Glencore define bancos para operação
23/03/2011
A Glencore está pronta para revelar o grupo de bancos escolhidos para trabalhar em sua abertura de capital, há muito aguardada, o sinal mais forte até agora de que a maior empresa mundial de comércio de commodities seguirá adiante com sua oferta pública inicial de ações multibilionária.
A “trading” de commodities suíça pretende manter o grupo principal de bancos que a assessorou até agora no papel de coordenadores globais – Morgan Stanley, Citigroup e Credit Suisse.
A empresa está preparada para acrescentar pelo menos cinco outros bancos ao grupo de emissores que administrarão a oferta inicial.
Entre esses bancos poderiam estar nomes como Bank of America Merrill Lynch, Barclays Capital, BNP Paribas, Société Générale e UBS.
A Glencore pretende vender participação em torno de 20%, avaliada entre US$ 10 bilhões e US$ 12 bilhões, em Londres e Hong Kong, em maio, o que lhe conferiria valor de US$ 60 bilhões. Caso os valores imaginados se concretizem, a abertura de capital da companhia mercantil será uma das maiores na história, ficando em terceiro entre as já realizadas na Europa e em segundo em Londres, de acordo com a empresa de dados Dealogic.
O grupo de bancos provavelmente ganharia entre US$ 200 milhões e US$ 350 milhões com a subscrição da oferta, o que poderia dar início a um período próspero em comissões para as equipes de mercados de capitais dessas instituições financeiras. “Além disso, haverá o prestígio de ter feito um dos maiores negócios do ano”, disse um executivo de banco, que não está envolvido na transação.
Os bancos selecionados como emissores estão entre as instituições que concedem créditos à Glencore.
Goldman Sachs, que não é credor da Glencore, e J.P. Morgan e Deutsche Bank, que tradicionalmente assessoram a Xstrata, mineradora na qual a Glencore é a maior acionista, ficariam de fora da oferta inicial.
Embora o interesse de investidores na abertura de capital pareça ser elevado, os executivos de banco ainda terão de trabalhar para convencer grandes instituições a comprar ações de uma empresa singular, que não tem concorrentes comparáveis, em um momento no qual os mercados estão voláteis, em meio à crise nuclear no Japão e à instabilidade no Oriente Médio.
Ivan Glasenberg, executivo-chefe da Glencore, vem buscando conquistar o apoio de grandes investidores na Ásia e América do Norte.
Valor Econômico