Glencore exige compensação por nacionalização de mina na Bolívia
25/06/2012
O grupo suíço Glencore anunciou nesta sexta-feira que buscará compensações pela nacionalização da mina Colquiri de exploração de estanho e zinco, na Bolívia.
O governo esquerdista boliviano, liderado por Evo Morales, assumiu o controle das operações de Colquiri na quarta-feira, após semanas de violentos protestos.
Morales, que já nacionalizou os setores de eletricidade e gás natural do país andino, disse que o decreto devolve a Sinchi Wayra, propriedade da Glencore desde 2005, para as mãos do Estado.
Com a nacionalização, é resolvida a disputa entre trabalhadores e mineradores independentes, que já deixou 18 pessoas feridas.
Na sexta-feira, a Glencore disse que entregaria o controle da empresa de maneira organizada, mas que condenava as decisões do governo.
“A Glencore protesta fortemente contra a medidas tomadas pelo governo da Bolívia, e se reserva o direito de buscar uma compensação justa, de acordo com todos os recursos disponíveis, internacionais e domésticos”, disse a companhia em um comunicado.
Dominic OKane, analista da Liberum Capital, disse que a mina era “pequena”, dentro do contexto das operações internacionais da Glencore.
“É uma mina muito, muito pequena. Não é particularmente importante”.
A empresa, no entanto, disse que investigou os efeitos que a nacionalização teria sobre os investimentos estrangeiros na Bolívia, onde Morales tenta capitalizar os altos preços dos metais com reformas radicais na mineração.;
“A medida tomada pelo governo da Bolívia gerará uma série de graves questionamentos a respeito às futuras políticas do governo em relação aos investimentos estrangeiros no setor de mineração”, afirmou a Glencore.
O grupo disse que pagou mais de 300 milhões de dólares em taxas ao governo boliviano, incluindo um valor de mais de 70 milhões de dólares, pela mina de Colquiri, e que havia investido mais de 160 milhões de dólares no país durante os cinco anos seguintes.
Reuters