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Extração de areia na praia de Camburi: Sociedade tem mais informações que Iema

Notícias Gerais

21/03/2012


O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) realizou nesta segunda-feira (19) uma reunião para que órgãos ambientais do Estado esclarecessem dúvidas da sociedade, sobre a extração de areia, pretendida pela empresa Vila Rica, na Praia de Camburi. Mas, ao contrário do esperado, o que se viu foi que os órgãos se mostraram mais surpresos que a comunidade quando informados sobre o empreendimento.
A reunião, motivada por uma representação protocolada no MPES, pela Associação de Amigos da Praia de Camburi (AAPC), alertando o órgão sobre o processo de implantação da empresa Vila Rica, em Camburi. Com a exploração da região, alerta a entidade, sobrariam poucos espaços para contemplação da área natural em Camburi.
Segundo a entidade, a empresa pretende extrair 6 milhões de m³ de areia para comercialização na região, entretanto, não informou com transparência qual serão os impactos para a região. O projeto de extração de areia para comercialização pela empresa Vila Rica, na Praia de Camburi,; chegou ao conhecimento dos usuários da praia após uma pesquisa da Cepemar, empresa de consultoria contratada para avaliar quem são os usuários da Praia de Camburi. Entretanto, segundo os representantes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Vitória (Semmam) desconhece este projeto.
Já a informação dada pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) ao MPES é de que o projeto ainda é um embrião e que a empresa está legalizada para explorar areia para comercialização, entretanto, ainda não foi licenciada. Segundo o presidente da AAPC, Paulo Pedrosa, uma reunião já foi realizada com a empresa de consultoria ambiental Cepemar para discutir a explorar comercialmente a areia, que fica no fundo do mar de Camburi, mas, segundo ele, não houve transparência durante os debates.
A informação da entidade é que muitos dos questionamentos feitos pela sociedade foram respondidos da mesma forma: ?Não há permissão para falar do assunto?.
Para a AAPC, a única beneficiada com este processo seria a Vale, já que o canal de Tubarão ficaria desobstruído, conforme prevê a dragagem pretendida pela própria mineradora. Já os freqüentadores da praia sofreriam com a queda da qualidade da água, devido à remoção da areia do fundo, que pode, inclusive, conter substâncias tóxicas devido às atividades industriais desenvolvidas na região. “A Praia de Camburi está doente, cansada e ferida e não precisa de mais microorganismos para aumentar sua chaga, o que ela precisa é de uma pausa para que tudo isso se cicatrize e ela se recupere naturalmente”, declarou, em nota, a AAPC.
Paulo Pedrosa alerta que a Praia de Camburi sofre com os sedimentos que foram e continuam sendo despejados; na região; sofre com o passivo ambiental do minério de ferro que foi depositado indiscriminadamente na região pela Vale em 2002 e com as dragagens no Porto de Tubarão, que; altera a cor e a consistência da água do mar.
A partir de uma enquete feita com freqüentadores da praia, a AACP informou que a instalação de uma mineradora para a exploração de areia; na região não é bem vinda, já que irá aumentar o desconforto com os sedimentos, ou seja, aumentar a lama na Praia de Camburi.
A empresa Mineração Villa Rica Ltda. pertence ao empresário Sérgio Lorenzini. Já a Cepemar, contratada para realizar os estudos de impacto ambiental do empreendimento na região, foi a empresa responsável por elaborar, durante anos, os estudos ambientais das grandes poluidoras do Estado, inclusive,; os da própria Vale. A Vila Rica e Cepemar serão convidadas para explicar o projeto em uma reunião, ainda sem data marcada, no Ministério Público Estadual.

Seculodiario.com.br


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