Futuro da Serra do Gandarela está próximo de uma decisão
07/05/2012
Audiências buscam contribuições para definir o destino do local, onde a mineradora Vale planeja investir R$ 4 bilhões
Começa nesta segunda-feira (7), em Raposos, uma série de seis audiências públicas que contribuirão para definir o que será feito na Serra do Gandarela, onde o Instituto Chico Mendes de Preservação da Biodiversidade (ICMBio) desenvolveu projeto para criação do Parque Nacional, para preservação das riquezas naturais como os recursos hídricos e a Mata Atlântica. Por outro lado, a mineradora Vale planeja a abertura na região de uma mina de ferro de grandes proporções, sob aporte de R$ 4 bilhões.
O dilema que será debatido se refere a qual dos dois empreendimentos será executado e sobre a possibilidade da convergência dos interesses, com a retirada de uma parte da área destinada ao Parque para a atividade mineradora.
O Parque deverá abranger parte dos municípios de Caeté, Santa Bárbara, Barão dos Cocais, Raposos, Ouro Preto, Rio Acima, Itabirito e Nova Lima, todos no Quadrilátero Ferrífero. A mina seria explorada entre Caeté, Rio Acima, Santa Bárbara e Raposos. As audiências públicas foram agendadas após o Ministério Público Federal conseguir, na Justiça Federal, uma liminar obrigando o ICMBio a convocá-las ainda nos primeiros seis meses deste ano.
Na cidade de Raposos, que receberá a primeira audiência, o prefeito Nélcio Duarte Neves, não quis comentar o assunto. A Vale comunicou que o empreendimento está em fase de licenciamento, seguindo rigorosamente os trâmites legais, e que na fase de obras devem ser gerados cerca de 4 mil empregos e, na operação, aproximadamente mil postos de trabalho. Disse, ainda, que participou ativamente do grupo técnico que debateu os melhores caminhos para o aproveitamento dos recursos naturais em compatibilidade com a preservação ambiental da região.
Nesta terça-feira (8), a audiência pública está agendada para Caeté. O prefeito do município, Ademir da Costa Carvalho, disse que pode existir harmonia entre o Parque Nacional e a mina Apolo. ?O Parque terá 38 mil hectares e a mina vai precisar da retirada de menos de 4% disso. O Parque não vai gerar nada para o município e a mineração trará emprego e renda?, argumentou. De acordo com ele, o orçamento do município, que hoje é de R$ 40 milhões, saltaria para R$ 200 milhões com as receitas tributárias oriundas da mineração.
Por outro lado, a presidente do Movimento Artístico, Cultural e Ambiental de Caeté (Macaca), Ana Flávia Gonçalves, lembra que a área que a mineradora quer que seja retirada do projeto do Parque é onde estão os mananciais hídricos. ?A Vale quer que seja destinada à mineração regiões de Caeté, Raposos e Rio Acima, onde está o Ribeirão do Prata, com águas cristalinas e potável?, afirmou.
Ela ainda lembra que a região é a última no Quadrilátero Ferrífero onde ainda existem remanescentes de cangas. Esse tipo de vegetação tem a função de direcionar água para porosidades de rochas mineralizadas, que tem grande capacidade de armazenamento, criando nascentes de rios. Essa água armazenada também é importante para manter o equilíbrio das matas atlânticas, normalmente vizinhas.
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