Ferrous investe pesado para triplicar capacidade
08/10/2013
Ferrous apresentou oficialmente ontem o projeto de expansão da mina Viga, em Congonhas e Jeceaba, que pretende mais do que triplicar a produção de minério de ferro nos próximos quatro anos. Tudo vai sair por US$ 1,28 bilhão e, se for preciso, a empresa confirma que está disposta a buscar um parceiro estratégico para ajudar nos custos. ?Serão US$ 500 milhões de capital próprio, vamos buscar recursos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e não descartamos a entrada de um novo sócio, o que pode ocorrer ao longo da expansão?, afirma o diretor de implantação da Ferrous, Lênin Mendes.;
Segundo ele, o empréstimo será ainda maior. ?Vamos buscar US$ 1 bilhão e prevemos US$ 700 milhões para a expansão da mina, o restante pode ser aplicado em outros projetos. Sobre o parceiro estratégico, ainda não está nada definido, se for necessário, isso pode acontecer ao longo do projeto?, explica Mendes. A previsão da implantação é de 36 meses.
O projeto de expansão está previsto para começar no início de 2014. Segundo a companhia ? que briga na Justiça com moradores de Congonhas e com a concorrente CSN pela posse de terras ?, todas as licenças necessárias já foram concedidas e o sinal para a expansão é verde.
Atualmente, a mina Viga tem capacidade para produzir 5 milhões de toneladas por ano. Em 2017, alcançará 17 milhões de toneladas. Mesmo com a volatilidade dos preços no mercado internacional, o presidente da Ferrous, Jayme Nicolato, está otimista.
?A China pode ter reduzido os percentuais de crescimento de produção do aço, mas os números absolutos ainda são muito robustos. Em 2012, a China produziu mais aço do que o mundo todo. Há muito espaço para a urbanização chinesa e eles vão continuar a produzir o metal?, destaca Nicolato, que estima pelo menos duas décadas de boas oportunidades no mercado mundial da mineração.
O diretor de implantação do projeto na Ferrous, Lênin Mendes, anuncia a geração de 3.500 empregos diretos na fase de expansão da mina, mais 14 mil indiretos. As vagas, na grande maioria, serão para a base da construção e montagem, mas engenheiros também podem preparar o currículo porque, segundo ele, a empresa está contratando.
Mendes afirma que a prioridade será para quem mora na região. Os prefeitos de Congonhas, José de Freitas Ribeiro (Zelinho), e de Jeceaba, Fábio Vasconcelos, diz que não tem gente suficiente para tantas vagas. ?Já temos a CSN, a Vallourec, a fábrica de vagões da Usiminas. Precisamos de capacitar nossa população e estamos confiantes na vinda de um Senai?, afirma Zelinho.
?Já procuramos saber da Ferrous qual o tipo de profissionais eles vão demandar para fazermos a capacitação, mas não tem gente suficiente?, diz Vasconcelos.
Se as oportunidades serão grandes para trabalhadores, para os fornecedores também. ?O índice de nacionalização de equipamentos será de 92%, sendo 90% dentro de Minas Gerais mesmo. De fora do Brasil só virão equipamentos como moinhos, por exemplo?, afirma Mendes.
Sobre o projeto-Onde: Congonhas e Jeceaba- Início da expansão: primeiro semestre de 2014- Capacidade anual: vai passar de 5 milhões de toneladas para 17 milhões de toneladas de minério de ferro- Investimento: US$ 1,28 bilhão, sendo US$ 500 milhões de capital próprio e o restante de financiamento junto ao BNDES- Impostos: vai gerar R$ 360 milhões em impostos
O Tempo