Fronteiras Expandidas
25/10/2013
O Brasil está desenvolvendo novas competências e isso tem ajudado em grande medida a ampliar os horizontes das empresas no cenário internacional. O Ranking das Multinacionais Brasileiras deste ano, elaborado pela Fundação Dom Cabral, já mostra um grupo de empresas que, mesmo sem atuar nos segmentos em que o país desfruta de vantagens competitivas, despontam no mundo globalizado como atores importantes.
“O índice de internacionalização das empresas brasileiras cresce a cada ano. Uma das razões do sucesso é o fato de as empresas terem se tornado mais competitivas e isso cria motivação para novas investidas, produzindo um círculo virtuoso, ampliando os negócios de quem já atua no exterior e atraindo outras companhias”, afirma Sherban Leonardo Cretoiu, coordenador do Núcleo de Negócios Internacionais da FDC e responsável pelo ranking.
Os números do Banco Central confirmam a tendência de expansão. “Participação no capital continua aumentando”, diz Luís Afonso Lima, diretor presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet). Afonso Lima acumulou os dados do BC e descobriu que em 12 meses até agosto as companhias nacionais enviaram para o exterior US$ 14,4 bilhões apenas em operações de participação no capital. No total do ano até agosto, saíram do país desta forma US$ 13,46 bilhões e apenas US$ 1,97 bilhão retornou.
Há setores em que as vantagens do Brasil são evidentes, como mineração, frigoríficos, alimentos, construção civil, agronegócio e bancos, diz o coordenador da FDC. Mas muitas companhias não desfrutam dessas vantagens naturais e estão se impondo por ter elas mesmas seu grau de excelência. É o caso das empresas de TI, entre outras.
O sucesso decorre da capacidade de gestão dessas companhias, diz Cretoiu. “A flexibilidade brasileira ajuda essas companhias a oferecer soluções customizadas para os clientes no exterior”, complementa Maria Tereza Fleury, diretora da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas e co-autora do livro “Brazilian Multinationals – Competences for Internationalization”.
O resultado da pesquisa da FDC mostra que as empresas encontram-se em um novo patamar de internacionalização, menos sujeito aos humores da conjuntura local e internacional. “Não consigo perceber um cenário de retrocesso da presença internacional”, afirma Cretoiu. Além disso, as empresas que entram nesse processo não olham apenas o lado econômico, mas o posicionamento de longo prazo. “A internacionalização traz muitos benefícios que não podem ser medidos apenas por aspectos conjunturais.”
Pelo menos um dado da realidade reforça esse argumento. Nos últimos dois anos, a lucratividade média das empresas no exterior praticamente empatou com o resultado local. Em 2012, o retorno médio ficou em 13,85% aqui e 13,75% lá fora. Esse empate é uma associação de condições de mercado e do amadurecimento das empresas no exterior, avalia.
Para Carlos Braga, professor de Política Econômica Internacional da escola de negócios suíça IMD, a internacionalização “ainda é um aprendizado” para o Brasil, um país ainda “voltado para si mesmo”.
O Ibope mantém sua estratégia de expansão e acaba de abrir unidades em duas praças, República Dominicana e Porto Rico, em pareceria com a Nielsen Company. A empresa já se encontra em 16 países da América Latina – além de ter escritório em Miami, nos EUA – e ocupa o terceiro lugar entre os maiores medidores de audiência televisiva do mundo.
“Consolidamos a posição de liderança como maior empresa de pesquisa de mídia da América Latina”, afirma Antônio Wanderley, CMO (chief marketing officer) do Ibope Media.
O processo de internacionalização, iniciado na década de 1990, intensificou-se recentemente, levando o Ibope à posição de segunda empresa mais internacionalizada do ranking entre as que faturam até US$ 1 bilhão. A empresa não divulga quanto do seu faturamento de US$ 330 milhões em 2012 vem das operações no exterior.
Valor Econômico