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Fusão da Glencore pode levar dois anos

Notícias Gerais

22/03/2012


Reguladores da União Europeia estão examinando melhor a proposta de uma fusão de US$ 90 bilhões entre a Glencore International PLC e a Xstrata PLC, depois que siderúrgicas e outras indústrias europeias manifestaram o temor de que o negócio poderia criar uma empresa poderosa demais nos mercados de zinco, níquel e carvão, dizem consultores das duas empresas suíças.
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Ao mesmo tempo, muitos acionistas da Xstrata dizem que não vão aprovar os termos atuais da aquisição. Como não há outro interessado oferecendo preço mais alto, a Glencore não está sob pressão para ceder, o que sinaliza mais obstáculos pela frente.
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Como resultado, pode demorar pelo menos até o início de 2013 para que essa megafusão entre as duas mineradoras consiga a aprovação regulatória da União Europeia ? assim como dos Estados Unidos, China, África do Sul e Canadá ? e convença os acionistas relutantes.
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“Se eles conseguirem fechar o negócio até 1º de março, será um bom resultado”, disse Sigurd Mareels, diretor de pesquisa de mineração da McKinsey & Co. “Isso poderia levar dois ou três anos.”
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Com o negócio avançando lentamente, as duas empresas estão buscando outras oportunidades de crescimento. A Viterra Inc., firma canadense de comércio e processamento de grãos, disse na terça-feira que concordou em ser adquirida pela Glencore por US$ 6,1 bilhões. No início do mês, a Xstrata fechou acordo para comprar da Talisman Energy Inc., por US$ 500 milhões em dinheiro, um depósito de carvão na província canadense de Colúmbia Britânica.
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Como um dos mercados mundiais mais ricos e mais concentrados, e com a autoridade regulatória antitruste mais poderosa do mundo, a UE deverá ser o obstáculo mais difícil para a fusão entre a Glencore e a Xstrata. Em 2008, a BHP Billiton abandonou uma tentativa de aquisição da rival Rio Tinto, também exploradora de minério de ferro, depois que a UE levantou objeções antitruste.
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Quando a proposta de fusão entre a Glencore e a Xtrata foi anunciada em fevereiro, não ficou claro se necessitaria da aprovação da UE. Em 2006, a UE havia decidido que a Glencore e a Xstrata eram, efetivamente, uma única empresa, em vista da participação da Glencore na Xstrata, que agora é de uns 34%. Mesmo assim, as duas empresas procuraram formalmente a aprovação antitruste, e desde então representantes de ambas e seus advogados têm se reunido com reguladores da UE, segundo funcionários das empresas. Porta-vozes das empresas e seus advogados não quiseram comentar. Os reguladores da UE têm cerca de um mês para se pronunciar sobre a fusão, depois de receber dados suficientes.
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A Associação Europeia do Aço é contra o negócio. “Estamos especialmente preocupados com o possível impacto sobre os mercados de zinco, níquel e carvão”, disse Axel Eggert, um lobista da associação, conhecida pelo seu acrônimo francês Eurofer. Outros lobbies industriais também estão preparando suas objeções, disse Eggert. O zinco e o níquel são usados na fabricação de aços especiais.
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O fator-chave será a forma como a UE define os mercados. No âmbito mundial, a gigante formada pela fusão teria fatias de mercado relativamente baixas: por exemplo, 9,9% do carvão térmico transportado por mar, 5,3% do carvão de coque, 6% do níquel e 12% do zinco.
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Mas, isolando certos mercados e incluindo as commodities que a Glencore vende em nome de terceiros, as empresas europeias afetadas negativamente pela aliança poderiam alegar que a fusão está criando pequenos monopólios. A nova entidade controlaria, por exemplo, cerca de um terço do mercado europeu de zinco. Em 2001, ao considerar uma proposta de aquisição da norueguesa Norzinc pela finlandesa Outokumpu Oyj, a UE decidiu que o zinco era um mercado regional, “porque as importações para a região são baixas e os custos do transporte não são desprezíveis”.

WSJAmericas


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