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Gestão de resíduos é desafio para mineradoras

Notícias Gerais

26/11/2010


A drenagem ácida de minas, fenômeno que já é considerado pelos pesquisadores do mundo inteiro como o maior passivo da indústria de mineração, é hoje objeto de preocupação de toda grande empresa que atua no setor. Isso vale obrigatoriamente, também, para o Brasil e em particular para o Estado do Pará.
?Isso é obrigatório, até porque esta passa a ser uma condição para a empresa mineradora permanecer no mercado?, afirmou ontem, em Belém, o consultor em meio ambiente e mineração Adelino Guillen Taboada, considerado dentro e fora do Brasil uma das maiores autoridades na matéria.
Ex-diretor de meio ambiente, saúde e segurança da Rio Tinto no Brasil, Adelino Taboada foi um dos palestrantes do painel de encerramento do II Congresso de Mineração da Amazônia, aberto no Hangar Centro de Convenções, em Belém, na última terça-feira, e realizado paralelamente à Exposibram Amazônia 2010. Ele discorreu sobre os riscos ambientais no fechamento de minas, num painel que teve também como conferencista o professor Dirk Van Zyl, pesquisador da Universidade de British Columbia, em Vancouver, Canadá.
A drenagem ácida de minas é definida pelos profissionais do setor como sendo uma solução aquosa, ácida, gerada quando minerais sulfetados presentes em resíduos de mineração – rejeito ou estéril – são oxidados em presença de água. No meio científico, já se estabeleceu o consenso de que a drenagem ácida representa o mais grave impacto ambiental associado à mineração. Até porque, conforme explicou ex-diretor da Rio Tinto, a contaminação resultante da atividade mineradora nem sempre aparece de imediato e, o pior, pode durar séculos.
O ex-diretor da Rio Tinto se negou a responder a uma pergunta, feita por um dos participantes do encontro, sobre possíveis soluções para o fechamento da mina de ouro do antigo garimpo de Serra Pelada. Ele explicaria depois que evitou uma resposta porque nunca esteve na área, ignorando por completo como funcionava o garimpo e como vai operar a mina subterrânea.
Adelino Taboada informou que é muito rara a ocorrência de sulfetos em minérios de ferro e manganês, e só às vezes ele ocorre na mineração de ouro. Há grande tendência, porém, para a presença de minerais sulfetados nas minas de cádmio e zinco, além de cobre e níquel, dois minérios cujo ciclo de produção está se iniciando na região de Carajás.
O consultor observou que as empresas sustentáveis não iniciam uma mina sem que tenham antes uma razoável confiança de como poderão operá-la adequadamente. ?O mesmo rigor deveria ser aplicado no fechamento?, afirmou o ex-diretor da Rio Tinto, acrescentando em tom de advertência: ?A filosofia de ?primeiro nós mineramos e faturamos, depois vamos ver como fechamos?, deveria ser coisa do passado?.

Diário do Pará


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