Exposição mostra que mineração e conservação caminham juntas
29/11/2010
Sustentabilidade e biodiversidade. Protagonistas no terceiro painel do II Congresso de Mineração da Amazônia, evento que integra a Exposibram Amazônia 2010, estes dois assuntos foram debatidos por especialistas de empresas que atuam no mundo inteiro. Eles mostraram aos participantes exemplos de como a mineração tem se integrado ao trabalho de conservação ambiental, inclusive com participação em institutos mundiais que atuam neste ponto.
A primeira palestra “Mineração e Biodiversidade: lições aprendidas por uma mineradora global” mostrou como empresas com presença global aprenderam a respeitar o meio ambiente e ainda assim promover a manutenção, recuperação e conservação de áreas consideradas de fundamental importância para a natureza. O tema foi abordado pela diretora de Sustentabilidade da Vale, Vânia Somavilla.
Para ela, o Brasil tem um importante papel na discussão da biodiversidade mundial, principalmente quando o assunto é desenvolver metodologias de como conhecê-la e quantificá-la.; “Precisamos conhecer a nossa biodiversidade. As empresas possuem um papel muito importante no que se refere ao nosso futuro, de forma que possamos sair, se um dia acabar a mineração, com o orgulho de ter deixado um legado pra região onde se atua, com mais desenvolvimento e preservação. É um grande desafio para todos nós”, comentou. Vânia ainda apresentou os diversos projetos desenvolvidos pela Vale, dando destaque para a preservação da Floresta Nacional de Carajás.
A segunda palestra foi ministrada por Anne-Marie Fleury, do Conselho Internacional de Mineração e is (ICMM). Com o título “Estratégias para a incorporação da biodiversidade nos projetos minerais”, ela destacou o fato que boa parte dos projetos de mineração no mundo é instalada em áreas remotas. “Quando olhamos em escala global, no quesito de impactos ambientais, a atividade de mineração não é tão grande. Mas quando olhamos regionalmente, a importância dela é muito grande. A mineração leva muitos recursos e por ocuparem grandes áreas, também protegem estas”, comentou enfatizou.
Ela destacou ainda o fato de que 2010 é o ano internacional da biodiversidade e que foi estabelecida uma de aumento em 17%, para o futuro, das áreas conservadas. “A atenção na conservação vai crescer e a atividade mineral tem um importante papel, pois tem um grande conhecimento neste ponto, ou seja, tem muito a oferecer. Hoje, não podemos afirmar com certeza que o desempenho de conservação mundial melhorou, mas temos como dizer que há muito mais compromissos neste ponto”, disse.
As duas palestras foram mediadas pelo coordenador regional do Instituto Chico Mendes (ICMBio), Fabiano Gumier Costa, que lembrou que a região amazônica ainda possui altos índices de desmatamento, principalmente pelas atividades de pecuárias, madeireira e extrativismo mineral desordenadas. “Quando a gente vê que o setor produtivo como a mineração organiza eventos como esse, começa a debater sobre o assunto, de forma espontânea como lidar com sustentabilidade, sinaliza mudança de paradigmas e um futuro melhor”.
Licença social – Segundo especialistas é imprescindível que a população conheça os riscos, impactos e mais ainda os benefícios do processo de instalação de empreendimentos em regiões. A licença social é um dos novos desafios para mineração porque além de ser processo de gestão, deve ocorrer a partir da implantação do empreendimento.
O tema foi apresentado por Rolf Georg Fuchs e Annemarie Richter, especialistas em mediação social, no workshop “Desafios para a Licença Social em projetos de mineração”, na programação do II Congresso de Mineração da Amazônia. Eles destacaram que o diálogo social deve ocorrer dentro e fora da empresa. “O conceito da licença social é exatamente prevenir riscos e passivos, para se trabalhar de uma forma tranqüila, e não ter que atuar sempre em crises”, explicou Fuchs.
Ele disse ainda que a preocupação das instituições no relacionamento com seus stakeholders é crescente. “É uma ação para empresas de qualquer tamanho, qualquer porte, não só da mineração e deve ocorrer dentro e fora do empreendimento”, afirmou. Fuchs comentou que o Ibram é um dos grandes incentivadores do debate sobre “Licença Social”. “A EXPOSIBRAM AMAZÔNIA é prova disso já que o ponto central é a questão da sustentabilidade sócio-ambiental”.
Eco Amazônia