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Gestão de riscos climáticos na mineração é tema de encontro em Belo Horizonte

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26/10/2026


Especialistas e representantes do setor discutiram previsões para o período chuvoso, impactos do Super El Niño, segurança de estruturas geotécnicas e estratégias de resposta a emergências, além do uso do aplicativo PROX

A preparação para eventos climáticos extremos é um desafio estratégico para a mineração, especialmente diante da possibilidade de chuvas intensas e de mudanças nos padrões climáticos. Esse cenário esteve em discussão no encontro “Preparação e Gestão de Riscos na Mineração diante de eventos climáticos: Super El Niño e Períodos Chuvosos”, realizado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), em parceria com a Agência Nacional de Mineração (ANM), o SINDIEXTRA, a HidroBR, o Instituto Tecnológico Vale (ITV) e a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), nesta quarta-feira (21/10), na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), em Belo Horizonte (MG).

A programação reuniu temas relacionados à prevenção e à segurança operacional, incluindo as previsões climáticas para os próximos meses e os possíveis impactos do fenômeno El Niño nas diferentes regiões do Brasil. Também foram discutidos os desafios da operação de estruturas geotécnicas em condições de estresse, considerando os riscos associados a eventos climáticos adversos.

Aplicativo PROX
Abertura de Seminário realizado na FIEMG. Crédito: Divulgação.

O diretor de Assuntos Minerários do IBRAM, Julio Nery, destacou a importância do encontro com a proximidade do período chuvoso, principalmente em Minas Gerais e da necessidade de as empresas estarem preparadas para enfrentar possíveis eventos extremos. “A preparação antecipada, aliada à cooperação entre empresas, poder público e comunidades, é essencial para reduzir vulnerabilidades e fortalecer a capacidade de resposta a eventos extremos”, avaliou. 

Conforme afirmou a gerente de Assuntos Minerários do IBRAM, Aline Nunes, a utilização do Aplicativo PROX para facilitar o acesso a informações de risco foi um dos pontos focais do encontro. A ferramenta, resultado da parceria consolidada há 5 anos entre o IBRAM e a Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG), permite compartilhar informações sobre eventos climáticos e apoiar a comunicação com as comunidades potencialmente afetadas. 

Aline Nunes destacou que o projeto comemora essa data com seu principal objetivo alcançado. “O uso da ferramenta pelo município de Eldorado do Sul e pelos simulados já realizados por mineradoras e empresas do setor de energia, falam por si só. Esses cases refletem toda a jornada que tivemos até aqui, para a entrega de uma tecnologia que concentra em um só local as informações e recursos necessários para gestão de riscos e comunicação com a sociedade.”

O diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), Luiz Paniago Neves, destacou a importância da atuação conjunta entre empresas, especialistas e órgãos públicos para antecipar cenários e preparar respostas a possíveis emergências. “Nos anteciparmos a essas situações é muito importante para a população, para a Defesa Civil, para a ANM, para a Feam e para todos os órgãos envolvidos”, afirmou.

O diretor de Gestão de Barragens e Recuperação de Área de Mineração e Indústria da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM), Roberto Gomes Júnior, abordou a importância da disponibilização de informações confiáveis e acessíveis. Recursos como a identificação de pontos de encontro e a delimitação de áreas de risco ajudam a população a compreender como agir diante de alertas e contribuem para uma resposta mais coordenada entre os órgãos estaduais e as equipes de Defesa Civil.

Marcelo da Fonseca, diretor geral do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), destacou como o PROX é aliado na divulgação das informações. “O IGAM publica diariamente as previsões do tempo para dar suporte à população e a todos os empreendedores e à Defesa Civil na atuação em casos de eventos extremos. E com a chegada das chuvas é importante que todos os atores fiquem atentos a essas previsões do tempo, recebam essas informações e tomem as medidas necessárias. E por meio do PROX essas informações chegam mais fácil para quem está mais próximo às estruturas”, disse. 

A experiência de Eldorado do Sul (RS), município fortemente atingido pelas enchentes de 2024, demonstrou como a ferramenta pode apoiar o planejamento para situações de emergências para além do contexto da mineração. Segundo Mário Rocha, coordenador municipal de Proteção e Defesa Civil, a busca por uma ferramenta tecnológica de gestão georreferenciada levou o município a adotar o PROX e fechar essa parceria, consolidando o sistema como ferramenta oficialno município. 

“A ferramenta passou a apoiar a elaboração do Plano de Contingência Municipal (PLANCON), incluindo o mapeamento de pontos de encontro e rotas de fuga, além do envio de alertas personalizados para áreas previamente delimitadas. A experiência evidencia o potencial do sistema para contribuir com a organização das ações de prevenção e resposta em territórios sujeitos a diferentes tipos de ameaças”, destacou. 

Julia Jungmann, diretora de Desenvolvimento Institucional do Instituto Mondó, destacou o potencial de ampliar o uso da ferramenta nos territórios, com participação das comunidades e articulação com empresas e organizações locais. A proposta é fortalecer sua aplicação em diferentes etapas da gestão de riscos, desde a prevenção e a preparação até as ações posteriores a eventos climáticos extremos. “O envolvimento das comunidades é fundamental para que as informações disponibilizadas pelo sistema sejam compreendidas e incorporadas ao planejamento local, contribuindo para a adaptação climática e para a redução de vulnerabilidades”, ressaltou. 

A atuação humanitária também integrou os debates. Marcela Balthar, cofundadora do Movimento União BR, compartilhou a experiência da organização no apoio a populações afetadas por catástrofes e emergências em diferentes regiões do país. Com uma rede de mais de 3 mil organizações sociais, o movimento trabalha em articulação com as Defesas Civis e a iniciativa privada para mobilizar recursos e atender com agilidade às necessidades das comunidades atingidas.

A representante ressaltou a possibilidade de conectar essa experiência ao setor mineral e ampliar o potencial do PROX como instrumento de apoio à gestão de emergências climáticas, principalmente nas etapas de prevenção e preparação, incluindo situações de chuvas intensas e incêndios florestais.


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