Ferrovia não atrasará planos da mineradora brasileira
18/02/2011
Vale exportará carvão de Moçambique
Empresa possui direitos para transportar 4 milhões de toneladas
O atraso na reforma de uma importante ferrovia em Moçambique não deve atrapalhar os planos da Vale de iniciar ainda este ano a exportação de carvão de seu projeto no país, segundo afirmou Paulo Horta, gerente de projetos da mineradora. “Nós estamos perto de uma solução”, disse o executivo nesta quinta-feira.
Segundo Horta, a unidade de processamento de carvão da Vale e a ferrovia serão testados em maio, com a visão de que a primeira exportação será feita no fim de junho ou começo de julho.
Consórcio indiano
O Ricon, consórcio indiano responsável por renovar a ferrovia Sena, tem de concluir a reforma em 24 de março, mas o projeto está atrasado. A companhia ferroviária estatal de Moçambique ameaçou tomar o controle da reforma se o consórcio não cumprir o prazo. A ferrovia Sena é a única existente para transporte de carvão da bacia de Tete, recém descoberta e altamente promissora.
A Vale e a australiana Riversdale Mining possuem direitos para transportar 4 milhões de toneladas e 2 milhões de toneladas, respectivamente, de carvão pela linha. As duas companhias estão avaliando rotas alternativas para usar em seus planos de expansão.
A Vale planeja produzir 1 milhão de toneladas de carvão para exportação em 2011 e aumentará o volume para 6 milhões de toneladas em 2012, 8,5 milhões de toneladas em 2013 e 11 milhões de toneladas em 2014, segundo Horta.
Projeto Moatize
O projeto Moatize, da Vale, deverá se tornar o principal projeto de carvão da mineradora. A companhia está gastando US$ 1,6 bilhão na primeira fase de desenvolvimento de mina. Em 2010, a Vale produziu 3,9 milhões de toneladas de carvão em suas operações na Austrália e cerca de 3 milhões de toneladas na Colômbia.
A Vale espera dobrar a capacidade de produção em Moatize para 22 milhões de toneladas em uma segunda fase de desenvolvimento, que deverá ser aprovada neste trimestre. “Essa será uma grande mina”, disse o executivo.
Nova ferrovia
A companhia também está realizando um estudo de viabilidade para finalizar a construção de uma ferrovia que vai ligar as operações ao porto de Moçambique.
Quando perguntado quais são os principais problemas para este ano, Horta disse que “o maior desafio é dar início ao processo industrial (de produção e exportação de carvão), fazendo ajustes e estabelecendo uma estrutura para logística”. É isso que precisamos fazer”, disse.
Monitor Mercantil