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Fundo do Qatar tem US$ 30 bi para investir em 2012

Notícias Gerais

23/04/2012


O fundo soberano do Qatar (QIA) tem mais de US$ 30 bilhões para investir neste ano, principalmente em commodities, disse ontem um membro de seu comitê executivo, Hussain Al-Abdulla.
Por sua vez, Ahmed Al Sayed, principal executivo (CEO) do fundo soberano dessa micro-monarquia no Golfo Pérsico, disse ao Valor que examina também oportunidades no Brasil e outros emergentes. “Precisamos ganhar dinheiro”, afirmou.
O fundo do Qatar pesa “mais de US$ 100 bilhões”, segundo Al-Abdulla, dinheiro originário da exploração de petróleo e gás. E o interesse agora é investir prioritariamente em commodities levando em conta “mudanças estruturais na economia mundial”.
Al-Abdulla notou que desde 2002 o preço de commodities está em alta. E acha que por causa da situação financeira não tem havido investimento suficiente no setor.
Ele acredita que, por volta de 2016, poderá haver um fosso entre oferta e demanda empurrando o preço ainda mais alto.
No fim de semana, o fundo confirmou a aquisição de 3% do grupo petroleiro francês Total. Já tem 6% das ações do grupo minerador Xstrata, que prepara fusão com a trader Glencore. Os investimentos em agricultura alcançaram US$ 2 bilhões nos ultimos dois anos.
A atuação de fundos soberanos, pesando cerca de US$ 5 trilhões, esteve no centro dos debates do fórum sobre investimentos, paralelo à conferência ministerial da Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), aberta no sábado em Doha.
O economista-chefe da agência, Heiner Flassbeck, alertou para o risco de uma nova crise financeira, que seria inflada por novas bolhas.
“A especulação aumenta, especialmente bolha de commodities, como os preços de petróleo que não têm nenhuma relação entre oferta e demanda”, afirmou.
Desta vez, segundo Flassbeck, uma nova crise só não será pior do que a de 2008 porque não envolve mais o setor imobiliário. Mas ele reiterou que, principalmente para os bancos europeus, os problemas tendem a persistir.
“Na zona do euro, muitos bancos não são mais bancos, e sim filiais do Banco Central Europeu (BCE)”, disse Flassbeck, referindo-se à enorme dependência das instituições financeiras em relação à liquidez fornecida pela autoridade monetária.
A Unctad, que quer ser um “think tank” dos países em desenvolvimento, realiza em Doha, no Qatar, sua primeira conferência ministerial desde a explosão das crise econômica e financeira iniciada em 2008.
Dezenas de debatedores refletiram a percepção de que políticas de austeridade afundam o crescimento econômico e precisam ser substituídas por políticas expansionistas.
Para a Unctad, não tem sentido cortar despesas e elevar impostos numa situação de recessão e desemprego de mais 20% como na Espanha. A entidade considera também que a gigantesca dívida dos governos não é causa, e sim uma consequência da crise financeira.
Enquanto Flassbeck alerta para nova crise financeira, nos bastidores da conferência persiste um conflito entre países desenvolvidos e emergentes sobre o futuro mandato da Unctad na economia internacional.
Os EUA, a União Europeia e a Suíça querem que a organização se abstenha do debate sobre reforma financeira global e também seja excluída de reuniões do G-20, grupo das principais nações desenvolvidas e emergentes.
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Valor Online


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