NOTÍCIAS

Gestão sistêmica e integrada de recursos hídricos na indústria da mineração: Uma nova abordagem

Notícias Gerais

13/02/2015


Cláudia Salles – Gerente de Assuntos Ambientais do Instituto Brasileiro de Mineração – IBRAMA operação de mineração está condicionada à disponibilidade dos recursos naturais, notadamente o recurso água. Os empreendimentos minerários destacam-se pela significativa interação com os recursos hídricos superficiais e subterrâneos, seja pelo seu uso nos processos produtivos, seja por estarem localizados nas regiões de nascentes e recarga hídrica.A utilização da água não se limita ao processo de lavra, mas também se estende para as atividades de beneficiamento e transporte dos minérios, como também ao encerramento da mina. O contexto hidrológico no qual se localizam os veios é importante para determinar a eficiência e a viabilidade técnica e econômica da lavra. As empresas de mineração planejam, desde a fase de pesquisa até a de pós-fechamento, com ferramentas apropriadas, desenhando e implantando as medidas preventivas e corretivas mais adequadas.A disponibilidade e a qualidade de água são cruciais para a mineração. O seu gerenciamento envolve componentes multidisciplinares visto que precisa atender a diferentes objetivos, sejam econômicos, ambientais ou sociais. A utilização de água na mineração atinge valores elevados. Logo, há um crescente interesse quanto ao uso racional deste recurso pelas empresas do setor mineral. Isto se reflete nas boas práticas de gestão de recursos hídricos, fundamentais para a manutenção do negócio e tarefa-chave durante todo o vida de uma mina.Visão sistêmica e integrada são hoje práticas de um bom gerenciamento. Promover o gerenciamento de longo prazo, a integração com diversos usuários de uma bacia hidrográfica e os estudos de disponibilidade hídrica são fundamentais para garantir a sustentabilidade de um empreendimento mineral. O sucesso do gerenciamento de recursos hídricos está necessariamente ligado ao conhecimento dos recursos disponíveis no entorno do projeto, ao monitoramento do regime dos corpos de água em termos de qualidade e quantidade e ao conhecimento do balanço hídrico do projeto e das bacias hidrográficas em que o empreendimento está inserido, sempre buscando alternativas de consumo.Abre-se aí um leque de possibilidades. O setor, impulsionado pelas externalidades e pela crescente demanda de água em seus processos, tem, cada vez mais, desenvolvido novas rotas tecnológicas que possibilitam otimizar o consumo de recursos hídricos. Circuitos fechados de água para o resfriamento no processo de produção, que acabam com a geração de efluentes; Diversificação das fontes de água, como captação de água de chuva, que, além de diminuir a retirada da água superficial, diminui a energia dispensada com o bombeamento de água de outras fontes; Beneficiamento a seco do minério de ferro utilizando-se da umidade do próprio ambiente para o processo de classificação, dispensando-se, com isso, o uso de água e a geração de rejeitos são alguns exemplos de inovação tecnológica que promovem a racionalização do uso de água nos processos produtivos. Adicionalmente, a água proveniente das bacias de rejeitos, dos espessadores, das operações de filtragens, entre outros, reciclada nas usinas de concentração, contribui para diminuir o consumo de água nova no processo.A relação entre a quantidade de água nova no processo e à reciclagem/recirculação varia de processo para processo. A situação ideal é aquela onde ocorre o chamado descarte zero, isto é, a otimização do processo de reciclagem permite a reutilização de toda água já usada. O setor de mineração tem se esforçado para se aproximar da situação ideal, tratando de reciclar grande parte da água retirada dos corpos hídricos e recirculá-la em seus processos de produção.
;

IBRAM


Compartilhe:

Assine nossa newsletter e fique por dentro das últimas notícias do setor INSCREVER