembro de 2001. Davis sugeriu que a Glencore vendesse os ativos à Xstrata, então uma pequena mineradora cujo comando ele tinha acabado de assumir, em vez de colocá-los em bolsa. Esses ativos formaram a base para a abertura de capital da Xstrata na Bolsa de Londres, em 2002.
As duas empresas também têm o mesmo presidente do conselho, Willy Strothotte, e a Glencore já distribui parte da produção da Xstrata e a ajuda a vender seus produtos da maneira mais lucrativa.
Mas surgiu tensão entre Davis e Glasenberg em 2009, quando a Xstrata tentou vender ações para fortalecer suas finanças. A Glencore não tinha recursos para participar da emissão, então, em vez de dinheiro, trocou sua mineradora colombiana de carvão, a Prodeco, pelo equivalente a US$ 2 bilhões.
Mas, para acertar as diferenças entre as duas sobre o valor do acordo do carvão, os dois lados concordaram que a Glencore ganharia a opção de comprar os negócios de volta a um preço maior. Ela acabou exercendo essa opção ano passado, comprando-as de volta por US$ 2,5 bilhões. Na época, alguns acionistas ficaram irritados com o que consideraram um acordo especial entre as duas empresas.

The Wall Street Journal


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